[an error occurred while processing this directive] Naná Vasconcelos silencia seus tambores | O POVO
LUTO. PERCUSSÃO 10/03/2016

Naná Vasconcelos silencia seus tambores

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OTAVIO DE SOUZA/DIVULGAÇÃO
Reconhecido como um dos mais importantes músicos brasileiros, o percussionista Naná Vasconcelos faleceu na manhã de ontem vítima de um câncer de pulmão descoberto em 2015


Um dos principais nomes da percussão no Brasil, Naná Vasconcelos deixou “tambores silenciosos” no Brasil nesta quarta-feira, 9, disse João Barone, baterista da banda Paralamas do Sucesso, pelo Twitter.


O músico pernambucano morreu aos 71 anos em Recife, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele lutava contra um câncer de pulmão, descoberto em agosto de 2015. A notícia mobilizou artistas e políticos.


“’Minha maneira de pensar música vai continuar viva depois de mim’. Descanse em paz, querido”, escreveu Gilberto Gil, parafraseando o percussionista, com quem trabalhou na produção artística do festival PercPan na década de 1990.


Em nota, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que Naná foi um dos maiores do mundo em seu campo musical e “nos ensinou a ouvir o Brasil”. “Ele nos trouxe de volta um País profundo, refugiado em nossas memórias de infância. Toda a sua obra como artista está impregnada de referências que são parte essencial do nosso modo de ser e de sentir”, escreveu.


O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), também divulgaram comunicados lamentando a morte do artista. “Naná era um gênio, um autodidata que, com sua percussão inventiva e contagiante, conquistou as ruas, os teatros, as academias”, afirmou Câmara.


“Ele conseguiu ser do mundo inteiro, e nos levar a todos os cantos, como artista universal, sendo também, ao mesmo tempo, um dos mais locais entre os pernambucanos geniais”, disse Julio. CARREIRA


Juvenal de Holanda Vasconcelos nasceu no Recife, em 1944, mas começou sua carreira quando se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar com Milton Nascimento, com quem gravou dois LPs, na década de 1960.


Em 1970, quando Gato Barbieri, saxofonista argentino, o convidou para fazer parte do seu grupo, o percussionista começou uma longa carreira fora do Brasil e ganhou projeção internacional. Acabada a turnê, Naná foi morar em Paris, onde gravou Africadeus (1971), seu primeiro trabalho. Em 1972, gravou Amazonas e deu início a uma parceria com Egberto Gismonti, que durou oito anos e três álbuns.


A partir daí, foi para Nova York, formou o grupo Codona com Don Cherry e Colin Walcott, gravou com B.B. King, Talking Heads e Jean-Luc Ponty e fez turnê com o guitarrista Pat Matheny.


Nos anos 1980, quando passou a ser mais presente no cenário nacional, trabalhou com nomes como Caetano Veloso, Mundo Livre S/A e Marisa Monte.


O pernambucano foi eleito oito vezes melhor percussionista do mundo e venceu oito prêmios Grammy. Ele tinha entre seus fãs o cineasta italiano Bernardo Bertolucci.


“O principal legado que ele deixou foi o de ser um grande valorizador da cultura negra, da percussão brasileira, da dança e de todas as influências afro-brasileiras”, analisa o músico Pantico Rocha. Para o cearense, que assistiu inúmeras vezes e gravou com Naná, o pernambucano foi fundamental para a conscientização da música brasileira.


O percussionista Hoto Júnior completa afirmando que Naná foi diferentes dos outros músicos desde que começou a tocar. “Ele usava muita percussão corporal, e isso pros gringos era uma coisa que não existia na década de 1970“, explica o cearense assumindo a influência que recebeu. “Posso dizer que sou percussionista porque, quando era criança, vi o Naná se apresentar. Assisti a um show na TV, eu tinha uns seis ou sete anos e ele fazia efeitos com a voz, com a banda inteira parada vendo o cara fugindo de tudo o que é normal, totalmente fora do contexto, construindo a carreira e a identidade musical dele”.


Veja entrevistas com Naná Vasconcelos publicadas no O POVO







 

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