MATERNIDADE E NOVOS COMPORTAMENTOs 14/09/2014

As várias dimensões do parto

Ter o filho em casa, ainda que não seja um procedimento recomendado por médicos, pode significar certa liberdade de práticas e escolhas - como, por exemplo, a ingestão da placenta
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DEIVYSON TEIXEIRA
Para integrantes do Ishtar, o mais importante é a mulher ser protagonista na hora do parto
Infografia: Luciana Pimenta
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Ter um parto com respeito às dimensões espirituais, psicológicas, humanas e sociais. Para muitas mulheres, o ambiente hospitalar e a opção pelo parto cesário não contemplam este respeito. A humanização do parto, que hoje já está entre recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS), acaba não sendo realidade em muitos hospitais. E prevê procedimentos simples, como alimentar a mãe, valorizar a presença do acompanhante ou da doula, promover a amamentação na primeira hora e não fazer o descarte da placenta.

 

É a forma natural possível que, a cada dia, leva mais mulheres a optarem pelo parto domiciliar, mesmo sem a recomendação das entidades médicas. “Não há segurança em fazer um parto em casa, sem incubadora, sem UTI, sem médico. Humanização do parto é fazer a mulher se sentir segura, no comando, respeitando direitos... Mas, no mínimo, dentro do hospital”, orienta o presidente da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia, Francisco José Costa Eleutério. Em Fortaleza, três hospitais do SUS se destacam quando o assunto é parto humanizado: a Maternidade Escola Assis Chateaubriand, o Hospital Geral Dr. César Cals e o Gonzaguinha de Messejana.


Na opinião de integrantes do Ishtar - Espaço para Gestantes, o mais importante é a mulher ser protagonista na hora de parir, onde quer que ela se sinta mais segura. E isso também inclui a decisão sobre o que fazer com a placenta.


A servidora pública Lícian Andrade, 33, mãe do Samuel, 3, e da Lua Clara, 10 meses, lembra que os dois partos foram domiciliares e o mais importante, para ela, foi a liberdade daquele momento. “Foi um dos fatores que me fizeram escolher por isso, a liberdade, por exemplo, de acolher a minha placenta, de estar em casa, com quem você quer, na posição que você quer. Dependendo da equipe e do hospital que te acompanham, isso acaba não sendo possível”, considera.


Assim como Lícian, Marcionília Pimentel, mãe de Otto, 9 meses, e Liana Queiroz, mãe da Luara, 12 e Nalu, 3, também optaram pelo parto realizado em casa. E as três “transformaram” suas placentas em “frutas”. “Queria plantar numa árvore frutífera para fazer um ciclo. Ela nutriu meu filho, voltou para a terra, dará frutos e vai nos nutrir de novo”, interpreta Lícian.


A mãe de Samuel congelou a placenta após o nascimento do filho mais velho e, quando Lua Clara nasceu, ela plantou dois pés de acerola junto ao órgão. “Eu nutri pela placenta a gratidão pela proteção e nutrição que deu ao meu filho. Não poderia descartar de qualquer jeito. Então, esse sentimento me fez guardar a (placenta) do Samuel para plantar com a da Lua Clara”, explica.

 

Ciclo natural

Na primeira gestação de Liana, há 12 anos, o parto acabou não sendo feito como ela desejava. Mas com Nalu, a caçula, além do parto humanizado, Liana também conseguiu guardar a placenta para celebrar sua simbologia junto à família. “Isso envolve toda a consciência corporal que você tem e sua relação com a natureza. Isso é até aprendizado para a criança, que percebe essa interação com o ciclo da natureza”, relaciona.

 

Quando Nalu completou um mês, Liana a levou, com o marido e a filha mais velha, para jogar a placenta no mar. “Moramos na praia, meu marido é surfista e Nalu é um nome havaiano, que quer dizer onda”, reflete.


Para Marcionília, tanto o parto domiciliar quanto a relação com a placenta são encarados de forma simples. “O parto é uma questão de confiar e se entregar à própria natureza. A minha visão sobre a placenta é a que eu tenho respeito porque ela nutriu e protegeu meu filho, sendo um elo entre nós. Mas vejo também como um ciclo natural. Na minha casa, eu não jogo nada orgânico no lixo, por que vou fazer isso com a placenta, que é cheia de nutrientes?”, define. Dessa maneira, no dia seguinte ao nascimento de Otto, a placenta foi plantada junto a um pé de cajueiro. (Sara Oliveira)

 

SAIBA MAIS

O Ishtar - Espaço para gestantes promove uma série de encontros e orientações sobre parto humanizado. O grupo teve início em setembro de 2007, em Recife, quando três amigas somaram experiências de maternidade.


Em Fortaleza, o Ishtar atua desde 2009 e já promoveu mais de 60 encontros gratuitos sobre o tema. O grupo mantém uma página no Facebook (www.facebook.com/espacoishtar) e mais informações também podem ser obtidas pelo e-mail ishtarfortaleza@gmail.com.

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espaço do leitor
silvania 14/09/2014 12:57
Não sei se as pessoas sabem, mais a placenta pode ser doada para pesquisas. isso ajudará no tratamento de varias doenças e na descoberta de curas e tratamentos. seria bom uma reportagem sobre isso.
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