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Homenagem 15/02/2013 - 17h16

Saudades de Ivonete Maia

Há um ano, repousa no panteão das letras imortais do jornalismo cearense
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Saudades de Ivonete Maia

Kamillo Silva - Filho de Jaguaruana. Historiador.


Há um ano, repousa no panteão das letras imortais do jornalismo
cearense, nossa querida conterrânea Maria Ivonete Maia.

A mulher que rompeu diversos paradigmas em sua trajetória pelas
páginas dos periódicos da capital alencarina, nos deixou no dia 14 de
fevereiro de 2012, órfãos de sua presença física, de suas palavras
doces e diretas, de seu exemplo profissional, de sua companhia
agradável, coerente e incansável.

Para que as novíssimas gerações não tenham a ousadia de se esquecer do
exemplo de Ivonete, uma grande turma de professores, escritores,
admiradores da gentil senhorita tem a notável missão de fazer lembrar
como a jornalista amou sua cidade natal, Jaguaruana e seu Estado.

Com o coração dividido entre a residência dos pais, localizada no
Sítio Volta e a casa da família, situada à Rua Padre Rocha, Ivonete
transladou-se no início de sua vida para a cidade de Fortaleza, onde
exerceu o ofício do jornalismo. Iniciou os trabalhos nas páginas de O
Nordeste, periódico da arquidiocese, passou como free em outros
jornais e estacionou na década de 1970 em O Povo, onde trabalhou e
aprendeu a lida com nomes expressivos do jornalismo cearense tais como
Raimundo Costa, Cid Carvalho e Adísia Sá.

Formou-se em letras e defendeu monografia de pós-graduação no mesmo
curso. Com orgulho, fez parte da primeira turma de jornalismo da
Universidade Federal do Ceará. Tempos depois, como professora da
instituição, assumiu a chefia do curso e a coordenação do
departamento. Dividia o trabalho na academia com as matérias para O
Povo, onde foi responsável pela página de educação do periódico por
quase vinte anos.

Na UFC foi uma das fundadoras da Rádio FM universitária e mais
recentemente, em 2007, convidada pelo então reitor Ícaro Moreira de
Sousa, criou e assumiu a Ouvidoria da universidade por dois mandatos.

Na década de 1980 tornou-se a primeira mulher do país a presidir um
sindicato de jornalistas. Mais recentemente, foi levada novamente à
presidência do órgão e desde 2010 era presidente da ACI – Associação
Cearense de Imprensa, pela segunda vez, em mandato reeleito.

Foi esta mulher de quem ouvi falar, nos bancos da então Escola de 1º
Grau Manuel Sátiro, através do meu estimado mentor, Prof. Océlio
Carvalho. Para mim, foi um grandioso orgulho ouvir tal história e
passar a admirar alguém vivo, de notável escrita, cuja contribuição
não era apenas para os jornais, mas também para vida da minha cidade.

Pouca gente sabe mas foi através da influência da jornalista Ivonete
Maia que Jaguaruana recebeu a expansão da rede de abastecimento de
água em 1995. Em 2004, quando torrenciais chuvas danificaram a ponte
que liga a CE-263 à nossa cidade, localizada entre as comunidades de
Cardeais e Sargento, comumente chamada de Ponte do João Gomes, foi o
artigo de Ivonete no Jornal O Povo que trouxe DERT para promover o
conserto dos sustentáculos da importante edificação.

Nos últimos dias, antes de partir, Ivonete tinha vários projetos. Na
ACI, trabalhava pela reestruturação do prédio. Passou o bastão da
Ouvidoria da UFC para o também amigo e ex-aluno Agostinho Grosson. Em
Jaguaruana, promoveu e acompanhou a reforma e manutenção da Igreja
Matriz de Santana, peça de distinta devoção e de merecido
reconhecimento no currículo da professora.

Foi ainda Secretária da Educação de Jaguaruana, assessora de imprensa
da prefeitura de Fortaleza, na administração de Maria Luiza Fontenele,
professora de todos os jornalistas que se sentaram nos bancos do curso
de comunicação da UFC nos últimos 30 anos. Para a família, Ivonete foi
tia adorável de dezenas de sobrinhos e sobrinhas, irmã presente de
mais de uma dezena de irmãos, filha dedicada e amável até o fim dos
dias da vida terrena de seus pais.

Esta Ivonete nem todos conheceram.

Ivonete partiu vestida de flor, como seu espírito teimava em ser. Fez
centenas de olhos verterem lágrimas e centenas de bocas mostrarem
sorrisos. Afinal, no dia 14 de fevereiro último, a mulher
definitivamente vencia a doença e carimbava, por conseguinte, as
páginas da história com seu nome, seu trabalho e seu exemplo.

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