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80 ANOS 23/03/2015

Escritor Horácio Dídimo completa 80 anos

Sinônimo de literatura infantil no Ceará, o professor Horácio Dídimo completa hoje 80 anos de uma vida dedicada às letras. Na próxima sexta, 27, ele lança o 40º livro de sua carreira
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André Bloc andrebloc@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA
Horácio Dídimo: "literatura infantil, para mim, não é um gênero literário, mas um modo de fazer poesia"
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Mesmo passados quase dez anos desde a aposentadoria do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor, poeta, escritor infantil e ensaísta cearense Horácio Dídimo ainda conjuga o verbo “ensinar” a cada frase. Com 80 anos completos hoje, o mestre da literatura para crianças se prepara para o lançamento de A Estrela Azul da Fé e da Poesia, 40º livro de uma carreira dividida em partes iguais entre a poesia e a literatura infantil. “A poesia sempre tem um sentido lúcido e um sentido lúdico. O lúdico é o da brincadeira. O lúcido é o do sentido, do aprendizado. Assim também é a literatura infantil”, ensina o escritor, unindo em uma só construção as duas paixões da sua escrita.

 

A programação de aniversário começa às 19 horas, no Espaço O POVO de Cultura & Arte, onde o professor e poeta faz o lançamento da nova obra, além de participar do sarau poético em sua homenagem. O momento prevê leitura de poesias , apresentação de poemas e uma conversa com os presentes sobre a obra do escritor, que conta 13 livros infantis – sete deles publicados pelas Edições Demócrito Rocha.


Aos 80 anos – ou melhor 79 anos e 361 dias, quando recebeu a reportagem em sua casa, na Parquelândia –, Horácio receber as visitas na porta de casa, brilha os olhos ao falar dos netos e se derrete ao lembrar dos livros dedicados a Evendina, companheira de longa data.


O sorriso tímido de orgulhos também surge ao falar da docência e, em especial, da criação da disciplina de Literatura Infantil na graduação e pós-graduação no curso de Letras da UFC, em 1979. “Quem criou, na verdade, fui eu. Ela já existia em algumas universidades no Brasil, mas não na nossa (UFC). Na graduação, houve o interesse no curso de Biblioteconomia, até Psicologia, Pedagogia”, lembra em sua fala sempre didática.


Apesar do nome ligado ao curso de Letras da UFC e à Literatura Infantil, Horácio defende que toda a carreira foi dedicada a uma arte mais específica: a poesia. “Tudo que escrevi está ligado à poesia. A literatura infantil, para mim, não é um gênero literário, mas um modo de fazer poesia”, ensina. Foi como poeta que Horácio puxou a fila da carreira acadêmica, se formando em Letras (UFC), Direito (UERJ), com mestrado em Literatura Brasileira (UFPB). A literatura infantil é recheada de uma musicalidade poética contagiante, enquanto os ensaios – até mesmo os mais acadêmicos -, viajam pelo circuito do que Horácio denomina “noemas”, os poemas do pensamento.


O assunto preferido de Horácio Dídimo, no entanto, é imutável desde a década de 1940: Monteiro Lobato. O escritor paulista foi tema de Ficções Lobatianas: Dona Aranha e as Seis Aranhinhas no Sítio do Picapau Amarelo, tese de doutorado de Horácio em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Acho que, se tivesse escrito em inglês, por exemplo, o Monteiro Lobato seria considerado um dos grandes escritores do mundo. Todos os melhores escritores de literatura infantil devem muito a Monteiro Lobato”, defende. De acordo com o poeta, a lembrança mais tenra da infância é a de receber os novos livros do escritor infantil a medida em que eram lançados. A morte de Monteiro Lobato, em 1948, foi como perder um parente, revela.


Aos 80 anos, o mestre segue produzindo. “Escrever nunca foi difícil para mim. As ideias vão aparecendo e eu vou transformando em uma poesia que fica guardada até o momento em que eu vejo que ela está pronta para ir para um livro”, explica. Foi assim que Horácio fez sua defesa da arte de escrever para a infância e acabou entrando para a Academia Cearense de Letras, Academia Cearense da Língua Portuguesa e virou membro correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris (Salvador-BA), alguns de seus orgulhos.


Horácio promete seguir escrevendo “até quando der”, tentando encantar adultos e crianças com poesia e simplicidade – os segredos que aprendeu com Monteiro Lobato.


POESIA

 

A Viagem

Viajo pelo tempo e pelo espaço

Profundamente, mas sem rumo certo

E vou gravando tudo num retrato

Feito de vozes e pequenos gestos

Talvez de adeuses e pequenos restos

De tudo o que se foi, mas não passou

Porque reviverá na grande festa

Dos que se libertarem pelo amor

Há uma estrela azul que me orienta

Nesta viagem que atravessa o espaço

E que rompe as barreiras deste tempo:


Estrela que ilumina e que apascenta

Que mostra o dom da fé em seu abraço

E o reino da poesia face a face.


Soneto A Viagem, publicado originalmente em A Nave de Prata (1991)


SERVIÇO

 

Horácio Dídimo 80 anos

O quê: Sarau Poético, com lançamento do livro A Estrela Azul da Fé e da Poesia

Quando: sexta-feira, 27, às 19h

Onde: Espaço O POVO de Cultura & Arte (Av. Aguanambi, 282 – José Bonifácio)

Estacionamento gratuito ao lado do jornal O POVO

Preço do livro: R$ 20

Entrada gratuita.

Telefone: 3255.6037

 

> TAGS: literatura
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espaço do leitor
Patrício De Sousa Almeida 24/03/2015 09:43
Prof. Horácio Dídimo, tive o prazer de ser seu aluno, nos idos de 1970. Minha veia poética, mesmo não caminhando pela linha poética dele, teve inspiração nas suas poesias. TIJOLO DE BARRO, inesquecível. PATRÍCIO ALMEIDA
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