[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Sânzio do Ceará O POVO
Gênios da raça 09/11/2013

Sânzio do Ceará

A literatura cearense tem no professor Sânzio de Azevedo um missionário, um exemplo de intelectual que dedicou mais de trinta anos à pesquisa e à defesa da história (graças a ele, menos obscura) de nossas letras
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Alan Santiago alan@opovo.com.br
THIARA NOGUEIRA
Sânzio de Azevedo: "para eu estudar um autor, o atestado de óbito de ter pelo menos 50 anos", brinca
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Quando morou em São Paulo, entre 1959 e 1966, o professor Sânzio de Azevedo fez amizade com carteiro de nome incomum. Floreal D’Amore, um dia, convidou o cearense para acompanhá-lo num expediente de serviço pelas ruas de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.


“Quem é o poeta de Santo Amaro?”, instigava D’Amore aos moradores. E recebia como resposta: “Paulo Eiró”. A lembrança reiterada daquele poeta romântico que morreu afundado na loucura foi uma das centelhas para que Sânzio, ao voltar, se tornasse atualmente, aos 75 anos, um dos maiores pesquisadores da literatura produzida no Ceará.


Historiar para lembrar – especialmente daqueles que escreveram por aqui em fins do século 19, início do século 20, e sempre são esquecidos por seus conterrâneos. “Para eu estudar um autor, o atestado de óbito tem que ter pelo menos 50 anos”, brinca, sentado na sala de casa. Como diz Vinicius de Moraes, o tempo de Sânzio é quando.


Nas paredes, muitos livros, mas também pinturas do pai, o poeta e pintor Otacílio de Azevedo (1892-1978). Dele, herdou o gosto pelo desenho e pela poesia. Este último ampliado pelas missivas trocadas, aos 10 anos de idade, com Erico Verissimo; pela ajuda dos amigos da Academia dos Novos, como Carvalho Nogueira; e também pelas intensas leituras que o tempo em que foi revisor em O Estado de S.Paulo lhe proporcionou.


Nascido em Fortaleza, em janeiro de 1938, Rafael Sânzio de Azevedo é irmão do astrônomo Rubens de Azevedo e do diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), o memorialista Miguel ngelo de Azevedo, o Nirez. Na família, foram ao todo nove filhos, dos quais só chegou a conhecer outros três. Durante a infância, o menino Rafael, como era chamado, devorava revistas em quadrinhos, curtia os filmes de faroeste no cinema. Na adolescência, se reunia com os amigos para tocar violão. Chegou a compor uma valsa. “A primeira e única”, pontua.


Pesquisa

No quarto onde estuda, escreve e guarda exemplares raros do jornal O Pão ou o primeiro livro publicado por Antônio Sales (1868-1940), dois violões dormem, apoiados na parede. No mesmo espaço, os muitos retratos que Otacílio fez de poetas da terra. Um deles inacabado. Sânzio seguiu e voltou de São Paulo por necessidade – na ida, porque queria um emprego que só as megalópoles pareciam poder oferecer; na volta, porque uma saudade, dessas tão iguais e tão diferentes, lhe convocava de regresso, um retorno que poderíamos chamar de missionário em direção à literatura local.

 

Depois que terminou a faculdade, em 1972, logo se estabeleceu como professor da UFC no ano seguinte. Ensinaria, durante mais de 30 anos, as disciplinas de Literatura Cearense e Teoria do Verso. Antes, porém, em 1955, já havia rascunhado os passos que daria mais adiante no magistério. O pedagogo Lauro Oliveira Lima o convidou para dar aulas de história no Curso de Admissão ao ginásio.


Ele renega o título de crítico. Não quer a obrigação de emitir juízo de valor sobre obras em curso, de personalidades ainda vivas. Nas pesquisas, gosta dos detalhes, resguardado por uma memória prodigiosa. Em A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará (1983), fruto de seu doutorado, uma frase a princípio despretensiosa acabou levando-o à descoberta de que o simbolismo cearense está muito mais influenciado pelo movimento nascido na Europa – e não daquele vindo do sul do país.


São mais de 20 livros. Um punhado de poesia. O primeiro dessa lavra – Cantos de Longa Ausência (1966) – ganhou orelha do poeta Guilherme de Almeida que o saudava com “respeito” e “alegria”. Escreveria ainda Lanternas cor de aurora (2006). Sânzio, porém, tem pouca consideração por seus textos literários. Costuma lembrar-se deles sem conter um sorriso de desdém.


Após a aposentadoria definitiva da Universidade, em 2008, continua escrevendo a mão e aceitando os convites para falar de literatura. Está preparando um livro de reminiscências, em que relata o contato que teve ao longo da vida com homens de letras. É uma biografia enviesada. Leremos Sânzio nas entrelinhas.


Disponibilidade


Considero o Sânzio o pesquisador mais sério, mais importante da literatura cearense. Duas coisas que destaco em relação à personalidade dele é a seriedade e a disponibilidade para ajudar os amigos e tirar dúvidas. Ele tem uma grande credibilidade.

Pedro Salgueiro, 49, escritor e colunista do O POVO

 

Paixão por lecionar


Ele tinha paixão pela sala de aula. As disciplinas que lecionava eram geralmente optativas, e as aulas eram lotadas. A outra questão é o Sânzio escritor e estudioso da literatura. Só tenho a lastimar que um jovem de 70 anos, com tanto a contribuir, tenha que sair do serviço público.

Cid Ottoni, 60, professor de Literatura da UFC

 

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espaço do leitor
Humberto Severiano 10/11/2013 14:12
nome do filho livio de azevedo
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Humberto Severiano 10/11/2013 14:12
essa materia na ediçao impressa induz a um erro. ela diz que Sanzios e casou em 1992 e que nao tem filhos. so que eel foi casado antes e tem um filho Licviod e Azevedo
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