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30/07/2003 - 12h05

Os diferentes<BR>na Casa Verde

<b><i>A Casa Verde</i></b> tem todos os elementos para um bom espetáculo infantil, mas lhe falta uma costura adequada na conclusão
<b><i>O espetáculo </i></b>infantil <b><i>A Casa Verde</i></b> está em cartaz aos sábados e domingos no Teatro do Centro Dragão do Mar

Emmanuel Nogueira

Articulista do Vida & Arte


A arte de contar histórias tendo bichos como protagonistas, além de imprimir uma moral sobre a aparência do mundo, é uma fórmula eficiente para seduzir a atenção das pessoas, independente de suas idades. As fábulas do mestre grego Esopo e do francês La Fontaine ainda pairam como modelo de refinamento crítico-filosófico. Com o uso de uma linguagem que prima pela leveza, esses dois fabuladores conseguiram demonstrar parte dos disfarces que constituem o caráter humano. Retomando essa tradição, a Companhia Cearense de Molecagem montou o espetáculo infantil A Casa Verde, com texto e direção de Carri Costa.

Vencedor da maioria dos prêmios da terceira edição do Festival de Teatro de Fortaleza, A Casa Verde é um delicioso passeio musical por um mundo de cores e muita alegoria. Esse espetáculo tem quase tudo do que se exige de uma boa peça infantil: atores conscientes do ofício e trabalhando de maneira afinada; músicas e arranjos eficientes, assinados por Nara Avelar e Vinícius Bozzo, que dão fôlego ao texto, fazendo-o fluir; um cenário criativo, que instiga a imaginação; e, finalmente, passos de dança, que trazem movimento ao conjunto da obra.

Percebe-se nos atores o uso do caricato na voz e no corpo como oferta para a comunicação com o público infantil. Daí a consciência do ofício de atuar para criança. Em todo o espetáculo, os atores buscam o exagero para expressar suas ações de medo, compreensão, dor, satisfação, e assim fugir de certas convenções sociais que inibem, ao invés de educar. A forma alegórica na atuação, além de um convite à participação, é um jeito criativo de fazer os pequenos entenderem melhor os conflitos que os cercam.

Há, como em toda montagem, um ou outro ator ou atriz que se destaca no meio grupo. A Casa Verde não é exceção. Mas é exceção pelo trabalho coletivo feito de maneira harmônica. O sexteto, formado por Roberta Wermont (Bia, a minhoca), Christiane Góis (Bel, a traça), Vinícius Bozzo (Bob, a formiga), Paulo Roque, (Júnior, o pulga), e Itauana Ciribelli (Tetéia, a aranha), revela no palco um entrosamento capaz de manter o desenrolar da história num clima sempre vivo.

A cenografia e os adereços d'A Casa Verde, assinados por Carri Costa, é um espetáculo a parte. A partir dos detalhes como uma tomada na parede ou uma baladeira maior do que seu atirador, Carri explora o universo da hipérbole espacial. Assim faz parecer que os insetos estão realmente vivendo numa casa imensa. Todavia, o mais importante é que essa espacialidade ''grandiosa'' é também parte de um mundo que as crianças convivem, quando acham que tudo tem um tamanho desmedido. É mais um recurso de comunicação primoroso.

Para A Casa Verde, todavia, faltou o que Esopo e La Fontaine tem de sobra: a conclusão lapidar de uma história. O enredo é interessante. A minhoca Bia e a traça Bel, viviam felizes até terem a casa demolida. Sem-teto, vão com a formiga Bob para a casa verde, sem saberem que terão uma recepção hostil do pulga Júnior e da aranha Tetéia. Assim, a peça busca tratar da difícil tarefa de conviver em meios as diferenças ideológicas. Tema, aliás, caro ao mundo dos adultos.

O problema é que a dramaturgia de Carri Costa esboça a questão e não chega a lugar nenhum, falta-lhe um direcionamento, uma intenção mais precisa do que fazer com essa história e seus personagens. A trama fica a meio caminho, inconclusa, deixando a sensação de que o capitão perdeu a bússola no meio do mar. É um ''pecado'' entre tantas virtudes. Um pecado que pode ser corrigido lendo estes dois grandes fabuladores ou pedindo auxílio a quem já sabe o caminho de cor.

Emmanuel Nogueira escreve semanalmente neste espaço
emanuelnogueira30@hotmail.com

SERVIÇO
A Casa Verde
- Espetáculo infantil da Cia. Cearense de Molecagem, direção de Carri Costa. Aos sábados e domingos no teatro do Centro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 - P. de Iracema), sempre às 17h. Ingressos: R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia). Info.: 488.8600.
4 estrelas.

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