financiamento 29/09/2013

Quanto custa a animação

OS PROFISSIONAIS que trabalham com animação em Fortaleza buscam estratégias diversas para financiar seus filmes - do crowdfunding aos editais
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O discurso parece seguir uma tônica comum: o momento para a animação no Ceará nunca esteve tão propício. O que não quer dizer que sempre foi assim, muito menos que esteja próximo de um cenário ideal. Até bem pouco tempo, a seara da animação no Ceará era marcada pela escassez de equipamentos e pela falta de cursos específicos e oportunidades de trabalho.

 

Na Secretaria da Cultura do Estado (Secult), o incentivo à animação pode ser feito via Edital de Cinema e Vídeo. Coordenado pelo Sistema Estadual de Cultura (Siec), o prêmio aceita produções em animação, mas artistas criticam que há pelo menos seis anos nenhuma animação é premiada.

 

O cearense Diego Akel, desde 2002, viaja ministrando oficinas e palestrando em eventos da área. Nestes encontros, ele conta, a questão do financiamento à produção em animação é assunto recorrente.

 

O ilustrador, no entanto, considera a política de editais ultrapassada, porque não acompanha os modelos de financiamento que estão despontando em outros centros. “Nem o edital valoriza, nem tem pessoas competentes para julgar os projetos”, critica.

 

Ele aponta que um cenário ideal seria inscrever filmes em editais que priorizassem não o projeto, mas o artista. Diego tem visto muitos profissionais partirem para o financiamento coletivo - o crowdfunding -, método em que ele ainda não se aventurou. Por enquanto, segue bancando os próprios curtas.

 

“Faço nas condições que tenho, uma coisa ou outra pago do meu bolso e esses trabalhos vão chamando outros. Os que não são comerciais, acabam entrando em festivais, então você vai criando o ambiente ideal”, afirma Akel.

 

Custear os próprios filmes é uma realidade comum a muitos. O diretor de animação e professor da UFC, Neil Rezende Armstrong, já venceu por dois anos consecutivos o edital de audiovisual da Secult, mas optou pelo autofinanciamento diante dos contratempos impostos pelo prêmio estadual.

 

“Primeiro que você apresentar o storyboard na inscrição é injusto, porque storyboard de 15 minutos de animação são pelo menos 60 páginas de desenho. Imagina um longa de animação, se torna inviável”, avalia Rezende, autor do curta Corra Rolla Corra.

Apoio
O coordenador do Sistema Estadual de Cultura (Siec), José Caminha, justifica que, desde o ano passado, o Edital de Cinema e Vídeo é concebido de forma participativa, junto ao Fórum Cearense do Audiovisual. Ele reconhece que o prêmio teve problemas no passado, mas nenhum relacionado à animação. “Não houve reclamação de nenhuma natureza que fosse contra os termos do edital para a animação”, defende Caminha. O coordenador informou que até o fim de setembro a Secult deve convocar o Fórum do Audiovisual para avaliar o edital passado e, se for o caso, propor alterações ao texto do próximo prêmio. “Estamos empenhados em lançar o XXI Edital de Cinema e Vídeo até outubro deste ano”.

 

Em âmbito municipal, o apoio ao cinema de animação pode ser feito pelo Edital das Artes ou pelo recente Edital de Residências e Intercâmbios, da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Lenildo Gomes, coordenador de Criação e Fomento da secretaria, informa que além da Escola de Audiovisual da Vila das Artes, a Secultfor oferece cursos de desenho na Biblioteca Municipal Dolor Barreira em parceria com o Fórum de Quadrinhos do Ceará. Ele diz que a banca de jurados do Edital das Artes é plural. Em seu histórico, premiou apenas um projeto de animação: o curta Almadia, de Telmo Carvalho, em andamento. “Estamos esperando encerrar as inscrições do edital de Residências (com inscrições abertas até amanhã, 30). Dependendo do número e da qualidade dos projetos de animação, colocamos alguém da área na banca”. (Elisa Parente)

 

Bate-pronto

 

OPOVO - O Anima Mundi é realizado há 21 anos. Qual o desafio de manter um evento como este?
Marcos Magalhães - O festival foi pensado para cumprir uma missão: fazer crescer o mercado de animação no Brasil, valorizar a linguagem e torná-la mais acessível ao público. E a adesão foi imediata. Com o tempo, o mercado surgiu.

OP - Qual o impacto da tecnologia?
Marcos - Antigamente, era obstáculo, porque equipamento era muito caro. Hoje, com um bom computador, ou até mesmo um tablet, você consegue fazer animação. Isso incentiva muito a criatividade. E este é o desafio: ser original, se apropriando dos recursos tecnológicos. A cada ano a gente se surpreende com a quantidade de elementos usados: vai de sangue, gesso raspado, café... Aliando isso à tecnologia, é possível desenvolver trabalhos incríveis.

OP - Os cursos de animação no País vêm acompanhando as demandas de mercado?
Marcos - Os jovens me perguntam muito como estudar animação para se tornar profissional. Ainda não vejo um caminho muito seguro. Costumo sugerir que façam como fiz quando jovem: correr atrás, se possível sair do país, mas sempre voltar.

OP - Você é otimista quanto ao futuro da animação no Brasil?
Marcos - Pouca gente compreende que a animação é algo que é além do cinema. O cinema veio depois, é um subproduto da animação. Mas sou otimista, estamos num momento muito bom, com muitos filmes premiados.

 

Marcos Magalhães, diretor do Festival Anima Mundi.

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espaço do leitor
Mariana Medina 29/09/2013 23:13
Só uma pequena correção, que ficou um pouco confuso: O filme Almadia, de Telmo Carvalho, não ganhou o prêmio do Edital da Secult. Apenas da Secultfor, 20 mil. Os 47 mil da Secult foram através do FEC, que foram aprovados e não recebidos.
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Neil Rezende 29/09/2013 21:45
Pelo edital, os candidatos premiados em um ano não podem nem concorrer no ano seguinte. Neste caso eu não teria como ganhar dois anos consecutivos, nem deixar o prêmio de lado para fazer independente, pois o prêmio é fundamental para a construção mais bem elaborada de uma obra audiovisual.
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Carol Vieira 29/09/2013 15:53
O fato é que precisamos sim fortalecer o Fórum Cearense de Audiovisual.É bom saber que a Secult está interessada em retomar os diálogos. Se estamos no mesmo barco, devemos focar às questões centrais do debate, enxergar além do assistencialismo .gov, evitando interpretações levianas sobre o processo.
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Carol Vieira 29/09/2013 15:45
O storyboard tem sido exigido até o IX Edital de Cinema. Apenas no X Edital essa obrigatoriedade caiu, por pedidos SIM da categoria. O também implica dizer que foram alguns anos no prejuízo, pelo visto.
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Carol Vieira 29/09/2013 15:40
O que se coloca é que em modalidades principais do edital, como o de longa, não se premia animação a um longo tempo, indo como contraponto ao que se coloca no ponto 7.7 do edital que diz que para LONGA as obras devem ser ou ficção, ou doc, ou animação.Fazem anos que não saem premiados nessa modalide
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