Movimento 23/02/2013

O destino do Estoril

Mobilização na internet propõe que o Estoril, na Praia de Iracema, se transforme em um espaço cultural com gestão compartilhada entre artistas, produtores e poder público
sara maia
Estoril: o movimento de artistas propõe uma gestão compartilhada
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O Movimento Arte e Resistência (MAR), composto por diversos artistas, produtores culturais e sociedade civil, propõe uma ocupação artística do Estoril, prédio histórico situado na Rua dos Tabajaras, 397, Praia de Iracema. A campanha “O Estoril também é meu”, encabeçada pelos manifestantes, ganha adeptos nas redes sociais. O prédio, de responsabilidade da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), não possui projeto definido na atual gestão e poderia voltar a sua função original de restaurante.

 

Após a entrega do Estoril restaurado, o espaço abrigou atividades esporádicas como a Feira da Música, o Manifesta e a Bienal de Dança. Na página “Estoril de Todas as Artes”, criada pelos manifestantes no Facebook, a descrição “defende que o Estoril não deve ser entregue à iniciativa privada, mas mantido como um espaço cultural”. Uma petição também circula na internet devido “ao desconforto da possibilidade da perda de mais um espaço público para o poder privado”. Até o início da tarde de ontem, 938 pessoas haviam assinado o documento destinado ao prefeito Roberto Cláudio.


A preocupação surgiu porque a Prefeitura, ano passado, lançou edital para contratação de empresa que assumisse um bar-restaurante no local. Entretanto, dia 31 de dezembro, ainda na gestão Luizianne Lins, o edital foi suspenso e um contrato para exploração do espaço foi assinado com a empresa Walk Produções.


Documento devidamente anulado pela nova gestão como consta no Diário Oficial do Município do dia 22 de janeiro de 2013.


Na próxima segunda, 25, às 19 horas, no Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (ICA-UFC), o MAR se reúne para debater a questão. “A população tem que fazer parte desse processo de construção do novo Estoril. Temos que discutir publicamente, de forma participativa e dialógica com município”, defende a psicóloga Ivna Magalhães. A reunião é aberta à população. De acordo com a diretora de teatro Herê Aquino, o secretário foi convidado por meio de ofício entregue na Secultfor na última segunda-feira, 18. Entretanto, o mesmo afirma não ter recebido a convocatória. “Tenho disponibilidade para dialogar, mas não recebi convite”. A diretora sugere possibilidades de uso do espaço. “Queremos que seja um espaço de troca, formação, ensaio, exposição, apresentação. Tudo gratuito, aberto ao público”, afirma.


Uma das demandas solicitadas para a reunião é que Magela apresente as propostas para sua gestão. O secretário afirma que isto acontecerá quinta-feira, 28, no próprio Estoril, onde também fará a cerimônia de posse dos representantes do Conselho Municipal de Cultura. “Vou empossar o novo conselho, apresentar minha equipe e o novo organograma da secretaria”. A cerimônia será às 9 horas. “Estou fazendo essa posse lá para mostrar que é importante resgatar o espaço. Inclusive o Estoril já precisa de uma nova reforma”, reconhece Magela.


A diretora Herê Aquino acredita que não deve haver espaço gastronômico no local. “Apesar de já ter sido um bar, era alternativo. Ednardo, Fagner, Belchior andavam por lá na década de 1980. Hoje acredito que não caiba um restaurante lá dentro, mas será dialogado com o secretário para construirmos juntos”, afirma.


Questionado sobre as propostas de gestão para o futuro do espaço, o secretário afirmou que, dia 28, também será lançado um novo edital para que um dos espaços se torne gastronômico. “A gente precisa ter espaços que contemplem diferentes usos. O restaurante será apenas um espaço de convivência como sempre teve”, garante. O secretário informou que, em cerca de três meses, os editais de ocupação artística serão lançados.


Saiba mais

 

O tombamento municipal do imóvel, construído na década de 1920, deu-se através da Lei n° 6.199, de 19 de setembro de 1986. O investimento na última reforma, iniciada em 2008 e terminada em 2010, foi de R$ 250 mil. Sem manutenção, o espaço já necessita de novos reparos na parte elétrica, portões, paredes e telhado, devido a infiltrações.

> TAGS: estoril
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