[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Senhores de muitos Carnavais | DOM. | O POVO Online
VELHA GUARDA DO SAMBA 02/03/2014

Senhores de muitos Carnavais

Conheça a história de três veteranos do carnaval do ceará. Representando as escolas de samba unidos do acaracuzinho e império real, e o bloco cheiro, eles têm longa história de amor ao samba e boa parte de suas vidas dedicadas a isso
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Marcos Sampaio marcossamapaio@opovo.com.br
DEIVYSON TEIXEIRA
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O dinheiro é curto e o trabalho é muito. E depender da atenção ou valorização do poder público também não é uma boa ideia, pois a ajuda costuma ser pequena e chegar tarde. Ainda assim, muita gente decide abraçar o Carnaval de Fortaleza e fazer de tudo para que ele aconteça da melhor forma possível. São donos de blocos, presidentes de escolas de samba, ritmistas e outros tantos dispostos a assumir qualquer função – artística ou braçal – para que o bloco não deixe de ir pra rua.

 

E por isso o DOM apresenta três sujeitos bons de cabeça, saudáveis do pé e apaixonados por samba. Representantes da velha guarda do Carnaval de Fortaleza, eles dedicam muitos dias do ano a arrumar figurino, ensaiar bateria, reunir pessoas e programar a próxima folia. O primeiro deles é Waldemir Borges, que se divide entre as paixões pelo futebol e o bloco Cheiro. Em seguida vem Gilmário Gil, o puxador do Império Ideal. Por fim, o Mestre Damião, responsável pela bateria da Escola de Samba Unidos do Acaracuzinho. Em comum, eles têm o vício pelo Carnaval e o desejo de que essa festa cresça cada vez mais.


SAIBA MAIS


> O bloco Cheiro nasceu no dia 17 de novembro de 1992. Com a bateria de 80 a 100 ritmistas, eles seguem da rua João Cordeiro até o Largo Luís Assunção, na Praia de Iracema.

 

> A Escola de Samba Império Ideal foi fundada em 1949 e já ganhou vários desfiles. Quando não está envolvida com o Carnaval, a Escola faz shows em casamentos e festas.

 

> Em 2014, a Unidos do Acaracuzinho desfila com o enredo “Para sempre o maior do humor. Valeu, Chico. Que bom que valeu”, em homenagem a Chico Anysio. O enredo e os figurinos foram criados por Clésia Maria.

 

Frase

 

"Acredito que estou deixando uma semente plantada para as próximas gerações"


Mestre Damião, da Unidos do Acaracuzinho

 

DEVER CUMPRIDO

Francisco Damião vem de uma família de amantes do Carnaval e, desde pequeno, está acostumado a brincar na rua os dias de Momo. Agora ele é conhecido como Mestre Damião, o diretor de bateria da Escola de Samba Unidos do Acaracuzinho, que leva o nome do bairro onde mora há 30 anos. A escola desfila há 20 no Carnaval de Fortaleza e ele se orgulha de lembrar que saiu campeão logo na estreia, em 1994. “Foi uma emoção fora de série e a comunidade começou a participar mais”, lembra. Os trabalhos para montar o desfile da Unidos do Acaracuzinho começam logo depois das festas juninas. Escolha de tema, enredo e sinopse. Em seguida, é David Pompeu, filho de Damião, quem escreve o samba que vai embalar a escola – em 2014, o enredo homenageia Chico Anysio. “Isso tudo dá muito trabalho, mas sempre aparece alguém pra ajudar num figurino ou num carro. E o pagamento é só uma birita”, brinca o carnavalesco, orgulhoso por manter vivo o Carnaval do bairro. “A gente orienta uma gurizada, que está começando como eu comecei. Acredito que estou deixando uma semente plantada para as próximas gerações”.

 

VOZ E TRADIÇÃO

Discordando de Jamelão, Gilmário Gil, 57, não se incomoda de ser chamado de puxador da Império Ideal. “Pelo contrário. É o nome correto por que é quem puxa a escola”, diz o farmacêutico de formação, que há 10 anos assume o microfone da Escola. Antes, em 1978, ajudou na criação da Mocidade Independente do Mucuripe, que, em cinco carnavais, levou um campeonato e três vices. Com o fim da Mocidade, foi para a Ideal, onde também é diretor financeiro. “Também carrego nas costas os shows, apresentações, ensaios”, acrescenta. Sem nunca ter estudado música ou técnica vocal, atribui o talento para o microfone a Deus e ao incentivo dos amigos. Gilmário também é compositor de sambas-enredo como Netuno, lenda ou realidade, nota 10 no desfile de 1981, e Mucuripe, morro da alegria, vencedor com a Ideal em 2002 (ambas em parceria com Mário Lima). Uma das emoções pela Império Ideal foi quando encerrou um Carnaval tocando depois de Moraes Moreira. “Fiquei preocupado com o público, porque já seria madrugada. Mas fiquei surpreso com a multidão que esperou por nós. Me senti um artista mesmo”.

 

O CHEIRO DO CARNAVAL

O jeito elétrico e a fala apressada de Waldemir Borges escondem boa parte dos seus 74 anos. Ex-jogador de futebol e ex-funcionário público federal, hoje tem outra ocupação, que mistura trabalho e prazer. À frente do Bloco Cheiro, um dos mais tradicionais de Fortaleza, constrói instrumentos, ensaia a bateria e segue no desfile nos dias de folia. “Isso aqui é um vício, é como uma bactéria”. A história de Waldemir com o Carnaval começa na década de 1970, primeiro nas escolas de samba Ispaia Brasa e Girassol. Tempos depois veio o Fuxico do Mexe Mexe, encerrado há três anos por falta de dinheiro. Com o Bloco Cheiro, a história já dura 21 anos e hoje, segundo suas contas, leva mais de 3 mil para descer a rua João Cordeiro até a Praia de Iracema. “Quando vi que tinha vários blocos por aqui, resolvi fundar um”, lembra o carnavalesco, que deu o nome de O Cheiro é o Mesmo para a agremiação. “Era uma brincadeira na época do Collor, que diziam que ‘mudou o presidente, mas o cheiro é o mesmo´”. Com o tempo, bloco ficou conhecido apenas como Cheiro, o que gerou outra brincadeira famosa envolvendo o percurso do bloco Que Merda é Essa. Como eles desfilavam em direções opostas, valia dizer que enquanto a Merda desce, o Cheiro sobe.

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