carreiras s/a 17/09/2018 - 18h34

Conheça o que há por trás da expressão Mundo Vuca

Em períodos que prezam por rapidez e resultado a curto prazo, as relações de trabalho tornam-se cada vez mais efêmeras. Veja maneiras de lidar harmonicamente com as efusões da atualidade
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Ester Coelho estercoelho@opovo.com.br
Foto: Pixabay/Geralt

Por mais estranho que o termo Mundo Vuca seja, ele está cheio de significado: é volátil, incerto, complexo e ambíguo.
Advindo das palavras em inglês volatility, uncertainty, complexity and ambiguity, o conceito foi inicialmente utilizado no
período pós-Guerra Fria pelo exército norte-americano para definir suas respectivas estratégias. Atualmente, é
incorporado ao vocabulário do mundo corporativo, marketing e inteligência de mercado, mas está bastante associado
também a como temos vivido.
 
O Mundo Vuca é volátil por se caracterizar pela falta de constância de crescimento, mudança e transformação. “Se há
um acontecimento na política, isso afeta a taxa do dólar e ele pode subir. Com uma notícia, ele desce. Essa é a volatilidade que não tem a previsão de um fator constante
de mudança desse elemento”, exemplifica o coach executivo Edson Moraes. A incerteza é ainda característica do Mundo Vuca,
que a impulsiona graças à complexidade da realidade em que vivemos. Há opções e informações constantes circundando cada escolha que podemos fazer.
 
A chegada da internet também altera a lógica de consumo e pensamento, pois permite que as informações corram mais
céleres e em maior intensidade, fluxo que torna tudo ambíguo. Moraes afirma que no Mundo Vuca acontecem muitas
vezes interpretações equivocadas dos acontecimentos. “As fake news são um exemplo desse momento de ambiguidade
que vivemos. A perspectiva com que olhamos o problema dá uma leitura diferente de uma questão para cada um.”
 
Luciano Meira, autor do livro A Segunda Simplicidade e sócio da fundação Caminhos Vida Integral, explica que por
todas essas razões o Mundo Vuca altera a lógica das relações interpessoais. Antes, elas eram mais forçadas e artificiais, previsíveis.
Hoje, pelo contrário, as relações tornam-se cada vez mais descartáveis e não há medo de mudanças, descreve. “Os relacionamentos têm sido marcados por certa
fragilidade. Se não gosto do primeiro traço de personalidade de alguém, afasto-me e não preciso manter esse relacionamento.”
 
E é em meio a essa transformação que surge uma nova geração de trabalhadores, para os quais mudança e rapidez são
palavras de ordem. Essa nova forma de lidar com as relações reflete-se também no mercado de trabalho e transforma a expectativa do vínculo que o empregado mantém com a empresa. “A geração que
está chegando agora não tem medo de mudanças e quer se apegar a um propósito. Se não se identificam com esses dois
elementos dentro de uma empresa, rapidamente
mudam de lugar”, comenta Gisele Studart, diretora da empresa de Recursos Humanos Studart RH.
 
Querer uma recompensa imediata e superficial também está diretamente associado ao prazer que a geração do
Mundo Vuca espera do trabalho. As pessoas desejam remuneração e recompensa rápida, mas também querem ter
a satisfação de produzir algo. Marcelo Nóbrega, diretor-executivo de Recursos Humanos do McDonald’s Brasil, considera
isso uma causa do Mundo Vuca, e não uma consequência. Essa forma de ver o trabalho estabelece também uma nova
relação com o termo “carreira”, que mais do que nunca passa a ser volátil e incerta: um acúmulo de experiências
pontuais em trabalhos diferentes. “A carreira não é somente um cargo, uma sala ou uma equipe, pois as experiências
não são contínuas, são estanques. É um projeto com início, meio e fim”, comenta Nóbrega.
 
Para captar o lado positivo  
Uma empresa que monta uma estratégia para produto ou serviço já não tem projeções a longo prazo ou garantias de que algo será bem-sucedido. Moraes recomenda,
para contornar essa situação, contratar serviços externos à empresa que a ajudem a ver por meio de uma
perspectiva “desapaixonada” e mais objetiva. Para ele, em âmbito pessoal, esse apoio trabalha a autoestima e o pensamento
crítico. Em âmbito empresarial, impulsiona aspectos como trabalho em equipe, cogestão e negociação, características
essenciais para combater a volatilidade de um Mundo Vuca.
 
Além disso, é necessário investir em inovação e criatividade, com planejamentos que sejam adaptáveis a mudanças
rápidas. Assim, o trabalhador do Mundo Vuca não pode ficar parado, e sim estar em constante desenvolvimento, tanto
profissional quanto pessoal. Investir em um MBA ou em uma especialização é essencial, mas também é interessante participar
de cursos vivenciais, que trabalham o autoconhecimento e ajudam a manter o bem-estar em meio à complexidade.

Um líder vuca 
A fim de que se desenvolvam novas lideranças no Mundo Vuca, os profissionais e as empresas precisam ter duas
características: flexibilidade e adaptabilidade. As empresas devem promover atitudes como a rotação dos funcionários
por diversas áreas, trabalhar no formato de projetos e alocar as pessoas neles conforme suas habilidades, mas também dar
espaço para que os trabalhadores possam se arriscar. Criar verbas para diferentes projetos, por exemplo, ajuda a manter
a empresa e o funcionário fora da zona de conforto. As empresas, porém, ainda não estão ligadas nesse processo, diz Marcelo
Nóbrega, que enfatiza que isso ocorre principalmente porque a maioria ainda pensa de maneira arcaica e tem dificuldade
em promover mudanças.
 
Um líder no Mundo Vuca é também aquele que se mantém estável em meio a tanta instabilidade e investe em três
camadas principais: liderar a si mesmo, desenvolver sua equipe e fazer gestão de uma cultura organizacional. Luciano
Meira alerta que, no Mundo Vuca, a base deve ser o “eu”. “Isto se refere ao fortalecimento do caráter, ao autoconhecimento,
ao entendimento de que o ser humano tem potencial de se sentir muito bem ao se conhecer. Assim é que irá desenvolver
os seus potenciais.” Apesar das aparentes dificuldades do Mundo Vuca, por outro lado, ele também pode ser o principal propiciador de relações autênticas,
que não surgem de convenções ou tradições. O especialista garante que as pessoas jamais buscaram tanto uma
educação sobre inteligência emocional e interpessoal. “Quem sabe as relações voltem a ser estáveis. Não pelos motivos antigos, mas sim por novos. O Mundo
Vuca pode ser uma etapa de transição que estamos passando, que ajudará a nos fortalecer.”

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