[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Toda dança de Karla Karenina O POVO
Gênios da raça 13/07/2013

Toda dança de Karla Karenina

A atriz Karla Karenina não cabe numa identificação só. A carreira, projetada nacionalmente pela personagem Meirinha, é costurada por uma história de vida encantadora
FOTO: SARA MAIA
No centro Grão da Vida, onde atende como terapeuta, Karla fala de como a dança sempre esteve presente na sua vida
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A atriz, poetisa e terapeuta de regressão Karla Karenina carrega em si um tanto de coragem, ousadia, sorte e muita sensibilidade. Seu nome ganhou projeção nacional com a personagem Meirinha, quando participou da célebre Escolinha do Professor Raimundo, programa de Chico Anysio na TV Globo.


Nascida de uma brincadeira, quando Karla ligou cheia de gaiatice para o número 145, o “disque amizade”, Meirinha foi sendo construída a partir da reação das pessoas, das dúvidas a respeito de quem era e de onde vinha aquela personagem de voz anasalada e sotaque abertamente cearense.


Aos 46 anos, Karla conclui que sua vida é pautada por desafios. Ao longo da carreira acumulou atividades diversas e pode-se dizer que ela é também cantora, bailarina, karateca, coaching, professora, voluntária, mãe, dona de casa. Daí o nome do espetáculo Colcha de Retalhos que ela apresenta no próximo dia 18, no Ideal Clube, em comemoração aos 25 anos de carreira.


Na TV, a trajetória evoluiu rapidamente. Em 1992, quando mantinha a atração Meirinha 13 horas, na TV Ceará, Karla soube de um produtor de São Paulo que havia gravado e levado consigo registros de sua performance. Foi o ponto de partida para chegar aos programas de Amaury Jr. e Xuxa. No retorno a Fortaleza, disse ao então governador Ciro Gomes que não podia continuar na TVC. Uma decisão que mudou o destino de sua carreira.


“Ele me perguntou se eu tinha tido contato com o Renato Aragão, com o Chico Anysio. Quando eu disse que nunca tinha falado com Chico, ele pediu pra secretária ligar naquele momento para a casa de Chico Anysio! A mão começou a esfriar, me deu um passamento! Fiquei muda, calada. Quando ele atendeu, Ciro disse: ‘Chico, estou aqui com uma moça que faz muito sucesso em Fortaleza, é um talento que não cabe mais no Estado. Queria que você olhasse o trabalho dela, é muito engraçada, peraí que eu vou passar o telefone! (risos)”.


Tomada pelo susto e com a voz fina, trêmula, Karla atendeu. “Oi Chico, tudo bem’. E isso o Ciro me cutucando e pedindo que eu fizesse a voz da Meirinha. E eu toda me tremendo: ‘Ah, seu Chico Anysio, tô muito nervosa, macho, de falar com o senhor’. E ele, rindo do outro lado, perguntou se era a mesma pessoa que Ciro tinha passado a ligação e pediu que eu mandasse uma fita pra casa dele”.


Certa manhã, Karla é acordada por Lafaiete, que trabalhava em sua casa. “Karla, chega mulher, o Chico Anysio tá no telefone’. E eu tinha um amigo que ligava só pra frescar com ela: ‘Lafaiete, diga para Karla que foi o Stratovarius que ligou’, só pra ver a bixinha passando o recado. Mas era o Chico, me cobrando a fita!”. Dez dias depois de enviar a VHS, o próprio Chico Anysio telefona para sua casa. “Está preparada para vir para o Rio de Janeiro?”.


Da televisão, Karla Karenina conquistou o cinema. Atuou em cinco longas, entre eles Onde anda você (Sérgio Rezende, 2004), Área Q (Gerson Sanginitto. 2011) e Cine Holliúdy (Halder Gomes, 2013), além de três curtas.


Infância, discos e quadros

A aproximação com as artes se deu de forma natural. Seu pai, o linguista e filólogo José Alves Fernandes, mantinha uma biblioteca onde a menina brincava com suas bonecas. “Ali, eu via Dom Quixote, Florbela Espanca... Aquilo foi povoando minha imaginação. Depois do almoço, papai sempre pedia pra eu botar o disco na radiola e eu ficava ali, viajando”.

 

Brincava de se ver no vidro da TV, dando entrevista para Leda Nagle no Jornal Hoje, “já falando da minha carreira! Isso me fez crer que a gente não pode dizer para uma criança que isso ou aquilo é bobagem. Sonho de criança é coisa muito séria”.


Trabalhos sociais

Talvez poucos saibam, mas Karla Karenina sempre esteve ligada a projetos sociais. Passou de madrinha a vice-presidente do Iprede. Com Meirinha, apresentou-se esporadicamente entre os anos de 1992 e 1996 no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), onde aproximou-se de detentos como Idelfonso Maia Cunha, o Mainha, e Antônio Carlos Souza Barbosa, conhecido como Carioca, responsável pelo sequestro de dom Aloísio Lorscheider. “Nunca fui pra lá com câmera. Eles diziam que me respeitavam porque eu não ia pra aparecer”.

 

Mas o trabalho social não termina por aí. Desde 2005, Karla e Meirinha participam das ações do Morhan (Movimento de Apoio às Pessoas Atingidas pela Hanseníase), viajando pelo País, divulgando o programa, alertando para os sintomas e tentando reduzir o preconceito em torno da doença.


Em casa, Karla gosta de ouvir Caetano, sentar na varanda observando o crescimento do Ipê amarelo. “Minha casa é a minha maior loucura e a minha maior certeza. E não é um espaço tão grande, mas eu noto que da minha rua é a casa mais verde. É a casa amarela mais verde. É o meu país”, desenha Karla. Ali, plantou pau-Brasil, capim-santo, manjericão. Cuida de duas cachorras e sete gatos, uma casa viva de movimento e alegria, como ela poetiza. “É uma casa simples, de estilo rústico. Um exercício para sempre me manter com os pés no chão. E é bom estar ancorado na nossa essência”.

 

> TAGS: karenina karla
Elisa Parente elisa@opovo.com.br
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