V&A LEU. 'CABO DE GUERRA' 22/08/2016

Livro de Ivone Benedetti mostra o cotidiano de informante da ditadura

Lançado pela editora Boitempo, livro de Ivone Benedetti mostra o cotidiano de um informante das forças militares. Trama é ambientada na São Paulo das décadas de 1960 e 1970
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Isabel Costa isabelcosta@opovo.com.br
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A escritora Ivone Benedetti foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2010

Nos anos de chumbo - quando os militares governavam o País e as pessoas saiam de casa para nunca mais voltar - um rapaz resolve se aventurar na floresta de concreto chamada São Paulo. Dos confins da Bahia, onde teve uma infância cheia de religiosidade e educação formal, ele parte em uma jornada rumo ao estranho. Ludibriado por um parente logo nos primeiros dias, o (pseudo) herói entra em uma vida quase miserável. Uma pensão suja, um emprego de garçom, uma namorada amorosa. Parece uma vida pacata na capital paulista dos anos 1960 e 1970.

 

Mas não é. O protagonista serve como uma espécie de “agente duplo” ao Regime Militar. Função que à época era denominada “cachorro”. Envolvido com movimentos revolucionários, ele realizava pequenas missões. Tudo acontece por força do acaso e não por convicção nos ideais. Ele mesmo não sabe explicar os porquês. Ao ser apanhado pelos militares, entretanto, ele logo entrega os “companheiros” e se torna informante ativo das forças de repressão.


Não por acaso, também, o livro é denominado Cabo de Guerra. A todo momento, o leitor é impelido por forças externas que insistem em dizer: não há heróis e não há vilões. As personalidades são dúbias, discordantes, extremas. Mérito da autora Ivone Benedetti -finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2010 e que já havia feito sucesso com Tenho Um Cavalo Alfaraz. Ela tem uma escrita tão sólida quanto os personagens que constrói. Da secretária amargurada ao coronel, da jovem revolucionária à beata pagadora de promessas.


O romance é narrado em primeira pessoa. Como desafio para o leitor estão as mudanças temporais. A mente desorganizada do protagonista navega entre os acontecimentos do período militar, lapsos da infância e da atualidade, quando está prostrado em uma cama aos cuidados da irmã. Ivone realiza um trabalho de escrita primoroso ao completar todos os arcos temporais e oferecer ao leitor personagens substanciais. É encantador observar como as pessoas passam pela vida do protagonista engatinhando ações e situações futuras.


Cabo de Guerra também é um convite a quem deseja mergulhar na capital paulista das décadas de 1960 e 1970. Benedetti realizou um trabalho delicado ao transpor locais, ruas, fachadas e pontos de ônibus. Mergulhamos no modo de vida de outra São Paulo - com o trânsito já caótico, o transporte público ineficiente, as passeatas e os botequins. A autora pinta vários quadros que transbordam ao longo das 304 páginas do livro, demonstrando segurança na construção textual.
 

Serviço

 

Cabo de Guerra, de Ivone Benedetti

304 páginas

Preço: R$ 54

Editora Boitempo


"A todo momento, o leitor é impelido por forças externas que insistem em dizer: não há heróis e não há vilões. As personalidades são dúbias, discordantes, extremas "

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