TRÂNSITO 25/08/2014

Até quando?

No caso da violência viária, o que se sobressai é o descaso e a insensibili-dade reinante
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Ingrid Coelho ingridrodrigues@opovo.com.br

Após aproximadamente 15 anos pesquisando a violência no trânsito e dando ênfase àquela que se verifica no Brasil, ainda me assusto ao ler que, nele, somente de 2003 a 2012, ocorreram mais de 536 mil mortes. Os números são resultantes de pesquisa realizada pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). A propósito, o professor Paulo Cézar Ribeiro, responsável pela pesquisa, ponderou: “é um número assustador de mortos, mas ninguém dá a menor bola para isso”.

 

Gostaria de ter elementos para refutá-lo, porém, como estudioso, não me restam alternativas a não ser associar-me a ele em seu brado. Não é de hoje que as vítimas anônimas de violência são reduzidas a estatísticas desencontradas. As tragédias transformadas em números passam despercebidas, exceto para os familiares e os amigos daqueles que perecem. No caso da violência viária, o que se sobressai é o descaso e a insensibilidade reinante.


Só para dimensionar a tragédia evidenciada pela pesquisa, a área do Sertão Central Cearense, composta por 12 municípios – dentre eles, Quixadá, Quixeramobim, Mombaça e Senador Pompeu – tem população em torno de 380 mil pessoas. É como se em dez anos doença tivesse exterminado todos os moradores do Sertão Central e, de quebra, atingido outros municípios. E o que é pior: a repercussão foi, e continua sendo, muito pequena.


Ao longo da década, parcela significativa das mortes no trânsito não chegou nem a compor as estatísticas oficiais. Em termos numéricos, há enorme descompasso entre o que a pesquisa mostra e o que o poder público divulga. Estudar as estatísticas da violência no trânsito é missão inglória. Quem se aventura tem a sensação de que não sabemos sequer contar nossos mortos...


Para além de computar os acidentes, o pesquisador da UFRJ adverte que é preciso estudá-los. A fim de que se possa enfrentar o cenário posto, cada sinistro deve ser criteriosamente analisado para definir, dentre outras coisas, se o motorista foi imprudente, se a estrada provocou a ocorrência, se a velocidade era compatível com a segurança. Toda morte no trânsito deve ser computada e lamentada, mas também servir para aprimorar a segurança viária. Em homenagem àqueles que se importam, continuarei fazendo meu trabalho de formiguinha. Quando nos especializarmos em contar, quem sabe o passo seguinte seja assimilarmos a cultura de prevenção.

 

Luís Carlos Paulino

transitoseguro@hotmail.com
Especialista em gestão e direito de trânsito e coordenador regional da Associação Brasileira de Educação de Trânsito (Abetran/CE)

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