Artigo 17/08/2013

Economia Criativa e um ciclo virtuoso da abundância

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Lala Deheinzelin

Especialista internacional em economia criativa, sustentabilidade e futuros e diretora da Enthusiasmo Cultural

Durante séculos a sociedade, a economia e a política se organizaram exclusivamente em torno dos recursos materiais, como terra, ouro ou petróleo, que, por serem tangíveis, se consomem com o uso e são finitos. E essa finitude criou uma economia da escassez, baseada em modelos de competição. Porém, os recursos intangíveis, como cultura, conhecimento, experiência, novas tecnologias são infinitos, renováveis e podem representar uma economia da abundância, baseada em modelos de colaboração.


Observando processos bem-sucedidos, em qualquer setor, percebemos que há um padrão - que revela uma espécie de círculo virtuoso da abundância. Ele é um dos temas que estaremos abordando em nossa participação no Seminário Futura Trends, em 26 de agosto, aqui em Fortaleza. Trata-se de um ciclo sustentável, baseado em intangíveis e que se constrói a partir de quatro vetores, todos eles de natureza infinita e um pilar ativando exponencialmente o outro.


O primeiro deles é o dos recursos intangíveis (a “matéria-prima” da economia criativa) recursos que não apenas não se esgotam como se renovam e se multiplicam com o seu uso. Só esse fato já deveria fazer com que a economia criativa fosse prioridade estratégica, num momento em que o grande impasse é como seguir com ampliação de qualidade de vida e geração de renda se o planeta é um só, finito. Mas, se os átomos da Terra são finitos, os bits das novas tecnologias são o nosso segundo infinito.


Com eles podemos criar muitos mundos virtuais e infinitas formas de potencializar, conectar, recriar e interagir. Isso gera nosso terceiro pilar: as infinitas formas em que a sociedade em rede se organiza, produz, se reinventa. Os exemplos são muitos: novos modelos de produção colaborativa como o Circuito Fora de Eixo, movimentos cívicos organizados em rede; as centenas de sites de crowdsourcing, modelo colaborativo de solução de problemas, execução de tarefas, fluxo de informação, criação de conteúdo, entre outros aspectos, que ganha mais amplitude no mercado brasileiro nos últimos anos; os negócios mesh, modelo de relação originado no compartilhamento, em que os consumidores têm disponíveis mais opções, ferramentas, mais informações, para a constituição de sua autonomia no mercado de consumo e de produção; a produção colaborativa de conhecimento como a Wikipedia.


E o quarto pilar é a chave para que, de fato, seja possível revelar e atuar com os pilares anteriores: desenvolver métricas e indicadores que permitam reconhecer avaliar, trocar e monitorar recursos e resultados, nas quatro dimensões da sustentabilidade (portanto, da economia): Ambiental, Financeiro, Simbólico-Cultural e Sociopolítico.


Se fizermos as escolhas certas, esse “quarteto de infinitos” pode trazer a possibilidade de criar o outro mundo sustentável e justo que desejamos. E agora é possível...

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