MATERNIDADE E NOVOS COMPORTAMENTOS 14/09/2014

Outros sentidos da placenta

Para algumas mães, a placenta significa mais do que um órgão e ingeri-la representa o elo com o filho. O assunto e a prática têm provocado polêmica
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Sara Oliveira saraoliveira@opovo.com.br
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Ter um filho faz as palavras sumirem. Mareja os olhos de emoção. São mais do que nove meses. É mais do que pode ser explicado. Parir, dar à luz, nascer... Gestar é também um processo biológico repleto de fenômenos adaptativos físicos, hormonais e bioquímicos, determinados pelo crescimento do bebê e da placenta. Este será o órgão que alimentará, protegerá e fornecerá oxigênio à vida que começa a se desenvolver. E, para algumas mães e pais, significa mais.

 

“A placenta acaba assumindo um significado diferente. Como se fosse um símbolo dessa caminhada. Então, a minha relação com a placenta simboliza todo o processo que eu vivi de um jeito diferente”, compreende a psicóloga e mãe do Benki, 3, Carla Weyne, 33.


Para a mãe da Luara, 12, e da Nalu, 3, a bióloga e doula Liana Queiroz, 33, a placenta é ainda mais significante pela relação entre o processo de criação e função do órgão. “O fato de ter um papel tão complexo e por ser formado tão rapidamente o faz extraordinário”, ratifica.


Assim, vasos sanguíneos, tecidos e células viram mais do que biologia e descrições. Ganham outros conceitos ligados à afetividade. E há diversas maneiras de traduzir os sentimentos em relação à placenta. Plantar para colher frutos. Registrar lembranças através de imagens. Desenhá-la a partir do formato gráfico de uma árvore. Não desfazer a ligação entre o órgão e o bebê de forma abrupta. Escrever agradecimentos. Ingerir em busca de benefícios orgânicos e para interiorizar a significância espiritual do órgão que esteve ao lado do bebê até a hora de ele ver o mundo mais de perto.


As ações e concepções de mães e pais em relação a este anexo embrionário dos mamíferos podem ter raízes seculares. Culturas, rituais e tradições. África, América Central, México, Sudão, América do Norte, Estados Unidos, Europa... Relatos dão conta de que aquilo que se faz após o parto com a placenta se baseia em experiências, pensamentos e história. Entre os tantos usos e crenças, comer a placenta acaba sendo o mais polêmico. Assusta a quem ouve falar. Repulsa quem visualiza a imagem do órgão. É fato: a grande maioria das pessoas nunca ouviu falar sobre a prática. E, neste contexto, destaca-se que não há nenhuma comprovação científica de seus benefícios.


Há algumas semanas, em Natal (Rio Grande do Norte), uma mulher foi acusada de louca e um médico declarou abrir mão da obstetrícia após uma sequência de acontecimentos, interpretações e estranhezas. De acordo com relatos publicados na imprensa, uma mãe, após planejar um parto humanizado, precisou fazer uma cesariana e discordou de muitos métodos utilizados no hospital. Ela decidiu ainda ingerir parte da placenta, o que deixou o obstetra que a atendeu e outros profissionais surpresos.


O Ciência & Saúde aborda o tema que vem gerando polêmica no País e que se mostra, para algumas mães, como o fechamento natural de um ciclo. Nesse retrato de sentimentos e crenças que envolvem o nascimento dos filhos, os médicos orientam como lidar com uma realidade que ainda não recebeu o respaldo científico.


A reportagem ouviu também antropólogos - que demonstram o grande abismo existente entre entre crenças individuais e a Ciência - e procura esclarecer ainda que direitos têm a mãe em relação à posse da placenta.

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