Ester Barroso 30/03/2014

- A COMUNISTA -

Ester Barroso, educadora
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"Cheguei à conclusão de que o mundo não estava certo, eram incômodas as desigualdades. O que eu podia fazer para transformar? Isso me levou ao Partido Comunista. Uma jovem inquieta. Minha mãe não percebia, mas depois percebeu. As pessoas me viam nas passeatas. Naquele tempo era comentado ‘fulano é de esquerda’, ‘fulano é comunista’. O ano de 1963 foi de efervescência - passeatas de jovens, operários, trabalhadores. Eram reuniões, passeatas, militância na faculdade. Vivemos um momento de efervescência, que gerou esse movimento de massa.

Então, houve o golpe, o dia 31 de março de 1964 amanheceu com exército na rua para prender comunistas, havia começado a repressão. Eles entravam nas casas sem mandato. Acabei sendo a primeira mulher presa no Ceará. Em abril de 1964, fui fichada e passei uma semana presa. O golpe foi a anulação das liberdades. Qualquer pessoa suspeita de ser comunista era apanhada. Me soltaram, mas não tinha liberdade para nada. Fecharam sindicatos e o movimento de mulheres. E em 1968 veio o AI-5.

Em 1973, quase dez anos depois do golpe, ficou pior. Quando fui capturada pela segunda vez, me acusaram de estar no movimento das mulheres. Essa prisão foi a pior, já era casada. Fiquei em um cubículo onde havia uma pia e eu lavava o rosto. No escuro durante dois meses, dormindo no chão. Na última noite de tortura, havia um homem com um fuzil apontado para mim. Não chorei em nenhum momento. Era uma época em que não podíamos saber o nome verdadeiro das pessoas, apenas nome de guerra.

Foi quando me casei sem saber como se chamava meu marido, pois ele veio para Fortaleza e usava documentos falsos. Soube seu nome de verdade após anos. Estava tão insuportável a situação no País, que houve perda da receptividade internacional. Então, criaram uma lei para libertar quem havia sido preso até 60 dias, fui solta por isso. Mas, um ano depois, estava saindo da manicure e parou um fusca. Saíram dois homens e anunciaram ‘Tá presa’. Meu marido estava exilado. Meu irmão, Pádua Barroso, advogado, conseguiu me encontrar 11 da noite, enfrentou os policiais e assim fui solta logo. Faria tudo novamente, não me arrependo".

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