[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Adeus a Zanazanan | O POVO
LUTO. ARTES VISUAIS 05/06/2015

Adeus a Zanazanan

O artista plástico cearense faleceu na noite da última quarta-feira, 3, véspera de seu aniversário
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RODRIGO CARVALHO
Zanazanan em entrevista ao O POVO em junho de 2008
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Na véspera de seu aniversário de 43 anos, faleceu o artista plástico Francisco Zanazanan. Desde o dia 22 de maio ele estava internado no Hospital Geral de Fortaleza, onde tratava um quadro grave de histoplasmose, doença causada por um fungo encontrado em fezes de pássaros e morcegos. Um dos principais nomes da arte contemporânea cearense se foi na noite da última quarta-feira, 3, após comprometimento dos pulmões e do fígado. O corpo foi sepultado na manhã de ontem, no cemitério São João Batista.


Francisco Zanazanan ficou conhecido no cenário artístico do Ceará em 1992, ao ser premiado no Salão dos Novos, evento que revelava talentos das artes plásticas no Estado. Aos 20 anos, autodidata, o fortalezense que morava em Caucaia - endereço que manteve até o fim da vida - e não tinha qualquer histórico familiar ligado à arte (o pai era policial militar e a mãe, merendeira), surpreendeu o júri e o público com relevos em madeira pintada. A obra, ele mesmo descreveu em seu blog, causou impacto não apenas pela forma, “toscamente recortada”, mas também pelos grafismos inscritos.


Irmão mais velho de Zara, Marjorie e Christopher, os dois últimos tiveram os nomes escolhidos por ele, Zanazanan era muito ligado à mãe. “Ele era doido por ela e ela por ele”, lembra Zara, contando que após a perda materna, anos atrás, ele se recolheu. Ultimamente, ele voltara a produzir e planejava, para o próximo semestre, um livro e uma exposição.


É da mãe que Zara aponta a veia artística do irmão, já que a vocação para a arte “era só dele”, diz. “Ela era muito criativa, acho que ele puxou isso”, diz. Nos últimos tempos, Zara quem cuidou do artista. “Ele morava só e vinha se cuidando pouco, comendo mal, daí ocorreu uma infecção. Numa pessoa com imunidade boa, saudável, (a histoplasmose) não teria causado tanto estrago. Antes de internar, ele foi pra minha casa, pensava que estava com uma virose“, conta ela.


Impacto da obra

A bailarina Silvia Moura, amiga de Zanazanan havia mais de 20 anos, recorda o impacto da estreia do artista em 1992. “Ele meio que mexeu com a estrutura daquela época. As artes plásticas no Ceará foram questionadas. Foi um chacoalhaço”, lembra. No mesmo ano, ele recebe o prêmio de viagem Juventude Ecológica, do Instituto Equatorial de Cultura Contemporânea, em que participou de preparatória para a histórica Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento, ECO 92, no Rio de Janeiro.

 

Vindo de uma família simples, Silvia enfatiza que Zanazanan usava a falta de dinheiro a favor de sua arte. “As primeiras obras eram coisas bastante instigantes justamente por isso, porque ele não tinha recursos, então tinha ideias maravilhosas de como realizar”, observa ela, que falava cotidianamente com o artista conhecido por seu talento e pela personalidade forte. “Ele não era uma pessoa bajuladora, não fazia lobby, pelo contrário. Ele só entrava numa exposição por mérito”, sublinha a amiga. “Meu irmão era muito generoso”, ressalva Zara.


Entre as mostras competitivas mais importantes fora do Ceará, ele foi premiado na Arte Pará (1996 e 1998) e no Salão da Bahia (1999 e 2004). Foi também um dos selecionados para o programa Rumos Artes Visuais, do Itaú Cultural, em 1999. Por sete edições, entre os anos de 1996 e 2007, recebeu premiações do Salão de Abril da capital cearense. Na edição de 2013, comemorativa dos 70 anos do evento mais importante das artes plásticas no Estado, ele foi um dos sete artistas homenageados na mostra especial 70x7.


O diretor do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), Bitu Cassundé, ressalta que Zanazanan era um artista que “articulava com maestria a forma, aliado a uma pesquisa que unia luz, movimento e efeitos óticos, que capturava o espectador como um agente ativo desses elementos”. Ultimamente, ele desenvolvia pesquisa com diversas linguagens, como poesia, video-arte e ciência aplicada em física ótica. (Raphaelle Batista)

 

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