Política 14/06/2016

O submundo eleitoral

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Érico Firmo ericofirmo@opovo.com.br


O POVO expôs no último sábado o submundo no qual é travada a primeira trincheira da campanha eleitoral. Perfis de Facebook com postagens patrocinadas disseminam informações tanto favoráveis quanto contra os candidatos mais cotados. Mais contrárias, diga-se.


Há de tudo. Sobre Heitor Férrer (PSB), há desde postagem afirmando que ele teria assegurado financiamento com “aliado de (Eduardo) Cunha e (Michel) Temer” até uma em que ele teria proposto usar carne de jumento na merenda escolar. No primeiro caso, o aliado em questão é o presidente do PSB no Ceará, Danilo Forte. É natural que o presidente do partido articule recursos para a campanha. Outro texto fala de “série de desequilíbrios”, que teria provocado perda de confiança de aliados.


Sobre Capitão Wagner (PR), uma postagem fala que policiais estariam se sentindo traídos por sua aliança com Tasso Jereissati (PSDB). “Uma vela para Deus e outra para o diabo?”, indaga o texto. Outro perfil fala do desgaste pela vinculação com agentes penitenciários acusados por mortes em presídios. Uma série de perfis, pretensamente favoráveis, tem feito a vinculação dele a Michel Temer (PMDB), presidente em exercício, e Aécio Neves (PSDB). A assessoria de Wagner tem divulgado mensagens rejeitando qualquer relação dele com tais perfis.


Roberto Cláudio (PDT) não apenas é alvo de postagens como de perfis inteiros, como o “Fortaleza sem prefeito” e o “Fortaleza abandonada”.

 

Há perfis que até tratam de outros assuntos. Porém, apenas os links relacionados a determinados candidatos aparecem como patrocinados – ou seja, pagam ao Facebook para aparecer mesmo para quem não segue os perfis.


A maioria são negativos, mas há os favoráveis. Há, por exemplo, um no qual Wagner conta sua história, fala da família. E há o perfil “Sou mais Roberto Cláudio”, que exalta o trabalho do prefeito. Alguns agem de forma aberta e pública. Vários são anônimos, clandestinos. Não é difícil identificar os responsáveis. A maioria configura campanha antecipada, positiva ou negativa. Muitos são tão descarados que o efeito é bastante duvidoso. De qualquer forma, prenunciam o tom de uma campanha que promete ser bastante suja, usando os mais modernos meios para os mais atrasados fins.


Para ler a matéria do O POVO, assinada por Daniel Duarte, acesse este link: http://bit.ly/campanhaataques


AS RAÍZES DA VIOLÊNCIA

A violência física nasce da violência simbólica. O ativismo contra machismo, racismo e homofobia muitas vezes é repelido com o muxoxo: “O mundo está ficando muito chato”. Não é “chatice”. É a vida das pessoas que está em jogo. A queixa demonstra quanto incomoda o combate a pequenos gestos cotidianos, constituintes da argamassa da ideia de que gays, negros e mulheres são motivos de graça, de chacota. Isso amplificado se torna ódio. No extremo, tem-se o horror do último domingo. Mas tudo isso tem uma origem comum.
BRYAN R. SMITH/AFP
Cartaz pede: "Pare com o ódio"

 

O que se viu em Orlando foi a faceta extrema de sentimentos expressos nas pequenas violências cotidianas. Na rejeição, exclusão, ridicularização. Agressões tão frequentes. Muitas vezes, a crítica à homofobia, ao racismo e ao machismo é repelida como parte do enfrentamento ideológico. O combate ao preconceito é tratado como coisa “de esquerda”. Mais uma vez, insisto: é a vida das pessoas. É muito mais que futricas politiqueiras de Facebook.


Outra perspectiva que vem sendo adotada é usar o crime de ódio para fomentar outros ódios. Volta-se o alvo para os muçulmanos, como de hábito. Claro que o terrorismo está na raiz da explicação para gesto tão extremo. No caso, terrorismo islâmico. Assim como há terrorismo cristão, por exemplo, na Irlanda. Nem um nem outro justificam colocar a pecha em todos os adeptos de determinada religião. A questão, penso eu, é combater o ódio, não fomentar ainda mais.


OS LIMITES DO OPORTUNISMO

Por falar nisso, é inacreditável, o apresentador de TV e candidato a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta inacreditavelmente surfar na onda. Ele, cujo discurso homofóbico, xenófobo e misógino é conhecido. Sua proposta, claro, é propagar mais ódio e construir mais barreiras. No caso, pretende banir muçulmanos dos Estados Unidos.

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