[an error occurred while processing this directive] Cunhus Sapiens, uma breve história da impunidade | Opinião | O POVO Online
Artigo 07/05/2016

Cunhus Sapiens, uma breve história da impunidade

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“A 300 m da Pirâmide me inclinei, peguei um punhado de areia, deixei-o cair silenciosamente e disse em voz baixa: Estou modificando o Saara. O ato era insignificante, mas as palavras eram justas e pensei que fora necessária toda a minha vida para que eu pudesse pronunciá-las”.


Tinha que ser um Borges para poetizar a exuberância doMuseu do Amanhã, na Praça Mauá do Rio de Janeiro. Não sou muito aloprado por museus, mas não me contive diante daquele estilizado “calango de arame”, diria meu avô REImundo.


O Museu do Amanhã é mais do que dele se diz: um espaço de aceleração de ideias onde você é convidado a examinar o passado e imaginar cenários possíveis para os próximos 50 anos. Sua energia nos tira do imediato, leva-nos a Júpiter, instiga nossa alma. Por bons momentos, relevei coisas entre o céu e a terra que cutucam minha vã filosofia. Senti-me em um jardim de menor gravidade. Percebi-me criança outra vez.


O sol naquela terça de entrada gratuita parecia enxotar para o Museu do Amanhã aquele bando de estudantes, aos milhares, numa agradável algazarra juvenil. Era o Rio de Janeiro miscigenado denunciando o provincianismo de quem desconhece a própria história e abandona o Centro da Cidade (“vaia o sol”, Fortaleza).


Horas depois, ainda hipnotizado, saí da livraria da Travessa, na Rio Branco, com um “Sapiens, uma breve história da humanidade”. Um livro, como diz o Financial Times, que não pode ser resumido; você tem que lê-lo. A despeito, Harari, o autor, nele discute de forma eletrizante como nós da espécie Sapiens, primatas como os chimpanzés e orangotangos, do gênero humano como os neandertais e os erectus, somos capazes de belas obras de arte, de avanços científicos e de horripilantes guerras. Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, tais como Estado, dinheiro e justiça.


E quanto ao Cunhus e sua breve história da impunidade? Quem sabe um dia ele será exibido a estudantes no Museu do Amanhã... como exemplo de um exímio “homem de neandertal” que enganou um Estado, surrupiou dinheiro, desdenhou da justiça e envergonhou a espécie Sapiens.

 

Mauro Oliveira


amauroboliveira@gmail.com


Professor do IFCE Aracati

> TAGS: mauro oliveira
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