[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] República Velha O POVO
Valdemar Menezes 09/06/2013

República Velha

Compartilhar

 

As redes sociais fervilham de perplexidade e inconformismo com a notícia de que o ex-comandante da Guarda Municipal de Fortaleza, o major da Polícia Militar Plauto de Lima, está sendo alvo de um inquérito militar por ter dado uma entrevista ao O POVO, na qual afirmou que fora “convidado” a se transferir para o Batalhão da PM de Juazeiro do Norte, cidade distante 493,4 km da capital, e que a transferência “parece represália a algo”. A imposição de sua saída do comando da Guarda Municipal ainda não está explicada. Com a nova medida contra ele, cresce nas redes sociais a convicção de que o militar está sendo vítima de perseguição. Personalidades destacadas da comunidade fortalezense, inclusive do meio acadêmico, têm-se expressado numa rede de solidariedade ao militar, que é um dos raros oficiais da PM com livre trânsito em todos os segmentos da sociedade civil. É difícil entender as razões que levam as autoridades a colocar no ostracismo justamente um dos raros quadros que ainda atuavam como ponte entre a PM e a sociedade civil. Baixou o espírito da República Velha no Ceará?


TRADIÇÃO

Durante a oligárquica República Velha, o povo reagiu várias vezes a situações sentidas como opressiva a qualquer pensamento discordante. Não apenas o atrabiliário Nogueira Accioly colheu os resultados da ira popular. O último daquele período a sentir o mesmo foi Matos Peixoto, apeado do poder pela Revolução de 30, num ato aplaudido entusiasticamente pelo povo. Um parêntese curioso: quando de sua derrubada, o poeta e orador Quintino Cunha liderou o quebra-quebra de placas da então avenida Washington Luís para rebatizá-la com o nome do revolucionário João Pessoa – que persistiu até hoje. Dessa forma, o atual movimento popular “Os aparecidos políticos” (que vem rebatizando praças, ruas e monumentos que levam nomes de figuras-símbolo da ditadura de 1964, em Fortaleza) faz parte de uma tradição popular mais antiga da Cidade.

 

MEIO AMBIENTE

A Semana do Meio Ambiente trombou, em Fortaleza, com a abertura da licitação da contestada ponte estaiada sobre o Parque do Cocó. A ferro e a fogo a obra será levada avante, apesar de toda a argumentação de especialistas sobre sua inadequação ao fim que se propõe: desafogar o trânsito da avenida Washington Soares. E o que dizer dos prejuízos que trará ao sistema ecológico do Parque - não apenas ao mangue, mas, também à fauna (principalmente às espécies de aves que ali buscam refugio)? Ainda bem que nem tudo foi tristeza: pelo menos se anunciou alguns avanços no combate à poluição sonora, com a ação da Prefeitura de Fortaleza contra os paredões de som. Esse é um problema que afeta pessoas de todas as camadas sociais. Foi o que evitou que a Semana do Meio Ambiente terminasse em frustração total.

 

TOQUE DE RECOLHER

Os aborrecimentos a que estarão submetidos os já estressados fortalezenses com as medidas de segurança em torno do Castelão, durante a Copa das Confederações, não estão no gibi. Até enterros no Parque da Paz, e atendimentos a pacientes do Hospital Sarah Kubistchek estão ameaçados de suspensão, em nome da ordem. Grande parte da Cidade está se perguntando por que tem de se alegrar com um evento que está fazendo de sua vida um suplício? Que diabo de lazer é esse que para ser efetuado submete parte da população a um virtual estado de toque de recolher? Pior para quem mora nas adjacências ou é obrigado a transitar pelas cercanias do estádio: terá de ter uma espécie de passaporte de deslocamento, como se o País estivesse ocupado por força estrangeira.

 

COCAR DE GUERRA

A investida dos ruralistas para estancar a política de demarcação das terras indígenas radicalizou-se. Voltou também a cantilena de que os índios “têm terras demais”, apesar dos antropólogos já terem explicado porque os indígenas precisam de largas extensões de terra (aliás, são seus donos originais). Pressiona-se o governo para anular o papel da Funai. A tática, agora é incluir mais outros atores na definição da demarcação. São segmentos representativos dos ruralistas e de ministérios econômicos. Com isso, os antropólogos e outros cientistas ficarão minoritários e assim as “razões econômicas” e as “razões de Estado” (que em última instância são a mesma coisa, já que o Estado não é neutro) prevalecerão. Só que mexer com índios, nestes tempos de tribunais internacionais de direitos humanos, é tiro no pé.

 

DEGENERAÇÃO

O presidente Barack Obama rendeu-se totalmente ao esquema classificado por um de seus antecessores (Dwight Einsenhower) como “complexo industrial-militar”. Resolveu dar continuidade à política de garroteamento dos direitos civis, iniciado por George W.Bush (pois no campo externo já havia fracassado na abolição das prisões clandestinas, no uso da tortura contra prisioneiros de guerra e no assassinato seletivo de desafetos dos EUA). Uma decepção. Agora, não apenas os jornalistas, mas a população tem seus telefonemas e seus e-mails espionados pelo serviço secreto americano. Não precisava maior vitória para os terroristas. É a degradação cada vez maior da democracia americana que, aliás, não é novidade já que apoiou ditaduras e derrubadas de governos democráticos, na América Latina e, inclusive assassinatos de líderes populares - bem antes da Guerra Fria: basta lembrar Pancho Villa, Zapata, no México, e o general Sandino, na Nicarágua, dentre outros.

 

Compartilhar
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor:

Valdemar Menezes

RSS

Valdemar Menezes

Valdemar Menezes

Escreva para o colunista

Atualização: Domingo

TV O POVO

Confira a programação play

anterior

próxima

Fortaleza

  • Em Breve

    Ofertas incríveis para você

    Aguarde

Erro ao renderizar o portlet: Caixa Jornal De Hoje

Erro: [Errno 13] Permission denied: u'/home/presslab/public_html/ns142/arquivos/imgs/capas/2019-01-17_capa_populares_prez-61-77.jpg_tmp'

Newsletter

Receba as notícias da Coluna Abidoral

Powered by Feedburner/Google

Mais comentadas

anterior

próxima

O POVO Notícias | Colunas O POVO | Valdemar Menezes