[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Bangalô histórico será demolido | Fortaleza | O POVO Online
Padre Valdevino 22/01/2013

Bangalô histórico será demolido

A edificação em estilo bangalô abrigou, por cinco décadas, a escola Nossa Senhora da Assunção. O casarão antigo será demolido e dará lugar a um condomínio residencial
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Geimison Maia geimisonmaia@opovo.com.br
FOTO: SARA MAIA
Material de construção já se acumula em frente ao antigo bangalô, na rua Padre Valdevino. Prédio abrigou escola por 50 anos
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A pintura azul, com detalhes brancos, está desgastada pelo tempo. Um paredão de pedras encobre boa parte da construção - que hoje remete ao abandono. Porém, ainda é latente a beleza do prédio que abrigou, por 50 anos, a escola Nossa Senhora da Assunção, no cruzamento das ruas Padre Valdevino e João Cordeiro, no bairro Joaquim Távora. Hoje, a edificação “vive” seus últimos dias. O casarão terá o fim antecipado: dará lugar a um prédio residencial, ainda sem data definida.

 

A edificação foi comprada pela Congregação das Filhas de Santa Teresa (originária do Crato) em maio de 1955. “Quando o prédio foi comprado, havia poucas casas (ao redor), um campo aberto e até mesmo criatório de gado. (As ruas) sequer tinham calçamento”, lembra a irmã Vera Lúcia, secretária geral da congregação e ex-diretora da escola.


Na escritura original de compra do imóvel pela congregação, consta a aquisição de “uma casa assobradada, estilo bungalow, de tijolo e telha com uma garagem ao lado (...) imóvel adquirido por compra a José Capelo Alvite e sua mulher”.


Tempos áureos


Em 1957, a escola começou a funcionar com apenas uma turma. A mobília foi doada pela comunidade do entorno. “O colégio evoluiu no tempo e brilhou, chegando a ter, nas décadas de 1980 e 1990, mais de mil alunos”, enfatiza a religiosa. Irmã Vera Lúcia recorda a arquitetura original do prédio: “A parte interna é belíssima. A escada é construída com madeiras refinadas. Nos dormitórios, o piso também era todo de madeira. Tem um valor histórico”, defende.


A formação “religiosa, humana e cristã” é tida por irmã Vera como um dos diferenciais da antiga escola. A ex-aluna Marjory Sampaio, 17, também destaca o incentivo às artes e ao esporte. “Recebi uma boa educação”, define. “Eram rígidos (na disciplina) e não tinha esse negócio de rapazinho namorando lá dentro”, comenta a mãe de Marjory, Mara Sampaio, 49.


Em 2007, veio a triste notícia de que o colégio fecharia as portas. “Quando o colégio foi fechado, era todo mundo chorando”, conta Marjory. O terreno, localizado numa área nobre, foi vendido. O prédio permaneceu lá, nos últimos seis anos, lembrando as histórias e brincadeiras ali vividas.


Na espera pela demolição, Marjory diz que, ao olhar para o antigo colégio, “dá um aperto no coração”.

Arquitetura


O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) Romeu Duarte explica que os bangalôs foram muito utilizados no início do século XX em Fortaleza. O nome é uma variação do inglês bungalow. “É uma casa geralmente de dois pavimentos, quatro fachadas e situada em terrenos grandes. Era ocupada por famílias abastadas e foi uma tipologia muito usada na Aldeota e Jacarecanga”, informa.


Romeu lamenta a decisão de destruir a edificação e defende a conciliação entre desenvolvimento e preservação. “É a lógica do ‘arrasa quarteirão’. Não sou contra a construção, mas acho que há terreno demais para o empreendimento. Poderia preservar a contemporaneidade e o passado”, diz, sugerindo que a antiga casa fosse usada, por exemplo, como salão de festas do condomínio. “Seria até um diferencial. Falta um pouco de inteligência e sensibilidade ao mercado imobiliário”, critica o professor.

 

Saiba mais


A reportagem consultou os arquivos da Congregação das Filhas de Santa Teresa, mas não há registro da data de construção da casa. Também foram procurados memorialistas e historiadores e consultados livros, mas não foram encontradas informações sobre os primeiros anos da residência.

 

O POVO entrou em contato, sucessivas vezes, com a Monteplan Engenharia, responsável pela construção no terreno, mas ninguém quis conceder entrevista.

 

A Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) informa que “não encontrou registro de pedido de aprovação de projeto arquitetônico ou de alvará de construção para o referido terreno em nome da construtora Monteplan.”


Nos registros de bens históricos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e das secretarias da Cultura do Ceará e de Fortaleza, o imóvel não aparece como bem material tombado.

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espaço do leitor
Fernando Duarte 23/01/2013 07:38
É uma pena mais uma escola com forte formação religiosa que se vai com o agravante da destruição de sua bela estrutura física .
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Ygor 22/01/2013 18:26
Em Recife e Salvador muitos prédios modernos são feitos incorporando o prédio histórico à obra, restaurando-o e o utilizando como hall de entrada, salão de festas, academia, etc. Fica diferente e bonito, dá lucro para a empresa e preserva a história. Aqui preferem passar o trator e fazer tudo igual.
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Clayton Mendonça Cunha Filho 22/01/2013 18:20
Absurdo! Hj o vereador João Alfredo deu entrada com pedido de tombamento. Espero que consiga! Fortaleza não cuida de seu patrimônio histórico. Deveriam transformar o terreno em volta em bela praça e o prédio em centro cultural ou sede de órgão público. Os fortalezenses agradeceriam!
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catarina 22/01/2013 18:19
Nessa casa minha mae, filha de Jose Capelo, meu avo passou a adolescencia, e ainda hj guarda recordações de uma época feliz.Tenho uma foto de minha avo, filhas e alguns netos na escadaria dessa casa, em 1946.Uma pena, que seja demolida, pelo valor historico, pela beleza de uma época!
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Vitório 22/01/2013 16:55
Que triste saber que a história não é valorizada. Uma arvore sem raiz é uma arvore morta! Quem seremos nós sem nossa história, sem nossa raiz? Fim triste o nosso viu?!
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