[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Por memória, verdade e justiça | Opinião | O POVO Online
ARTIGO 29/06/2015

Por memória, verdade e justiça

notícia 5 comentários
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Em dezembro de 2014 presenciei, no Palácio do Planalto, em Brasília, a entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) para a presidente Dilma. Foi um momento histórico experienciar, a poucos metros, as lágrimas de uma ex-guerrilheira torturada pela ditadura militar. Ali, em meio a um amontoado de jornalistas, câmeras e à formalidade de eventos oficiais, os olhos trêmulos da comandante-em-chefe das Forças Armadas se encontraram, por um momento, com os inquietantes olhares de familiares de mortos e desaparecidos políticos. Naqueles olhares uma pergunta não cessou de aparecer: onde estão os desaparecidos?

 

Infelizmente, o relatório da CNV não respondeu essa pergunta nem outras. Boa parte devido ao fato de agentes da repressão, num ato de insubordinação à própria presidente, ao descompromisso com a sociedade Civil e ao Estado, se recusarem a revelar informações. Entretanto, se houve esse percalço no relatório, surgiram avanços no mesmo ao recomendar políticas públicas e expor uma lista de 377 agentes repressores da ditadura, dos quais mais da metade ainda estão vivos e impunes. Um deles, inclusive, foi aplaudido nas recentes manifestações por “intervenção militar” e impeachment.


Os aplausos de setores da sociedade a um repressor do regime ecoam em alguns parlamentares do nosso Congresso - o mais conservador desde 1964 - segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar; e adornam a nova roupa da direita – uma rede de conservadores dos Estados Unidos que financia jovens latino-americanos e defende velhas bandeiras com uma nova linguagem, como apontou uma recente matéria da Agência Pública.


Diante dessa situação não devemos nos estagnar no lamento ou aflição. Uma das maneiras de responder essa conjuntura é com mais democracia: exigir do próprio Estado a efetivação das recomendações da CNV. Criarmos outro tipo de guerrilha, em outro contexto, dessa vez no campo das ideias: convidamos os leitores a conhecerem o Minimanual da Arte Guerrilha Urbana – um livro escrito pelos Aparecidos Políticos com técnicas criativas pra lutar por justiça de transição, que foi lançado há poucos dias, no Espaço Aparelho. Agora, mais do que nunca, lembrar para não repetir.

 

Alexandre de A. Mourão

aparecidospoliticos@gmail.com

Psicólogo, foi pesquisador da Comissão Nacional da Verdade e atualmente integra o Aparecidos Políticos

> TAGS: alexandre mourao
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espaço do leitor
MCastro 29/06/2015 15:13
Já a lista citada na realidade e um trabalho rigoroso feito pelo pesquisador de campo Hugo Studart que ele chama de "cadeia de comando" essa pesquisa foi anexada ao processo da primeira vara federal em 2012 e a CNV não teve a dignidade de falar que aquela pesquisa era do Hugo Sturdat(quem tiver dúvida e só ler o processo). Vergonha histórica. Enquanto o estado priorizar o empreguismo em detrimento de técnicos vai f
MCastro 29/06/2015 15:10
Vergonha histórica. Enquanto o estado priorizar o empreguismo em detrimento de técnicos vai ficar nas mãos de quem busca se
MCastro 29/06/2015 15:09
Já a lista citada na realidade e um trabalho rigoroso feito pelo pesquisador de campo Hugo Studart que ele chama de "cadeia de comando" essa pesquisa foi anexada ao processo da primeira vara federal em 2012 e a CNV não teve a dignidade de falar que aquela pesquisa era do Hugo Sturdat(quem tiver dúvida e só ler o process
MCastro 29/06/2015 14:55
Bom dia. Sou irmã de Antônio Teodoro de Castro (Raul) que teve seu desaparecimento forçado no episódio conhecido como guerrilha do Araguaia. Venho esclarecer que a CNV não acrescentou nada de novidade para familiares e pesquisadores de campo(aqueles que sujam os pés em busca de informações (não inclui os pesquisadores de livros e jornais,que o único perigo real que enfrentam é o de pesquisar em livros de outro pesquisador de livros). Já a lista citada na realidade e um trabalho rigoroso feito pe
Wilson José de Oliveira 29/06/2015 09:20
O artigo desse jovem psicólogo e a existencia do seu grupo de ação política fortalece as esperanças de que o relatório da CNV deixe de ser letra morta. Ditadura nunca mais!
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