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A pintura azul, com detalhes brancos, está desgastada pelo tempo. Um paredão de pedras encobre boa parte da construção - que hoje remete ao abandono. Porém, ainda é latente a beleza do prédio que abrigou, por 50 anos, a escola Nossa Senhora da Assunção, no cruzamento das ruas Padre Valdevino e João Cordeiro, no bairro Joaquim Távora. Hoje, a edificação “vive” seus últimos dias. O casarão terá o fim antecipado: dará lugar a um prédio residencial, ainda sem data definida.
A edificação foi comprada pela Congregação das Filhas de Santa Teresa (originária do Crato) em maio de 1955. “Quando o prédio foi comprado, havia poucas casas (ao redor), um campo aberto e até mesmo criatório de gado. (As ruas) sequer tinham calçamento”, lembra a irmã Vera Lúcia, secretária geral da congregação e ex-diretora da escola.
Na escritura original de compra do imóvel pela congregação, consta a aquisição de “uma casa assobradada, estilo bungalow, de tijolo e telha com uma garagem ao lado (...) imóvel adquirido por compra a José Capelo Alvite e sua mulher”.
Tempos áureos
Em 1957, a escola começou a funcionar com apenas uma turma. A mobília foi doada pela comunidade do entorno. “O colégio evoluiu no tempo e brilhou, chegando a ter, nas décadas de 1980 e 1990, mais de mil alunos”, enfatiza a religiosa. Irmã Vera Lúcia recorda a arquitetura original do prédio: “A parte interna é belíssima. A escada é construída com madeiras refinadas. Nos dormitórios, o piso também era todo de madeira. Tem um valor histórico”, defende.
A formação “religiosa, humana e cristã” é tida por irmã Vera como um dos diferenciais da antiga escola. A ex-aluna Marjory Sampaio, 17, também destaca o incentivo às artes e ao esporte. “Recebi uma boa educação”, define. “Eram rígidos (na disciplina) e não tinha esse negócio de rapazinho namorando lá dentro”, comenta a mãe de Marjory, Mara Sampaio, 49.
Em 2007, veio a triste notícia de que o colégio fecharia as portas. “Quando o colégio foi fechado, era todo mundo chorando”, conta Marjory. O terreno, localizado numa área nobre, foi vendido. O prédio permaneceu lá, nos últimos seis anos, lembrando as histórias e brincadeiras ali vividas.
Na espera pela demolição, Marjory diz que, ao olhar para o antigo colégio, “dá um aperto no coração”.
Arquitetura
O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) Romeu Duarte explica que os bangalôs foram muito utilizados no início do século XX em Fortaleza. O nome é uma variação do inglês bungalow. “É uma casa geralmente de dois pavimentos, quatro fachadas e situada em terrenos grandes. Era ocupada por famílias abastadas e foi uma tipologia muito usada na Aldeota e Jacarecanga”, informa.
Romeu lamenta a decisão de destruir a edificação e defende a conciliação entre desenvolvimento e preservação. “É a lógica do ‘arrasa quarteirão’. Não sou contra a construção, mas acho que há terreno demais para o empreendimento. Poderia preservar a contemporaneidade e o passado”, diz, sugerindo que a antiga casa fosse usada, por exemplo, como salão de festas do condomínio. “Seria até um diferencial. Falta um pouco de inteligência e sensibilidade ao mercado imobiliário”, critica o professor.
Saiba mais
A reportagem consultou os arquivos da Congregação das Filhas de Santa Teresa, mas não há registro da data de construção da casa. Também foram procurados memorialistas e historiadores e consultados livros, mas não foram encontradas informações sobre os primeiros anos da residência.
O POVO entrou em contato, sucessivas vezes, com a Monteplan Engenharia, responsável pela construção no terreno, mas ninguém quis conceder entrevista.
A Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) informa que “não encontrou registro de pedido de aprovação de projeto arquitetônico ou de alvará de construção para o referido terreno em nome da construtora Monteplan.”
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