Alimento 09/03/2014

As inúmeras vantagens de manter uma horta em casa

Sair no quintal e colher o que vai para a mesa. Em Fortaleza, há quem tenha isso como realidade possível. Começar a cultivar muda a relação com comida. O POVO traz algumas dicas para quem quer começar
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Samaisa dos Anjos samaisa@opovo.com.br
FOTO: EDIMAR SOARES
Hugo Theophilo fez da entrada da casa, no bairro Mondubim, um canteiro de cheiros e sabores
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Há quem cultive pelo prazer do processo, outros pela urgência de prover uma alimentação livre de agrotóxicos para si e para a família. Há quem queira subverter as relações de consumo. Existem pessoas por aí que misturam tudo isso com terra, sementes, água, sol e fazem surgir hortas no quintal de casa, no espaço dedicado ao verde na varanda.


Em Fortaleza, muitos são os exemplos de quem saiu do comodismo, tentou, errou e insistiu até conseguir colher coentro, cebolinha, pimentão, tomate, alface, manjericão. Tudo plantado perto da cozinha, usado no cotidiano e compartilhado com outras pessoas.


Hugo Theophilo é uma dessas pessoas. Ele fez da entrada da casa, no bairro Mondubim, um canteiro de cheiros e sabores. E é desse espaço que saem as rúculas adoradas pelo filho Caio, de três anos, que cresce conhecendo todas as plantas e os gostos que elas levam à alimentação. Hugo comenta que cresceu vendo a mãe com algumas iniciativas quando a cidade ainda dispunha de casas e sítios. Adulto, a inquietação do próprio modo de vida o fez buscar alternativas.


Pesquisas, tentativas, planejamento, e a horta surgiu. Tudo intensificado com o nascimento do filho e a vontade de oferecer ao menino uma vivência diferente. “Ele tinha começado a andar e já vinha comigo, colocava água nas plantas, sabia o que era alface, cebolinha”, conta Hugo. Com a experiência, a ideia de compartilhar o conhecimento por meio de oficinas, que ainda acontecem uma vez ao mês e por meio do blog que leva seu nome.


Começar devagar

Segundo João Paulo Duarte Diniz, da empresa Alternativas Ambientais, algumas pessoas começam por modismo ou por achar interessante, fazem algo elaborado e depois percebem que a horta toma mais tempo e recursos do que esperavam. “A dica é começar pequeno e gastar o mínimo possível”, ensina, lembrando que o horticultor doméstico pode ampliar e investir mais depois de se familiarizar com o cultivo.

 

João Paulo, que já assessorou diversos projetos ambientais, explica que comer o que se produz é uma vivência diferente. “A satisfação em cuidar já é suficiente para muitos, mas quando o cultivo também dá o que colher e comer, a satisfação aumenta”, diz.


Na casa de Gerson Andrade, na Lagoa Redonda, a iniciativa da horta é recente, mas já nutre a família. Para ele, a possibilidade de ter uma comida mais limpa, sem agrotóxicos, poder consumir seu próprio alimento e ainda ter a parte do prazer em cuidar são fatores importantes nesse hábito. Alguns alimentos já não são comprados pela família, e o objetivo é chegar ao tempo de não mais precisar comprar. Para Gerson, o importante é não se desmotivar com os erros que surgem.


Os filhos de sete anos e de 10 meses já podem usufruir desse espaço e do que nele é cultivado. Segundo Gerson, Ravi, de sete anos, demonstra uma sensibilidade à alimentação saudável. Algo que, para o pai, deveria estar presente nas escolas. “Tem criança que tem dificuldade para comer verdura, mas quando ela cuida, vê, colhe, vai ter mais facilidade. É um trabalho que tem que ser iniciado”, analisou. Hugo, pai do Caio, de três anos, lembra que não se pode isolar o jardim da criança, mas fazer com que ela interaja, brinque de plantar.

 

Dicas


1. Comece com uma horta pequena.

 

2. Procure informações e dicas de pessoas que já cultivam, seja pessoalmente, seja por meio de blogs, cursos, vídeos.

 

3. Saiba que será necessário separar um tempo para cuidar da sua horta.

 

4. Analise seus profissionais e valorize cada um dentro de suas qualidades e individualidades, buscando sempre orienta-los para melhorar seu desempenho no trabalho, seja ele específico ou geral.

 

5. Conheça o local em que a horta ficará: como é a insolação, o espaço de organização.

 

6. Ao conhecer as possibilidades, planeje o que pode ser feito com o espaço, o tempo, as condições disponíveis. Idealizar os resultados pode frustrar o iniciante.

 

7. Escolher plantas que você goste ajuda a construir e manter o vínculo no início.

 

8. É possível comprar sementes, sementeiras, recipientes e material necessário para o início do cultivo em lojas de materiais de agricultura.

 

9. Produzir o próprio adubo por meio da compostagem do lixo orgânico produzido em casa é caminho indicado por quem tem experiência no cultivo.

 
10. Boas plantas para começar são: coentro, cebolinha, boldo, capim santo, citronela, manjericão, hortelã, erva cidreira, pimentas, tomate cereja, rúcula.

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