[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Militância criativa | O POVO
Intervenção 03/04/2013

Militância criativa

Na semana em a Ditadura Militar no Brasil completa 49 anos de sua instituição, o Coletivo Aparecidos Políticos realiza atos na Cidade para refletir sobre um passado ainda latente nos dias de hoje
Camila Garcia
Ato abaixo do Mausoléu Castelo Branco: barquinhos de papel levam imagem de desaparecidos políticos
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As dores e o peso da Ditadura Militar não podem ser esquecidos. “Se não há justiça, há escracho!”, decide a frase-manifesto, estampada em tinta e bradada por militantes que, em diversos países da América Latina, agem para chamar atenção da população e do poder público para os crimes ocorridos durante o regime. Na semana em que se completam 49 anos da instituição do Golpe Militar no Brasil, o coletivo Aparecidos Políticos realiza uma série de atividades em Fortaleza, que tiveram início na segunda, 1º, e se estendem até amanhã, 4.


O objetivo é chamar atenção para os crimes ocorridos e que permanecem esquecidos nos “porões” da ditadura. Debater sobre os espaços de memória da cidade, cobrar ações do poder público de suporte às vítimas e mais transparência e efetividade da Comissão Nacional da Verdade (CNV) são também foco da programação.


Para intercambiar experiências e relatos, o Coletivo Aparecidos Políticos, que realiza o evento, convidou o Grupo de Arte Callejero (GAC), de Buenos Aires, para uma mini residência na Capital. O projeto foi contemplado pelo IV Edital de Concurso Público Leonilson de Artes Visuais (Categoria Pesquisa e Produção) da Secretaria Municipal de Cultura (Secultfor) e resultará também na ida do grupo cearense para a segunda fase do projeto na Argentina.


A agenda teve início na última segunda, 1º, com o lançamento do Dossiê Ditaduras na América Latina e a realização de mesa sobre as Comissões Universitárias da Verdade UFC/UECE. Um ato no prédio do Palácio da Abolição, o Mausoléu Castelo Branco, levou militantes presos no Ceará durante o período da ditadura, parentes de desaparecidos e estudantes a equilibrar nas águas da cascata barquinhos com fotos de desaparecidos políticos.


Hoje, às 17 horas, a programação segue na Universidade Estadual do Ceará (UECE/Itaperi), onde será realizada a mesa “A Comissão Nacional da Verdade: limites e perspectivas”, e, às 19 horas, a exibição e debate do filme Operação Condor. Amanhã, 4, a videoteca da Universidade de Fortaleza (Unifor), exibe registros dos coletivos cearense e argentino, e a programação encerra às 17h com uma oficina de escracho e Intervenção Urbana na UECE. Aberta ao público, a oficina ainda dispõe de vagas e a inscrição é por ordem de chegada.


“Em comparação a outros países da América Latina, ainda estamos no começo do processo. Só há um ano foi criada a Comissão Nacional da Verdade no Brasil, mas em países como o Chile, as comissões se instalaram logo após o golpe. Eles já se encontram em outra fase desse processo que é a de punição, inclusive com militares já atrás das grades. Aqui no Brasil ninguém foi preso”, aponta Alexandre Mourão, um dos integrantes do Aparecidos Políticos, formado ainda por Marcos Venicius, Vivane Rocha, Solange Pitombeira, Stella Maris e Monyque Barreto.


Artivismo

Pautados pela relação entre arte e política, o Aparecidos Políticos desenvolve o conceito de artivismo: arte urbana engajada de uma militância criativa.

 

Para isso, o grupo atua com uma cartografia definida. Busca intervir na memória da ditadura militar que é preservada em Fortaleza de maneira torta. “Na nossa cidade, os nomes de ditadores estão estampados em prédios públicos e escolas recebem o nome do presidente Médici. A gente acredita que é preciso fazer uma manutenção da memória, interferir nesse espaço. Essa história de querer virar a página, esquecer, manter a ditadura apagada, não existe. Queremos mostrar que tem alguma coisa errada e mexer nesse consenso tosco, nesse silêncio”, afirma Alexandre. É o caso do Centro Social Urbano Presidente Médici que foi rebatizado pelo grupo para Centro Social Urbano Edson Luís, em referência ao estudante morto em São Paulo. “O grupo Arte Callejero foi responsável por realizar uma série de escrachos, ou esculachos, que consiste em escolher locais onde vivem torturadores e fazer com que seus vizinhos saibam que essas pessoas estão ali, muitas vezes exercendo cargos públicos, vivendo livremente. Isso não pode continuar assim”.

 

Saiba mais


Programação


Hoje


17h - Mesa “A Comissão Nacional da Verdade: limites e perspectivas”


Local: UECE-Itaperi


19h - Cine-debate com o filme “Operação COndor”.

Local: UECE-Itaperi


Amanhã, 4


13h30 - Exibição de vídeos do Aparecidos Políticos e Arte Callejero

Local: Videoteca UNIFOR


17h - Oficina de escracho e Intervenção Urbana


Local: UECE-Itaperi


Entrada gratuita.


Mais info.: www.aparecidospoliticos.com.br

e aparecidos-politicos@gmail.com



Multimídia


Conheça mais sobre
Aparecidos Políticos em

www.aparecidospoliticos.com.br

 

E o grupo argentino
Arte Callejero

http://grupodeartecallejero.blogspot.com.br/

 

Elisa Parente elisa@opovo.com.br
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