Comportamento 06/04/2018 - 07h00

As pessoas ainda têm evitado tatuar-se em locais visíveis?

Nos últimos anos entendida como estilo pessoal, a tatuagem é uma arte corporal popular e que transmite diferentes mensagens de seus usuários. Tatuadores contam que o preconceito em fazê-las em regiões do corpo à mostra tem diminuído
notícia 0 comentários
{'grupo': '', 'id_autor': 19107, 'email': 'hamlet.oliveira@opovo.com.br', 'nome': 'Hamlet Oliveira'}
Hamlet Oliveira hamlet.oliveira@opovo.com.br
Foto: Fábio Lima
Tatuar-se em partes visíveis do corpo torna-se cada vez mais comum

Tatoo. Tatuagem. "Se riscar". Uma forma de expressar certo aspecto da personalidade de uma pessoa, um gosto pessoal, uma saudade ou um desejo. Entre as linhas que ficam em definitivo na pele, pode surgir a vontade de colocar a arte visível para todos, ou de deixar em um local discreto. De acordo com pesquisa do instituto QualiBest, mais de 50% dos tatuados escolhe o braço para marcar. Antes vista com antipatia por parcela mais conservadora da sociedade, a tatuagem ganha, segundo profissionais, cada vez mais espaço. 

Juan Heros acompanhou de perto esse período de transição. Há 35 anos no mercado, o tatuador conta que a tendência de deixar as tatoos expostas continua crescendo. "Acho que a moçada está vendo que a tatuagem tem que ser percebida", fala. Ainda assim, Heros diz que existe, sim, uma parcela mais comedida de público, que opta por ter o desenho em uma parte do corpo que possa ser coberta pelas roupas, como o tronco e a região das coxas. 

"A coisa no começo dos anos 1980 era meio complicada. A grande maioria das pessoas nem tinha o conceito de que a tatuagem poderia ser uma profissão, era algo mais artesanal". Juan relembra que, há 15 anos, amigos diziam que jamais fariam uma tatuagem. Hoje, são clientes fiéis, que seguem marcando o corpo com o que bem entendem e nas mais variadas localidades dele. "As pessoas, hoje, ao menos compreendem que [a tatuagem] está no contexto natural, que não necessariamente é ruim. Apenas diferencia as pessoas. Têm alguns empregos que preferem que seus colaboradores não tenham, enquanto em outros é melhor que a pessoa tenha um visual exótico." 

O pensamento de que colocar tatuagens em áreas mais visíveis está se ampliando, reforça Moacir Teixeira Júnior, ou Júnior Animal, como é conhecido no meio das tatoos. Com 22 anos de trajetória no ramo, o tatuador afirma que viu a arte transitar entre classes sociais. “Comecei a tatuar em 1996. De fato, naquela época, a tatuagem era uma coisa que estava ligada a nichos mais marginais da sociedade. Claro, no sentido de quem está à margem da sociedade. Ao longo do tempo, essa imagem foi mudando, e as pessoas da alta sociedade estão se utilizando da tatuagem, seja por questões estéticas, afetivas, religiosas ou sociológicas.” 
 
Foto: Ethi Arcanjo

Mesmo com os avanços na percepção sobre tatuagens mais explícitas, Júnior diz que alguns clientes, por conta de trabalho, optam por esconder os desenhos. "O antebraço, por exemplo, é um pouco evitado. Quem faz tatoo no antebraço é porque não liga para o que os outros pensam, ou já tem uma profissão onde isso é consolidado. Uma vez, vi um anúncio de uma marca de óculos escuros onde a vaga se interessava por funcionários tatuados", fala. 

Com a família materna sendo conservadora, a jornalista Érika Neves teve que esperar até os 18 anos para fazer sua primeira tatuagem, fruto do dinheiro que ganhava no estágio. Na época, a mãe repreendia-a, falando que era uma decisão da qual poderia se arrepender. "Queria fazer a tatuagem no ombro e acabei fazendo na coxa, bem escondido, onde a família não pudesse ver, olhar torto e julgar. Mas minha mãe, quando via, sempre perguntava se eu não queria 'apagar com laser'. Demoraram uns cinco anos pra ela entender que eu não me arrependi da decisão. Hoje, ela já não questiona mais, nem comenta, nem reclama, mas sei que continua não entendendo o porque de alguém marcar algo na pele", relembra. Atualmente, a jovem tem três tatuagens, uma delas em região visível das costas. 

A tatuadora Minerva Dias fala que quando entra em contato com um eventual cliente ainda indeciso sobre "se riscar", às vezes, até convence a pessoa a não realizar o desenho, para não gerar arrependimento. "Já deixei de aprovar algumas tatuagens em lugares como pescoço e cabeça. Claro que depende da situação. Mas são lugares sensíveis, difíceis de fazer cobertura e, com certeza, dolorosos para quem precisar até remover a tattoo", finaliza.

Serviço 
Juan Heros (@herostattoostudio)
Júnior Animal (@jr_animal)
Minerva Dias (@euminerva)

espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
500
As informações são de responsabilidade do autor:

Vídeos

Especialista dá dicas sobre saúde masculina play

Especialista dá dicas sobre saúde masculina

anterior

próxima

Erro ao renderizar o portlet: Caixa Jornal De Hoje

Erro: [Errno 13] Permission denied: u'/home/presslab/public_html/ns142/arquivos/imgs/capas/2018-12-12_capa_populares_prez-61-77.jpg_tmp'

ACOMPANHE O POVO NAS REDES SOCIAIS

Mais comentadas

anterior

próxima