COLETIVIDADE 08/06/2018 - 07h00

Conscientizar a sociedade por meio de intervenções artísticas

Projeto Urbano Arte realiza, com grafites e paisagismo, mudanças estéticas em áreas de Fortaleza e traz à tona o sentimento de pertencimento da população para com as ruas da Capital
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Kelly Hekally kellyhekally@opovo.com.br
Fotos Divulgação
O Urbano Arte, iniciativa do grupo Marquise e da Ecofor Ambiental, conta com incentivo da Lei Rouanet e apoio da Seuma e do Porto Iracema das Artes

O grafite é uma das expressões artísticas que mais ganham espaço em diversas capitais brasileiras desde o final da década passada. Visto enquanto iniciativa cultural que dialoga diretamente com a sociedade, especialmente por estar ao alcance direto dos olhos de quem passa a pé, ônibus, carro, entre outros modos de deslocamento, nas ruas de uma cidade, ele encontra espaço em bairros fortalezenses, como Centro (av. Duque de Caxias, próximo à Praça Coração de Jesus), Praia de Iracema (Vila Grafite) e Benfica (avenida Treze de Maio, próximo à Reitoria da UFC). 

O grafite, entretanto, pode ir além da estética e se conjugar a filosofias como a do sentimento de pertencimento à cidade, relação essa exteriorizada, por exemplo, por meio da mudança de locais antes tidos como depósitos inapropriados de resíduos residenciais e comerciais. Essa é uma das razões para o surgimento do projeto Urbano Arte, realizado pela House Cultura & Cidadania e que desde o final de 2017 transformou mais de 20 lugares da Capital fadados ao desleixo em cantinhos que viraram xodó de comunidades. Álvaro Weyne, Barra do Ceará, Jacarecanga, Meireles e Montese, além de escolas, já foram contemplados com a iniciativa. A meta é chegar a 33 bairros.

"Fortaleza é muito volátil em termos de memória. Vemos diversos monumentos arquitetônicos sendo derrubados, e artes como o grafite ajudam a criar uma memória mais afetiva", opina o artista visual Narcélio Grud. O coordenador do ateliê Amplitude, contudo, defende que ações que utilizam o grafite com finalidade estética precisam ser cuidadosas para não carregarem estigmas e preconceitos. "Algumas vezes, o grafite é tido como veículo de higienização, viável para tirar pichação. Essa não é uma visão bacana. O grafite tem uma visão social, que consegue ressignificar o espaço e é legal porque mostra a força que a imagem tem", enfatiza.

Curador do Urbano Arte, Gustavo Wanderley explica que a iniciativa é reflexo de "um movimento muito forte baseado na arte contemporânea de revitalização de áreas de praias" e que esse pensamento foi a base do convite que o paulista recebeu para fazer parte dele em Fortaleza.

Intervenção realizada na av. Dr. Theberge, no bairro Álvaro Weyne

Wanderley conta que, antes de iniciar as produções, os autores das intervenções realizaram pesquisas historiográficas dos locais incluindo os respectivos moradores, a fim de que o grafite a ser realizado tivesse total relação com o espaço e os aspectos que se relacionam intrinsecamente com ele. "Uma das participantes foi iniciar um trabalho e descobriu que no espaço que ela ia grafitar passavam riachos, que as pessoas utilizavam para lavar roupas e executar outras tarefas. A informação serviu de ponto inicial para o desenho dela. A ideia é beber da memória e fazer com que o trabalho esteja alinhado aos valores do lugar."

O paulista acrescenta que, antes da realização de uma intervenção como o grafite, que ele define como "instrumento de embelezamento da cidade e de cuidado com ela", é preciso se ter claro que depois da finalização do trabalho o espaço será uma área com novo paisagismo, "que deve ser habitado, inclusive, por outros seres vivos", e que esse entendimento é um dos aspectos a serem levados em conta em ações do estilo do projeto. "A própria população tem abraçado. No Jacarecanga, sei que virou uma espécie de atração turística. A vizinha aproveitou para fazer um comércio de comida ao lado e os moradores abraçaram a causa, acolheram o espaço."

A experiência de participar
Para a artista plástica e visual Ingra Rabelo, o Urbano Arte torna-se importante mecanismo de conscientização da população por chamar atenção para um olhar micro de preservação ambiental. Ela diz que a experiência de participar do projeto mostrou-lhe que os moradores começaram a ter uma visão diferente para com a produção de lixo de suas casas e zelo com o bairro.

"Acredito que o mais importante é a comunidade do entorno ativar o contato e a consciência de preservação para com as proximidades. Eles até têm essa consciência, mas ela é dificultada pela ausência de apoios financeiro e governamental, que poderiam ajudar com a educação para com espaços desabitados e que acabam virando depósito para lixo", diz Ingra, que durante o projeto revitalizou uma área próxima ao Liceu do Conjunto Ceará e outra dentro da Escola de Ensino Médio Professor José Maria Campos de Oliveira, também no Conjunto Ceará. 

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