ARTIGO 16/03/2016

O tatu-bola e a caatinga

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No evento em que a Associação Caatinga lançou, com o apoio da Fundação Boticário, o Programa de Conservação do Tatu-bola, no início deste mês, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), tive a oportunidade de pensar neste curioso animalzinho da fauna nordestina, não apenas como um ser merecedor de cuidados para a sua preservação, mas como um símbolo de uma situação crítica por que passa o nosso semiárido.

O tatu-bola funciona como um tipo de sensor das condições ambientais da caatinga. Tendências que apontam para a sua extinção são sinalizadoras de degradação deste bioma exclusivo do Brasil, do mesmo modo que reversões dessas tendências apontarão para melhorias do nosso meio ambiente.


O recurso de enrolar-se em formato de bola para proteger-se de seus predadores naturais já não tem a mesma eficácia diante das ameaças que lhe são impostas pelo ser humano, seja como seu caçador direto ou como destruidor do habitat que é comum a todos os seres vivos desse bioma tão peculiar e único no nosso planeta.


As consequências da destruição da caatinga manifestam-se em fenômenos econômicos e sociais negativos, que se estendem desde a queda das atividades produtivas rurais até a favelização de áreas urbanas no interior. Sem contar com o agravamento dos problemas de abastecimento hídrico resultantes da destruição de mananciais pela morte de suas nascentes.


O engajamento na campanha “Eu Protejo o Tatu-bola” é uma forma de a sociedade, ao mesmo tempo em que contribui para evitar o desaparecimento de mais um animal da nossa fauna, despertar para os cuidados urgentes com a segurança hídrica, tomar mais consciência da necessidade de combater a desertificação e de ajudar a mitigar os efeitos do aquecimento global.


Lamentavelmente, o primeiro grande movimento idealizado pela Associação Caatinga em defesa do tatu-bola foi muito bom para a Fifa, mas pouco representativo em termos de recursos para financiar atividades de preservação dele e da caatinga. Com o Fuleco, personagem de nome grotesco criado por essa entidade mundial de futebol, a Copa de 2014 no Brasil não deixou só a decepção dos 7 x 1, pois enquanto, na condição de mascote, o tatu-bola foi o maior sucesso comercial de todas as Copas na venda de souvenirs, nada rendeu financeiramente para a preservação dessa espécie, frustrando nossas expectativas.


Com o apoio financeiro inicial da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, abre-se um novo momento para a execução de um programa de quatro anos, por meio do qual serão realizadas ações de mapeamento do número de indivíduos realmente existente, identificação dos lugares de ocorrência e de eleição de espaços prioritários para recuperação, proteção e criação de áreas protegidas.


Esta mobilização em favor da preservação do tatu-bola precisa de novos apoiadores que vejam nesta oportunidade algo além de um gesto para salvar animais em risco de extinção, pois precisamos de um reforço na nossa compreensão de que as questões ambientais constituem um todo integrado no qual o zelo pela fauna não se dissocia da racionalidade no uso de recursos essenciais.

 

Roberto Macêdo

roberto@pmacedo.com.br

Empresário

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