[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Grupo argentino debate resquícios da ditadura na Argentina e no Brasil | Política | O POVO Online
Direitos humanos 01/04/2013

Grupo argentino debate resquícios da ditadura na Argentina e no Brasil

Integrantes do Arte Callejero, grupo de Buenos Aires que existe há 15 anos, realizam atividades em Fortaleza em memória às vítimas da ditadura
MAURI MELO
Integrantes do Arte Callejero e do Aparecidos Políticos em frente ao Mausoléu de Castello Branco, primeiro presidente do regime
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O Brasil rememora hoje os 49 anos do golpe de Estado que, em 1º de abril de 1964, destituiu o então presidente João Goulart e levou os militares ao poder. Tinha início uma das épocas mais controversas da história do País, lembrada, ao mesmo tempo, pelo “milagre econômico” e pela perseguição política. Nesta semana, atividades em Fortaleza chamarão a atenção para os crimes da ditadura. Ativistas da Argentina, país que nas décadas de 1970 e 1980 também viveu “anos de chumbo”, estão na capital para debater a memória do período.


O grupo Arte Callejero (arte de rua, em tradução livre), de Buenos Aires, junta-se aos cearenses do Aparecidos Políticos para lançar o dossiê Ditaduras na América Latina e debater as formas como Brasil e Argentina tem tratado o tema. No momento em que a presidente Dilma Rousseff (PT) cobra mais agilidade da Comissão da Verdade, a integrante do Arte Callejero Lorena Bossi lembra que, no país “hermano”, há militares acusados de tortura presos em cárcere comum. Desde o governo de Nestor Kirchner (2003), o Estado argentino tem se manifestado publicamente contra a violação de direitos humanos na época da ditadura.


A Comissão da Verdade, criada pelo Governo Federal há um ano, não possui caráter punitivo, mas se propõe a “esclarecer” crimes cometidos. Os avanços na responsabilização de torturadores são considerados pífios. “Há poucas pessoas trabalhando sobre período muito longo da história do País. O prazo apresentado pelo Governo (dois anos) é muito curto para se descobrir todas as verdades. Não há o que comemorar”, opinou um dos integrantes do Aparecidos Políticos, Alexandre Mourão.


A escolha do papa argentino Jorge Bergoglio reacendeu o debate no país onde a cúpula da igreja foi considerada cúmplice dos crimes da ditadura. “Para nós, que estamos na luta por direitos humanos, é um retrocesso ter um papa como Bergoglio”, afirmou Lorena. Na capital cearense, ela e a irmã Vanessa Bossi, também integrante do Arte Callejero, farão debate sobre as experiências da ditadura militar na Argentina e no Brasil.

 

Quando


ENTENDA A NOTÍCIA


A ditadura militar começou com o golpe de 1964, quando as Forças Armadas derrubaram o governo do presidente eleito João Goulart. O período terminou em 1985, quando José Sarney assumiu o cargo de presidente.

 

SERVIÇO

 

Hoje, às 15 horas

Lançamento do dossiê Ditaduras na América Latina e mesa redonda sobre Comissões Universitárias da Verdade. Local: auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Amanhã, às 19 horas

Mesa redonda sobre “Experiências da ditadura militar na argentina e no Brasil. Local: Campus do Itaperi da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Quarta-feira, às 17 horas

Mesa redonda sobre “Comissão da Verdade: limites e perspectivas”. Local: Campus do Itaperi da Uece.

Quinta-feira

13h30min, cineclube. Local: Videoteca da Unifor.

17 horas, oficina de escracho e intervenção urbana. Local: Campus do Itaperi da Uece.

> TAGS: golpe militares
Hébely Rebouças hebely@opovo.com.br
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