Educação 01/02/2013

2 mil professores estão fora da sala de aula, diz Ivo

Carência de profissionais afeta alunos e provocou a convocação de profissionais lotados em outros cargos e órgãos. Inicialmente, o cálculo era de que havia 700 professores fora das salas de aula
FOTO: MAURI MELO
Sentado junto com os professores no auditório, Ivo Gomes pediu paciência "pelo tumulto que pode estar acontecendo nas escolas"
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Dos 11 mil professores da rede pública municipal, dois mil estão fora das salas de aula regulares, sendo todos docentes efetivos. Os motivos são variados, mas muitos estão cedidos aos demais órgãos, informou o titular da Secretaria Municipal da Educação (SME), Ivo Gomes, durante reunião com professores na manhã de ontem.

 

Na primeira semana de governo, o secretário tinha indicado que, até aquele momento, eram 700 os professores que não estavam exercendo sua função nas salas de aula. Com a ausência dos professores nas salas de aula, as consequências para os alunos são diretas.


Em uma escola no Álvaro Weyne, Jhonatans Williams, 12, estudante do 6º ano, não tem aula de Ciências desde o retorno do recesso, no começo do ano. A mãe dele, a costureira Ana Luiza Oliveira, 45, conta que, muitas vezes, o filho está se arrumando para ir ao colégio e os colegas passam gritando que não vai ter aula. “É um problema crônico”, afirmou.


Em uma escola no bairro Vila União, Gabriel Oliveira, 9, assiste aulas durante a manhã e a tarde, forma de recuperar o tempo que ficou sem professor. A mãe dele, a dona de casa Heloísa Maria Oliveira Eduardo, 43, comenta que é comum o retorno de crianças para casa, sem aula, apesar de elogiar a unidade de ensino.


Além dos profissionais atuando em outros espaços que não a sala de aula regular, Ivo Gomes indicou que são três mil os professores substitutos sendo pagos pelos contribuintes, além de seis mil funcionários terceirizados. “Eu peço paciência a vocês pelo tumulto que pode estar acontecendo nas escolas, estou precisando tomar medidas para cortar despesas”, alegou.

 

Continuidade


A carência de professores efetivos exercendo a função foi um dos argumentos utilizados pela SME para convocar os profissionais que ocupam cargos de vice-diretores, nos distritos de educação, no Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares (Simbe) e nos Laboratórios de Informática Escolares (LIE) para redistribuição das lotações.


A convocação dos docentes do Simbe e LIEs foi posteriormente revogada, uma vez que os projetos seriam prejudicados com a interrupção antes do fim do ano letivo, que termina em abril. A reunião de ontem, entre esses docentes e a SME, aconteceu para que o secretário conhecesse os projetos e pudesse avaliar a continuação da presença dos professores.


“Não tenho a intenção de encerrar nenhum projeto ou programa que esteja produzindo bons resultados para a escola. Eu preciso é ter segurança de que os investimentos que estão sendo feitos, principalmente na disposição dos professores para isso, estejam trazendo resultados que a escola usufrua”, afirmou Ivo Gomes. Ele também disse que a alfabetização na idade certa é uma questão estratégia para a gestão. (colaborou Gabriela Meneses)  

 

ENTENDA A NOTÍCIA

 

Na semana passada, a SME convocou professores que estavam fora da sala de aula para uma redistribuição da lotação. Segundo o secretário, atualmente, são dois mil educadores efetivos fora da sua função.

 

Serviço

Apresentação do diagnóstico das escolas e da educação pública de Fortaleza

Quando: 5/2 , às 17 horas

Onde: auditório do Sindicato Apeoc (rua Solon Pinheiro, 1.306)

 

Bastidores


Durante as apresentações, Ivo Gomes disse que não tem a personalidade arrogante, autoritária e grosseira que estão construindo para ele, indicando, principalmente, a imprensa.

 

O secretário citou matéria publicada no O POVO, no último dia 16 de janeiro, que abordava cobrança de Ivo por mais empenho dos professores. “Como vou hostilizar as pessoas que são os principais agentes da minha gestão como secretário? Eu não vou fazer isso. Isso é o jornal O POVO querendo fazer intriga, fazer manchete, criar polêmica. O que eu falei é que as aulas precisavam começar na hora e terminar na hora e ter aula todo dia, nenhum absurdo”.

 

Ivo Gomes disse ainda que esse é o cargo mais honroso que já assumiu. “Quanto mais problema, mais empolgado”, afirmou. 

 

Saiba mais


Perfil da gestão

“Eu não quero que a sala de aula seja vista como um castigo (para os professores), farei tudo o que estiver ao meu alcance para que seja um ambiente tranquilo, agradável, pacífico, que não tenha violência, que vocês sejam respeitados dentro da sala de aula pela gestão”, disse Ivo Gomes.

Diretores

Segundo o titular da SME, será realizada seleção pública para o cargo de diretor das escolas, forma democrática e meritocrática de escolha. “Vou atrás dos melhores profissionais da cidade, do Interior, do Brasil”, afirmou.

 

“Estou fazendo seleção pública para diretor para não dever o cargo de diretor para ninguém. Não vou abrir para político nenhum indicar, não quero pressão de ninguém. Ninguém (de fora) manda mais na SME, nem nas escolas municipais”, afirmou Ivo, sob fortes aplausos dos centenas de professores presentes ao auditório da Universidade do Parlamento.

Samaisa dos Anjos samaisa@opovo.com.br
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Observador 04/02/2013 11:44
CRISTINA, será que todos os 2.000 (dois mil) professores que estão afastados de sala de aula estão realizando serviços que só professores tem competências para realizar? EDUCAÇÃO é o bem mais precioso para uma sociedade livre, igualitária e justa. O que o IVO tem realizado é para o bem da sociedade.
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Kátia 04/02/2013 01:26
#piadapronta. E o secretário de educação tem coragem de pedir "paciência" aos munícipes face aos seus desmandes a frente do sistema público de educação municipal... E ainda acusa o jornal O Povo de difamá-lo como se parte da população fosse tão burra quanto a outra que os elegeram. Eita cidade boa
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Cristina 02/02/2013 21:25
A maioria dos professores que estão fora de sala de aula, estão exercendo funções, que só um professor terá condições de exercer. pela necessidade de elaboração de projetos que exigem conhecimento de causa e legislação educacional.
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Francisco 02/02/2013 09:33
O SEC. IVO já percebeu que Fortaleza não é Sobral. Aqui tem o Jornal O POVO, OPOVO ONLINE, Leitores, Assinantes conscientes e politizados. Não temos medo de arrogância e nem de criticar.
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Wandes 01/02/2013 16:27
Mesmo achando pouco o salário de um professor e o pior o desrespeito de muitos com a profissão. Só tenho a lamentar que muito pensem o pior. É muito triste para um país ter uma população que não respeita seus educadores. Em todas a profissões existem bons e maus. Não se pode generalizar por baixo.
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