Tauá 08/06/2012

Fundação trabalha pela memória da Caatinga há 20 anos

Criada pelo ambientalista Joaquim Feitosa e pela mulher Dolores, que até hoje a mantém funcionando, a Fundação Bernardo Feitosa acumula reconhecimento local e nacional
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FOTO Hérika Vale
Dolores Feitosa fala do início da Fundação, comemora os avanços na discussão sobre meio ambiente e é otimista com futuro


A Fundação Bernardo Feitosa foi fundada em fevereiro de 1992 no município de Tauá, região dos Inhamuns, a 337 km de Fortaleza. A ideia de criá-la partiu do engenheiro agrônomo e ambientalista Joaquim de Castro Feitosa e de sua esposa, Maria Dolores de Andrade Feitosa, e o objetivo era preservar a memória do bioma Caatinga e desenvolver trabalhos que pudessem ajudar social e economicamente a região.


Ao longo de vinte anos de atuação a instituição teve seu trabalho nacionalmente reconhecido. O Museu Regional dos Inhamuns, do qual a FBF é mantenedora, tem sua sede no antigo prédio onde funcionava a Casa de Câmara e Cadeia municipal inaugurada em 1903, e possui um acervo de aproximadamente 3 mil peças que contam a história do Ceará desde os povos indígenas aos colonizadores, fósseis de animais pré-históricos e artefatos de cozinha dos primeiros moradores da região.


A presidente da FBF, Dolores Feitosa, se dedica hoje com a mesma garra ao trabalho de manutenção da memória dos Inhamuns, mas se recente da pouca atenção que dada à região pelo governo Federal ao decidir levar o Instituto Nacional do Semi-árido (INSA) para o estado da Paraíba. “Já que o propósito do governo é promover a inclusão, deveria ter olhado mais para Tauá e a região dos Inhamuns, porque existe um grande potencial para o turismo científico e para diversas pesquisas na área ambiental”, acredita ela, que faliu com exclusividade ao O POVO. Confira a entrevista a seguir:


O POVO - De onde surgiu a ideia de criar o Museu dos Inhamuns?

Dolores Feitosa - Surgiu da necessidade de ter uma entidade que preservasse o acervo que já havia sido constituído e a partir dessa ideia surgiu a Fundação Bernardo Feitosa, já que entendemos que era pouco somente criar uma instituição para a preservação desse patrimônio, porque queríamos contribuir ainda mais para a preservação da natureza, do bioma em que vivemos. E pensamos em algo que pudesse nos ajudar a desenvolver um trabalho com três linhas de ação com as quais atuamos desde sempre: social, ambiental e patrimonial.

OP - Quais as contribuições que a FBF, para a senhora, trouxe aos Inhamuns nos 20 anos de existência?

Dolores - A fundação vem desenvolvendo principalmente um trabalho de incentivo à profissionalização dos jovens. Trabalhamos promovendo a inclusão social, através de várias ações que envolvem atividades como Workshops científicos, cursos de capacitação e, recentemente, a formação de agentes patrimoniais e ambientais, com o objetivo de desenvolver nos jovens o interesse pela preservação ambiental. Temos obtido um retorno muito positivo da sociedade.

OP - O Museu dos Inhamuns é uma referência na área de preservação histórica do Brasil, tudo isso devido à dedicação da senhora e do seu marido. Joaquim Castro Feitosa. Como começou essa história?

Dolores - Costumo dizer que é uma história muito curiosa, acredito que a origem de tudo tenha se dado a partir da minha união com o Feitosa, já colecionávamos peças que nos eram trazidas por familiares , amigos de vários lugares e então resolvemos juntar a tradição da Zona Norte, de Sobral, que é de onde venho, com a tradição da família Feitosa da região dos Inhamuns. No começo as peças ficavam em nossa casa em Fortaleza e somente quando decidimos nos mudar para Tauá é que começamos a idealizar o Museu, a partir de uma pequena exposição feita no Tricy Clube (tradicional da cidade) com algumas peças e aberta ao público com o apoio do então prefeito municipal Zé Lima. A partir daí percebemos o interesse das pessoas por saber da história da sua região.

OP - A FBF possui projetos em desenvolvimento? Quais são eles?

Dolores - Esse ano, em virtude das comemorações dos vinte anos da FBF, temos alguns projetos em fase de lançamento, um deles é o “Transformações da Urbe” que busca mostrar como se deu a transformação da cidade de Tauá e da Região dos Inhamuns, através de fotos, conversas que tivemos com moradores mais antigos, dados que colhemos do arquivo estadual. Também estamos desenvolvendo um projeto que se chama “Aristocracia Rural” que consiste na documentação da história oral através das peças que temos em acervo, que pertenciam aos antigos moradores da região dos Inhamuns.

OP - Qual a avaliação que a senhora faz desses 20 anos de trabalho da Fundação Bernardo Feitosa?

Dolores - Acredito que ela tem cumprido a sua missão, alcançando a finalidade a que sempre se propôs quando o Feitosa idealizou esse projeto de vida, que é cuidar do patrimônio histórico da região e da preservação do bioma em que vivemos, a Caatinga. Isso se deve principalmente a todas as equipes que já estiveram à frente da administração da FBF, pessoas que se dispuseram voluntariamente a ajudar, doar suas horas úteis em que podiam estar fazendo algum trabalho em seu próprio benefício, mas escolheram cuidar desse patrimônio, que é nosso é de todos os nordestinos, eu os chamo de “família fundação”.

OP - Como ambientalista, de que forma a senhora vê a conscientização das pessoas e dos governos com relação ao incentivo à preservação ambiental?

Dolores - Já podemos ver nas escolas uma preocupação com o meio ambiente, já se fala em “educação ambiental”, já falamos sobre o consumo consciente, mas ainda é necessário um trabalho bem maior para o estímulo de uma outra postura de conservação do meio ambiente. Precisamos falar mais sobre a diminuição de resíduos sólidos, o lixo e, acima de tudo, precisamos agir mais. Esses assuntos precisam continuar nas escolas porque quando a criança escuta as orientações sobre como é importante cuidar do meio em que vive, ela passa a ser um agente transformador dos hábitos dos adultos. Como ambientalista agradeço principalmente a imprensa por ter sempre notícias sobre o meio ambiente, porque ele precisa estar em evidência, é um trabalho de persistência mas que já dá seus resultados e a natureza agradece.

 

O quê


ENTENDA A NOTÍCIA


O Cadastro Nacional de Museus registra mais de 3 mil instituições museológicas no Brasil, 44 delas no Nordeste. A região cearense dos Inhamuns, dentro do contexto, é reconhecida pela riqueza de seu sítio paleontológico.

 

SERVIÇO

 

Museu Regional dos Inhamuns

Onde: Rua José Gonçalves Oliveira, S/N

Entrada franca.

Outras informações: (88) 3437-2115

 

Saiba mais


Dolores Feitosa, provocada pelo O POVO, destaca a importância das parcerias para a Fundação manter seus projetos. A lista é extensa: secretarias de Cultura e Educação de Tauá, Sebrae, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Banco do Nordeste, Unicef, Funarte, Museu de Arqueologia do Xingó de Sergipe e Banco do Brasil. “Some-se a isso a força das pessoas que nos auxiliam, do nosso pessoal”, destaca ela.

 

Hérika Vale
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