[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Um dia no Barracão da Unidos do Acaracuzinho | O POVO
ESCOLA DE SAMBA. FANTASIAS E ALEGORIAS 03/02/2015

Um dia no Barracão da Unidos do Acaracuzinho

Mesmo nunca tendo assistido a um desfile de escola de samba ao vivo, participar dos preparativos da Unidos do Acaracuzinho foi uma grande experiência para a repórter do Vida & Arte
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Raphaelle Batista raphaellebatista@opovo.com.br
CHICO ALENCAR/ESPECIAL PARA O POVO
A jornalista Raphaelle Batista em ação no barracão da escola: colou adereços nas bordas das fantasias e recortou moldes da face do boi
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Confesso: nunca fui à avenida Domingos Olímpio para ver o desfile das escolas de samba. Minha referência sempre foi a Sapucaí. Ainda que pela tevê. Quando pensava no Carnaval de Fortaleza, lembrava dos maracatus, do Sanatório Geral. Bateria mesmo, só a dos blocos da Praia de Iracema.


Mas o diverso Carnaval de Fortaleza inclui também Comissão de frente, Ala das Baianas e um enorme esforço coletivo ansioso por se transformar em vitória. Pelo capricho em cada detalhe, deve ser desfile bonito de se ver. Foi o que senti quando conheci o barracão da Unidos do Acaracuzinho, campeã de 14 carnavais na capital cearense.


Passei a manhã da terça-feira, 27, na semana passada, com parte dos funcionários que se revezam desde o começo de janeiro, todo santo dia, das 8h às 23 horas, para fazer acontecer a festa na avenida. Nos finais de semana, é a vez dos voluntários.


Nascida como bloco em 1984 e transformada em escola dez anos depois, a agremiação leva o nome do bairro de Maracanaú, na Região Metropolitana, onde tudo começou. É lá, na rua 114, nos fundos de uma casa comum que, aos poucos, vão surgindo os quatro carros alegóricos do desfile e as fantasias para pelo menos 500 integrantes divididos em 14 alas, incluindo a bateria.


O endereço é de seu Raimundo Valdelirio, o fundador da escola e marido de dona Teresa, a dona da casa que já não “brinca” mais Carnaval por causa da saúde, mas que recebe todo mundo de portas abertas.


Chego acanhada, com medo da tarefa que vão me dar, já que não sou boa de samba, nem tenho lá muito talento com tesouras e pincéis. Clésia Marinho, a carnavalesca da Unidos do Acaracuzinho, me recebe. Naquele dia, pleno horário comercial, seu Raimundo dava expediente como servidor público e sua filha Gerúsia, a atual presidente da escola, resolvia pendências burocráticas da agremiação num cartório próximo.


Clésia é uma morena bonita de olhos pequenos, que só descubro com algum tempo de prosa, quando ela tira os óculos escuros quase num gesto de confiança. Conversa vai, conversa vem, ela diz que a inspiração, é claro, vem do Rio de Janeiro. Feito eu, ela nunca foi à Sapucaí. “Só queria respirar o mesmo ar do Paulo Barros”, solta, referindo-se ao carnavalesco mais famoso do Carnaval carioca.


Antes de me passar as coordenadas, meio desconfiada de que eu ajudaria mesmo em alguma coisa, ela trata de me explicar o tema do desfile deste ano, “Festa do boi - Lenda viva do folclore brasileiro”. Era preciso entender a história para entrar no clima do Carnaval que a escola levará à avenida. O som ambiente, porém, era o funk de Anitta. Os sambas-enredo de anos anteriores só passaram a tocar depois e o de 2015 ainda será gravado.


Mais familiarizada com o desfile, Clésia me deu a missão menos comprometedora para a escola: colar adereços nas bordas das saias dos passistas. “Fácil”, pensei. Só não contava com a astúcia da cola quente. Pontas dos dedos queimadas e uns cinco minutos depois, lá estava mais uma fita colorida, de três, esperando ser pregada. Suspiro.


A beleza das fantasias, mais que habilidade artística, depende mesmo é da paciência de quem cola lantejoula por lantejoula, fitinha atrás de fitinha, uma a uma, num processo digno de uma artesã como Clésia, que ainda acha tempo pra ser costureira. A tarefa seguinte foi fazer um dos moldes da face do boi, que está em tudo, das fantasias à frente de uma das alegorias.


Enquanto cortar o rosto do bicho rente ao papelão era um esforço pra mim, José Augusto ia escorrendo a tesoura com habilidade. Na Unidos do Acaracuzinho desde a infância, quando saía na Ala das Crianças, hoje com 24 anos ele toca surdo na bateria e ajuda nos preparativos do desfile todos anos.Seu Didi, ou Francisco José Araújo, é outro que está na escola desde os tempos de bloco. Empurra os carros alegóricos na avenida e não larga o barracão durante os meses que antecedem o grande dia. É assim também com Ênio Marques, o coreógrafo da comissão de frente e com quem mais chegar.


No barracão da Unidos do Acaracuzinho e no de tantas outras escolas de samba, o Carnaval já começou, feito de muitos nomes e mãos. Gente que vira as noites de folia trabalhando, mas esquece o cansaço para se travestir de alegria quando se anuncia o desfile. É que pra fazer o Carnaval, comprovei, é preciso arregaçar as mangas mas também manter o sorriso.


WEBDOC

 

Um dia no barracão em imagens

O registro audiovisual do dia no barracão da repórter Raphaelle Batistaestá disponível no portal O POVO Online (www.opovo.com.br/videos). O vídeo tem fotografia de Chico Alencar; depoimento de Raphaelle, edição de Renato Ferreira e coordenação de Émerson Maranhão.




 

SERVIÇO

 

Desfile das escolas de samba

Quando: Terça-feira de Carnaval, 17 de fevereiro, a partir das 19h40min

Onde: Avenida Domingos Olímpio

Entrada franca.


SAIBA MAIS

 

Escolas de samba na Domingos Olímpio

 

Embora desfile no Carnaval de Fortaleza, a Unidos do Acaracuzinho só recebe apoio financeiro da Prefeitura de Maracanaú.

As demais agremiações recebem recurso da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), via edital.


Este ano, desfilarão na avenida Domingos Olímpio as escolas de samba:

Mocidade Bela Vista

Unidos do Acaracuzinho

Imperadores da Parquelândia

Corte do Samba

Girassol de Iracema

Colibri

Tradição da Bela Vista

 

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