script 07/03/2012 - 01h30

A Invenção de Hugo Cabret 3D e Drive

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Um Sonho Iluminado

 

Você entra numa sala escura, escolhe um lugar para sentar e uma luz é projetada numa grande tela branca. Como um convite a um sonho iluminado. Esso é a alma de A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011) do mestre Martin Scorsese, que desde a primeira cena faz com que o espectador, de forma imersiva, faça parte da magia do cinema.


Na Paris da década de 30, o órfão Hugo Cabret (Asa Butterfield, ótimo) vive escondido a cuidar dos relógios da estação de trem e a cuidar dos relógios da estação e em busca da reconstrução de um autômato (ou pequeno robô) deixado por seu pai. Na incessante tentativa de achar respostas conhece a garota Isabelle (Chloe Grace Moretz, doce) que o leva a descobrir o segredo cinematográfico de Papa George (Ben Kingsley, divino).


"Os filmes tem o poder de captar os sonhos." (George Méliès)

 

Scorsese abre mais uma obra prima com sua câmera em primeira pessoa, nos movimentando através da estação de trem em Paris que abriga Hugo Cabret. Quase podemos sentir a neve cair do céu e a fumaça que paira no ar. Compartilhamos o olhar curioso de Hugo através das passagens mágicas, do tempo e do espaço.


Repleto de movimento, de profundidade narrativa e com o uso devido da tridimensionalidade, somos tragados para um álbum vivo de imagens mágicas e de atmosfera artística perfeita. Fiel em sua concepção original de livro infantil sua fotografia de sonho é viva, vibrante e de beleza embasbacante complementado por uma direção de arte e cenários soberbos. Além dos belos figurinos. Em suma, tecnicamente perfeito. E artisticamente louvável.


"Ir ao cinema era como ter sonhos no meio do dia." (Hugo Cabret)

 

Como a própria Isabelle diz, se a livraria é uma mistura de Oz + Terra do Nunca + Ilha do Tesouro, acrescento que o próprio filme é tudo isso + um quê de Pinóquio, com a importante função condutora do autômato na trama. A Invenção de Hugo Cabret é como uma engrenagem mágica, em sua grandiosidade de imagens e num elenco coeso.


Até Sacha Baron Coen está perfeitamente dividido entre o caricato (em seu trabalho de inspetor da estação – com o inseparável cachorro) e o contido (no quesito coração). Temos ainda a preciosa participação de Jude Law (o pai de Hugo), o eterno Christopher Lee (o Monsieur Labisse da livraria), a doçura de Emily Mortimer (a florista) e a brutalidade de Ray Winstone (tio Claude).

 

Com cenas inesquecíveis por quase todo o longa, vide as reações no cinema (mudo!), o pássaro dentro de uma caixa e os desenhos voando (como se fossem vivos), a sequencia cinematográfica do trem na estação (e o sonho do sonho), a livraria e a Academia de Cinema, a exibição de Viagem à Lua (de George Méliès), a compreensão do mundo aos olhos de uma criança e como essa mensagem (do pai) iluminou o seu caminho.

 

"Venham sonhar comigo." (George Méliès)

 

NOTA: 10,00


INFORMAÇÕES ESPECIAIS


Filmografia premiada de Martin Scorsese: Venceu o Oscar de filme e diretor por Os Infiltrados (2006), também indicado ao Globo de Ouro de filme (drama) e pelo qual venceu o prêmio de diretor; Indicado ao Oscar de filme e direção, vencedor do Globo de Ouro de filme (drama) e indicado à diretor por O Aviador (2004); Indicado ao Oscar e Globo de Ouro de filme, direção e roteiro adaptado por Os Bons Companheiros (1990); Venceu o Globo de Ouro de diretor por Gangues de Nova York (2002), também indicado por filme (drama) e ao Oscar de filme e diretor; Indicado ao Globo de Ouro de diretor por Cassino (1995); Indicado ao oscar de roteiro adaptado e ao Globo de Ouro de filme (drama) e diretor por A Época da Inocência (1993); Indicado ao Oscar de diretor por A Última Tentação de Cristo (1989); Indicado ao Oscar e Globo de Ouro de filme e diretor por Touro Indomável (1980); Venceu o prêmio de diretor e concorreu à Palma de Ouro em Cannes por Depois de Horas (1985); Venceu a Palma de Ouro em Cannes por Taxi Driver (1976); Concorreu à Palma de Ouro em Cannes por Alice não mora mais aqui (1974); Concorreu à Palma de Ouro em Cannes por O Rei da Comédia (1983); Concorreu ao Urso de Ouro em Berlim por Cabo do Medo (1991); por A Invenção de Hugo Cabret (2011) venceu o Globo de Ouro de direção;

 

O Cavaleiro Solitário


Durante o dia o protagonista divide seu tempo entre ser dublê-motorista de filmes e mecânico de oficina. Á noite dirige o carro de fuga para criminosos. Uma sinopse como essa daria algo entre um Grindhouse ou no máximo um filme de ação safado tipo Supercine.

 

Mas estamos falando do incrível, fantástico e superlativo Drive (Idem, 2011) ou algo como um Taxi Driver (1976) dirigido por Quentin Tarantino. E a obra de Nicolas Winding Refn, que ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, também tem algo similar ao filme de Martin Scorsese com uma verve tarantinesca. A violência estilizada, seu personagem calado, mas forte (numa estupenda atuação de Ryan Gosling) e em busca de justiça, um roteiro redondo e a esnobada geral do Oscar.


"Há milhares de ruas nesta cidade. Diga a hora e o lugar e te dou um tempo de cinco minutos. Haja o que houver nesses cinco minutos, estou à disposição. Seja o que for. Mas o que houver após esses cinco minutos está por sua conta." (Ryan Gosling)


Sempre de Palito na boca, ele quase não fala. E nem precisa de um nome. Ele é apenas "o garoto". Sua apresentação na primeira sequência é perfeita, enquanto a batida da trilha instiga o desdobramento da ação milimetricamente estudada. Alí está desenhado quem (e como) guiará não apenas o volante, mas toda a trama do filme.


Nem quando está em ação "o garoto" demonstra reação. É frio e calculista. Até quando a explosão de violência é necessária seus movimentos são calculados. Milimétrico. Até sua paixão é silenciosa. Quase platônica. O perigo está ali estampado na alma dos dois, quando se olham no elevador. O amor é expresso em olhares, e, naquele momento não há nada mais perigoso. Aqui a sutileza é a base. Uma mão ao passar a marcha. Um sorriso no canto da boca de Carey Mulligan. Ele nem pisca. Nem precisa.


A fotografia é precisa e reflete seus momentos distintos. Na presença dela, as cores são quentes, como ao avistá-la no supermercado ou quando chega com o carro enguiçado. Nos seus trabalhos (de motorista e mecânico), há muitas sombras e alguma escuridão. E dá-lhe a trilha de Cliff Martinez a pulsar entre a melancolia e a tensão de uma narrativa objetiva, seca e sincera.


Palmas para Ryan Gosling ou "o garoto". Um monstro. Um samurai do volante. Um cavaleiro solitário. Um motorista que defende os fracos e oprimidos. E que está muito bem acompanhado no elenco. Mulligan é a doçura em formato de mulher. E mesmo para uma pessoa tão fria, quem não se apaixonaria?


Bryan Cranston faz com gosto um eterno perdedor (Shannon) que ainda crê na vitória final. Um magnífico Albert Brooks estende a mão à Gosling ao tentar cumprimentá-lo e escuta "minhas mãos estão meios sujas (de graxa)", mas se traduz maleficamente na própria fala ao respondê-lo: "as minhas também". Christina Hendricks é personagem acessório como a parceira no crime Blache, Ron Pearlman um intimidador Nino e Oscar Isaac como o sofrido Standard.


E com confrontos tão tensos quanto carregados no tom da imprevisibilidade, o perfeito Drive dá um nó na garganta e deixa o espectador igual ao seu protagonista: não dá chance nem para piscar. NOTA: 10,0


INFORMAÇÕES ESPECIAIS: A hype pelo filme instigou também uma arte por trás da arte de Drive. Vários posters inspirados no filme foram produzidos, e com resultados que acompanham a sua obra inspiradora: espetacular, cool, cult e digno de aplausos. Alem de sua trilha sonora, ultracool, que será lançada em LP;

 

*Daniel Herculano (siga no Twitter @DanielHerculano) é estudante de Jornalismo e titular do programete #Cineminha na Beach Park FM 101.7. Crítico de cinema formado em cursos de Ana Maria Bahiana (Uol/Globo de Ouro), Pablo Villaça (Cinema em Cena/OFCS), Ruy Gardnier (O Globo/Contracampo) e Joaquim Assis (Roteirista). É graduado em Comunicação Social e assessor de comunicação d´ A+ Business Criativo.

 

> TAGS: script
Daniel Herculano dherculano@hotmail.com
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Adriano Regis 10/03/2012 21:04
Muito boa suas resenhas, so uma correção Taxi drive é de Martin Scorsese e não de Quentin Tarantino, como citado no texto.
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Alex Lima 07/03/2012 13:57
Gosto muito das suas críticas. Fico sempre aguardando suas novas postagens ... que, na minha opinião, demoram um pouco ..
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