[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Encontrados manuscritos inéditos de Décio Pignatari | O POVO
Tradução 03/12/2013

Encontrados manuscritos inéditos de Décio Pignatari

Achados de Décio Pignatari, poeta concreto (e ateu), incluem tradução de Confissões de Santo Agostinho. Material será catalogado e publicado
DIVULGAÇÃO
Décio Pignatari: o poeta ateu, conhecido por sua ironia, traduziu o doutor da Igreja Católica Santo Agostinho
Compartilhar


Três anos antes de morrer, aos 85 anos, em 2 de dezembro do ano passado, vítima de Alzheimer, o poeta concreto Décio Pignatari começou a traduzir as Confissões de Santo Agostinho. Não é tanto a tradução que surpreende. Pois Pignatari traduziu Dante, Shakespeare e Goethe, entre outros da literatura universal.


Surpreende, sim, o fato de um poeta ateu, conhecido por sua ironia, traduzir um doutor da Igreja Católica marcado inicialmente pelo neoplatonismo e que, convertido, deu seu dinheiro aos pobres após viver uma vida dissoluta. O que teria aproximado Décio Pignatari da primeira autobiografia de que se tem notícia, escrita por um filho de berberes do Norte da África? A sedução pelo paganismo e os prazeres do corpo ou sua conversão ao cristianismo?


Difícil saber. Nem mesmo o filho do poeta, Dante Pignatari, pianista erudito e inventariante, arriscaria uma resposta. Ele encontrou a página com a tradução de Agostinho perdida em meio a manuscritos que trazem outros textos inéditos, entre os quais uma peça teatral, a segunda escrita pelo autor do mais conhecido poema concreto da história, “Beba Coca Cola” (1957), em que subverte o slogan do popular refrigerante ao alterar fonemas e formar novas palavras - a última delas , “cloaca”.


Décio formou ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos o trio de poetas mais conhecidos do movimento de vanguarda que, simultaneamente, na Suíça e Brasil, nos anos 1950, fez da experimentação linguística e visual sua mola propulsora. Com eles publicou, em 1955, a revista Noigrandes, que tratava, entre outros temas, da comunicação não-verbal (embora sem abdicar da palavra). Tantos os irmãos Campos como Décio Pignatari sempre se dedicaram à tradução de poetas pouco conhecidos ou lidos no Brasil, concretos ou não, além de produzir obras de referência no campo da teoria literária.


Cartas inéditas

Até por isso, Pignatari trocou cartas com importantes filósofos, ensaístas e linguistas europeus, entre eles o escritor italiano Umberto Eco e o linguista russo Roman Jakobson (1896-1982), pioneiro na análise estrutural da poesia, tendo assinado ensaios sobre a obra de Fernando Pessoa e Brecht. A caixa de correspondência do poeta tem também cartas da poeta carioca Cecília Meireles. O material está sendo analisado pelo filho Dante e poderá ser publicado após catalogação. Outra surpresa para Dante foi encontrar os manuscritos de um diário escrito quando seu pai estava morando temporariamente em Ferrara, em 2000. “Nunca imaginei sequer que ele tivesse um diário”, diz.

 

Alguns lugares na Europa - e especialmente Ferrara, terra natal de Antonioni - exerciam enorme fascínio sobre Pignatari. Ele estava morando lá, em 2007, quando escreveu a peça Nísia -Viagem Magnética, a pouco conhecida história de Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810-1885), educadora e poeta popular do Rio Grande do Norte. Na primeira peça, Céu de Lona, nunca montada, ele toca em outro ponto polêmico: o casamento interracial e a conflituosa relação de Machado de Assis.


“Nos últimos tempos, antes do Alzheimer, ele se mostrava muito interessado nos românticos”, revela o filho Dante, também ele um entusiasta do período, sendo autor de uma tese sobre o compositor cearense Alberto Nepomuceno. “Tínhamos uma paixão compartilhada, pois meu pai chegou a escrever sobre Chopin”. Esse e outros escritos, publicados em livros já fora de catálogo, deverão ter novas edições pela Ateliê de Textos.” Os primeiros títulos serão O Rosto da Memória, publicado pela Brasiliense em 1986, e Panteros, que a Editora 34 lançou em 1982”.


Dante coletou também crônicas de futebol que o poeta escreveu em 1965. Conseguiu encontrar quase todas as 27 escritas para um periódico paulista pelo pai. Décio Pignatari deixou mais de 20 livros, o primeiro deles Carrossel, de 1950, e o último, Bili com Limão Verde na Mão, infanto-juvenil lançado pelaCosac Naify em 2009, a epifania de uma menina que empresta seu nome à obra. (Agência Estado)

 

Compartilhar
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor:
  • Em Breve

    Ofertas incríveis para você

    Aguarde

Erro ao renderizar o portlet: Caixa Jornal De Hoje

Erro: [Errno 13] Permission denied: u'/home/presslab/public_html/ns142/arquivos/imgs/capas/2018-11-20_capa_populares_prez-61-77.jpg_tmp'

ACOMPANHE O POVO NAS REDES SOCIAIS

O POVO Entretenimento | Vida & Arte