[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Cearense e sideral | Vida e Arte | O POVO Online
14/01/2010 - 21h01

Cearense e sideral

Em 2008, o Ceará estreou seu primeiro longa de ficção científica, Centopeia. Rodado durante quatro anos e com orçamento de R$ 300, o filme é relançado e entra em circuito comercial a partir de hoje, no Centro Cultural Sesc São Luiz
O longa-metragem Centopeia é assinado pelo jovem realizador Daniel Abreu (Divulgação)

Alinne Rodrigues

alinnerodrigues@opovo.com.br


Daniel Abreu tinha sete anos quando fez o primeiro filme. A câmera era de um tio; os roteiristas e atores, seus primos e amigos. A história era ``louca e sem sentido``, e o título ele não revela. O cinema pegou o menino de jeito, e ele nunca deixou de apostar no lado insólito da sétima arte. Esse estágio nas produções caseiras, a formação em audiovisual e alguns anos morando nos Estados Unidos resultaram no primeiro longa-metragem de ficção científica cearense, Centopeia, lançado em 2008.

O filme se passa em 2056. Uma astronauta brasileira parte em uma expedição a Marte e acaba perdendo os tripulantes e a comunicação com a base. Ao mesmo tempo, um objeto voador não identificado está em rota de colisão com a Terra, prestes a destruir toda a população. Em Quixeramobim, um fazendeiro luta para sobreviver. Para contar a história, Daniel lança mão de efeitos visuais, produzidos por ele mesmo, em casa. Elenco e equipe técnica dispensaram cachês. Equipamento e estúdio com chroma key - para as cenas no planeta vermelho & foram cedidos pela Faculdade Grande Fortaleza. Com a viagem a Quixeramobim, os custos para a realização de Centopeia totalizaram exatamente... R$ 300.

"Até hoje, todos os filmes que fiz foram completamente independentes. Até dois filmes que fiz nos Estados Unidos foram assim, sem grana. Para você ter uma ideia, o filme mais caro que eu fiz foi A Lenda de Linda Cruz, que é medieval. Juntamos metade da população da cidade de Cruz para fazer cenas épicas, com lutas de espada. Custou R$ 3 mil``, revela o diretor.

Quase dois anos depois de sua estreia, Centopeia entra em cartaz novamente a partir de hoje, no Centro Cultural Sesc São Luiz. À época, as opiniões sobre a saga sci-fi foram divididas: ``É uma ficção científica feita com R$ 300, que não tem atores conhecidos e com um tema que não é tradicional do Brasil. Teve gente que não gostou, teve gente que adorou. Acho interessante que o Centopeia seja assim. Você gostando ou não, ele é um filme que te propõe uma discussão, te instiga``, diz.

Segundo Abreu, a reestreia vem a pedidos. ``Recebemos e-mails, ligações, pessoas falaram com a gente na rua achando que aquela primeira exibição foi muito pouco. Agora decidimos fazer um lançamento comercial, que não é para conseguir um retorno financeiro. Com o que conseguirmos arrecadar, vamos produzir cópias para a equipe envolvida e material publicitário para promover o filme em cineclubes pelo Brasil e no interior do Estado``, conta.

O filme, caracterizado pelo diretor como ``difícil de ser assimilado em relação às questões técnicas``, foi gravado quase que integralmente com uma câmera de mão. Seu retorno ao cinema, então, traz consigo uma discussão: ``Ouvi gente dizer que um longa só é longa se custar mais de R$ 100 mil. Se fosse assim, nós excluiríamos todos aqueles filmes feitos com baixíssimo orçamento e acabaram entrando para a história, se tornaram cult. Ainda existem pensamentos pejorativos em relação ao cinema de baixo custo, e tanto o espectador quanto os profissionais de cinema precisam amadurecer em relação a isso. Porque é arte, é livre para experimentar o maior número de possibilidades``, finaliza.

SERVIÇO
CENTOPEIA (BRA, 2008). De Daniel Abreu. Com Camilo Vidal, Jeanne Feijão, Bruno de Castro e Teresa Reine. Em cartaz no Centro Cultural Sesc São Luiz, às 13h e 18h20.

EMAIS

- No filme, o garotinho Juan Rios tem um papel crucial. Atualmente, Daniel Abreu trabalha em uma continuação de Centopeia que deve ser filmada quando Juan crescer.

- Este ano, Abreu comanda sua primeira produção com verba pública. O filme se chama A Sedição de Juazeiro e vai explorar o imaginário popular do nordestino.

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