[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Agostinho Gósson: um jornalista visceral | O POVO
Gênios da raça 18/01/2013

Agostinho Gósson: um jornalista visceral

Agostinho Gósson é reserva de ética e coragem no fazer jornalístico. Referência para várias gerações
notícia 3 comentários
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Elisa Parente elisa@opovo.com.br
TATIANA FORTES / ESPECIAL PARA O POVO
Gósson apresenta o programa Rádio Debate na Universitária FM


A audição fina, capaz de guardar na memória entrevistas inteiras sem o auxílio de gravadores, papel ou caneta, condiz com os dedos grossos, ineptos de completar uma ligação nos celulares de teclado tátil. Agostinho Gósson, jornalista, radialista, professor, ouvidor da Universidade Federal do Ceará (UFC), mas acima de tudo um repórter como poucos, é figura de incríveis histórias impressas nas páginas de jornal ou recolhidas na mente que guarda preciosas confidências. A fala precisa, acentuada nas últimas sílabas, resgata parte da história deste paulistano que se entrelaça com a história da imprensa cearense.


Agostinho Gósson nos recebeu em uma de suas casas: o prédio da Universitária FM, onde apresenta, de segunda a sexta, o programa Rádio Debate. Aos 59 anos, ele deixou as salas de aula sem distanciar-se da Universidade, local onde descobriu uma profissão quando o jornalismo já não era mais possível. “Nunca me considerei um acadêmico. Sou um jornalista visceral e que, por razões diversas, foi conduzido à universidade como forma de sobrevivência profissional”, explica, sobre quando foi punido por uma greve realizada entre 1988 e 1989. Ainda assim, foram 25 anos dedicados à formação.


Mas a Agostinho não interessava unicamente avaliar o conhecimento. “Acho que o conhecimento já existe na pessoa” e, por isso, antes de aplicar provas e cobrar trabalhos dos alunos optou por “acrescentar uma dinâmica para que o aluno aprenda a raciocinar dentro do hemisfério da profissão. Foi sempre assim que trabalhei, talvez por isso tenha deixado neles a impressão de que eu tenha sido um bom professor, eventualmente (risos)”.


A resposta está no depoimento de uma série de ex-alunos, que hoje povoam os veículos de comunicação da Cidade. “Agostinho Gósson é um desses professores que a gente sente saudades quando cresce. Porque chega um tempo, na profissão, em que a gente deseja acreditar de novo - na ética, no bom jornalismo, na salvação da humanidade. E o Agostinho é um dos que nos ensinam essa crença. Ele doa um tanto de si próprio para formar jornalistas. Aí, a gente fica querendo reencontrá-lo um dia, para agradecer por tudo”, escreve Ana Mary C. Cavalcante, repórter especial do O POVO.


Embora tenha nascido em São Paulo, Agostinho é filho e pai de cearenses. Uma ilha, como ele mesmo se definiu. Sua relação com Fortaleza, a cidade que o acolheu em dezembro de 1978, mês de nascimento de seu primeiro filho, se equilibra num sentimento de ruptura com a cidade natal e a ausência na formação de uma nova identidade. “Fortaleza é uma cidade que aprendi a viver com amor. Uma Fortaleza onde me encontro como homem e onde Deus me deu possibilidade de amar os meus semelhantes”.


O homem que já presidiu a Associação Cearense de Imprensa (ACI), a Rádio Universitária, o Sindicato dos Jornalistas no Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), é amante de animais de estimação, preferencialmente cachorros, não dispensa um bom uísque, troca facilmente um evento disputado pelo aconchego da casa. A literatura passageira dá lugar aos clássicos de Shakespeare, Calvino e Camões em sua estante. A poesia é outra paixão desapegada. “Não gosto de decorar poema, porque você amarra ele dentro de você. Quando o poema está fora, ele está vivo, você cutuca e ele mexe de um jeito diferente, se modifica a cada vez que é tocado”.


Ao buscar um relógio para decidir o rumo da próxima hora, lembra de uma dor que não se sabe se o coração já acostumou. “Quando meu filho mais velho faleceu, fomos mexer nas coisas dele e descobrimos uma coleção imensa de relógios. E fiquei tão triste quando descobri que não conhecia esse lado do meu filho, alguém que tentava guardar o tempo na caixa”, descreve sobre o sentimento de um homem que nunca usou relógio, porque “o tempo não é uma coisa que me acompanha”.

 

espaço do leitor
Materson 21/01/2013 10:00
Mto bom. Genio mesmo!
André 20/01/2013 10:01
Muito Boa materia! Sensacional perfil!
NEWTON SILVA 18/01/2013 16:30
E o que diabo mesmo é EAÇA?
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