Reportagem.dom 31/01/2016

Facções em trégua. Uma paz às avessas

A notícia sobre a união de facções rivais que disputam o tráfico de drogas em Fortaleza tomou conta da cidade. A suspeita da unificação estaria ligada ao PCC e CV
notícia 21 comentários
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Demitri Túlio demitri@opovo.com.br
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Sem investigação sistematizada entre os órgãos da SSPDS, a leitura sobre a união do tráfico é confusa. Em alguns bairros, muros pintados dão conta da facção Família do Norte (FDN), braço do PCC no Nordeste


Após a chacina da Messejana/Curió, em novembro do ano passado, um sentimento se multiplicou em bairros vulneráveis de Fortaleza e da Região Metropolitana. Nas áreas dominadas pelo tráfico de drogas, territórios sempre em confronto com as polícias ou geradores de relações suspeitas entre criminosos e policiais corruptos, uma “ordem geral” teria levado quadrilhas inimigas a se juntarem ou estabelecerem uma trégua em nome da “paz” e pelos negócios dos traficantes. Nada de execuções entre eles (a não ser que se quebre o acordo), nada de assaltos a cidadãos dali e liberdade para que a população circule sem “medo” na comunidade.


 

Essa história, ainda em construção, é difusa. Inicialmente, segundo fontes que pedem o anonimato, foi tramada na interlocução do “presídio com a favela” e, agora, vem tomando corpo e reverberando na Cidade. O POVO inicia uma conversa sobre a “pacificação entre facções”, estratégia que vem sendo ignorada (ou investigada sem muita ênfase) pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e órgãos afins do Governo.


Correu pelas redes sociais. Foi logo após os 11 assassinatos cometidos, supostamente, por policiais militares em 12/11/2015. Um comunicado apócrifo, com referência à matança do Curió e outros episódios, rodou por Facebook e WhatsApp de lideranças comunitárias, de criminosos e grupos de policiais.


Num imenso texto, após denúncias, lamúrias e ameaças contra os sistemas de segurança pública e penitenciário, alguém ou algum grupo que ostenta o título de “O crime do Estado do Ceará” define que a saída nos bairros - supostamente apoiados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) -é estabelecer “uma paz onde todos possam ser unidos. Onde a comunidade possa interagir com outra comunidade. Uma paz onde todos possam exercer o seu direito de ir e vir”.


Não demorou e a informação sobre a aproximação de gangues rivais, acompanhada de foguetórios após os supostos acordos, virou preocupação no WhatsApp de policiais cearenses. “Olha a ousadia desses bandidos, eles comemoram a união de facções criminosas nos bairros Bela Vista, Panamericano, favela do Papoco, Riacho Doce, Malvinas e Triângulo, em Fortaleza. As imagens estão circulando nas redes sociais e sob investigação”, está escrito num grupo de policiais que O POVO opta não nominar.


Em outra postagem, na zona Leste de Fortaleza, alguém comemora. “Tamo junto bairro Vicente Pinzon e comunidades Piniquim, Favelinha, Buraco, Marrocos, Conjunto, Pé do Morro, Beco do 12. Todo o Castelo Encantado lutando pela paz. Parar com esse derramamento de sangue que não leva ninguém a nada. Só destruição (...) Concordância geral, comunidade. Porque os cidadãos de bem possam viver tranquilo, na porta de suas casas. Poder andar livre por todo canto do bairro (...) do Vicente Pinzon. A paz veio pra ficar e ela não vai mais sair do bairro”, está numa das postagens.


Em outra rede social, um rapaz festeja “a paz que reina no Castelo + Serviluz + Lagoa do Coração + Verdes Mares + As Placas + Caça&Pesca + Santa Teresinha + Saporé + Varjota + Os Índios + Lagamar (...) Acabô a treta, acabô a rivalidade. Chega de matansa. Chega de ver mãezinha chorando. Unidos somos mais fortes”, avisa, na sua contagem.


Para um policial, que pede para não ser identificado, as histórias apenas aparentam ser isoladas. Como não há investigação coordenada, ligando as pontas “dessa artimanha criminosa”, o poder dos traficantes nos bairros se modifica. “Pode parecer ousadia de pirangueiros, mas é estranho o efeito dominó e precisamos nos antecipar a essa nova lógica”, observa.


O ponto de partida, pontua um oficial da Polícia Militar, é admitir que eles (o tráfico) estão se reorganizando. Dois: é saber de onde partiu a ‘nova ordem’. E três, o Estado não pode sair atrás e perder mais espaço nos bairros onde “a lei é reescrita por traficantes”.

espaço do leitor
Dulce 16/09/2016 11:33
Se onde tem favela e tráfico tá "pacificado", para onde vão os bandidinhos que precisam roubar para pagar suas drogas aos traficantes? Para os bairros de classe média, para as avenidas, parques, paradas de ônibus, praia... Continuamos ferrados do mesmo jeito. Essa paz preserva apenas a vida dos marginais que deixaram de se matar em brigas de gangue!Muito pior pra nós!!!
Bob 08/02/2016 18:45
Como o governo, lotado de pilantras, vai combater a bandidagem?
Lunga Jr 08/02/2016 07:48
Qual a novidade, afinal este é o país das quadrilhas e dos pôdres poderes.
Eduardo Bezerra 08/02/2016 07:26
Pelo que se comenta no Bairro Edson Queiroz, as matanças atrapalham o tráfico e que se alguém matar outro a família do assassino seria dizimada. Assim com fogos e festa o Edson Queiroz não teve mais mortes. Com certeza a falência da SSPDS e essa trégua e união enfraquece o Estado como um todo pois não se tem efetivo para combater uma ação conjunta em todos os bairros simultaneamente deles. Já pensaram nisso? Todas as facções de bairros vão a rua na mesma hora? CAOS TOTAL.
Castro Paiva 05/02/2016 11:46
O PCC E CV DÁ UMA TRÉGUA NO QUE SE REFERE A CRIMINALIDADE É COM CERTEZA UMA RENOVAÇÃO NO MUNDO DA CRIMINALIDADE, ALGO QUE O CIDADDÃO ESPERAVA DAS AUTORIDADES DA SEGURANÇA PÚBLICA E SABER QUE O CRIME ORGANIZADO MANDA E DESMANDA AS ATROCIDADES CRIMINOSAS NO CEARÁ NÃO É NOVIDADE, O QUE SE ADMIRA É O GOVERNO E AS DEMAIS AUTORIDADES NÃO SABEREM, MAS É O QUE SE ESPERAVA DIANTE DO GOVERNO QUE SÓ INCENTIVA O CRIME.. PROTEJENDO BANDIDOS..
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