[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Falcão: com a lapela virada para o sol O POVO
Gênios da raça 04/05/2013

Falcão: com a lapela virada para o sol

Um final de tarde no Flórida Bar e uma conversa cheia de graça com o humorista e cantor Marcondes Falcão Maia
FOTO: TATIANA FORTES
Marcondes Falcão Maia: o arquiteto que fez da molecagem profissão prepara seu quinto disco
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Irreverência, esculhambação, molecagem, gaiatice. Os adjetivos que desenham a identidade falcônica de Marcondes Falcão Maia, 55, são apenas um traço do pai, músico, arquiteto e humorista natural de Pereiro, no interior cearense. Por estes dias, Falcão está em Fortaleza. Veio gravar quadros do “talco show” Leruaite, exibido na TV Ceará, e aproveitou para dar uma passada no principal reduto de suas amizades: o número 54, da Rua Dom Joaquin, na Praia de Iracema. Melhor dizendo, o Flórida Bar.

 

“Começou no Flórida por causa da livraria Livro Técnico do Sérgio Braga, meu amigo de longa data. Gosto muito de livro, sou um rato de livraria. Aí comecei a andar no Flórida porque se criou uma camaradagem muito grande aqui”, reconta Falcão sobre o bar que, em 2012, completou 50 anos e passou a sediar a gravação de alguns quadros do Leruaite ou mesmo a concentração do elenco e da produção do programa antes de partirem para a emissora.


Antes de iniciar a entrevista, Falcão acomoda os “óculos de fim de tarde pra começo de noite” no rosto. Não vive sem eles, nem grava ou se apresenta sem um. Uma mostra de sua timidez? Aspecto da imagem cultivada nestes mais de 20 anos de profissão? Difícil dizer. Assim como o é tentar dissociar a figura particular daquela profissional que todos já se acostumaram.


Embora estivesse “à paisana”, alguns fãs foram chegando e timidamente apontando celulares e câmeras digitais para registrar o encontro com o ídolo. Como foi o caso de um grupo da Bahia. “Aqui no Flórida tem muita gente do turismo de negócios, que são essas pessoas que vêm pra feira de confecção da Sé. Muita gente do Piauí, Maranhão e Pará, que foram os maiores consumidores dos meus primeiros discos. Aí eles me veem aqui e querem que eu esteja com aquela roupa e cantando pra eles”, responde, achando graça.


De fato, a risada é uma marca de sua fala. Falcão não termina uma frase sem soltar uma. “A jogada é você usar do humor pra passar algum assunto sério. Porque enquanto a pessoa está rindo, vai voltar pra ouvir e entender o que eu quero dizer. Mas, por exemplo, quando vou pro casamento de uma prima minha, aí chego e o casamento para. Fica todo mundo olhando pra mim se abrindo. Agora isso mostra o carinho que o público tem comigo e a longevidade da figura, porque se fosse uma coisa efêmera, já tinha morrido na memória do pessoal”.


Falcão tem raízes fincadas no sertão. Parafraseando Audifax Rios, Falcão reconhece que saiu do Interior levando o Interior dentro de si. “Pereiro tem essa história do sossego, não sei se é porque eu sou um cara do espírito sossegado ou se foi a infância lá. E quando eu me retraio, fico mais na minha, é quando a criatividade aflora melhor”, revela Falcão, que não é carola, mas é devoto de Padre Cícero e Cosme e Damião, enveredou pelo kardecismo e deu até “uma volta na Umbanda. Mas sou um cara de ter a religiosidade mais particular”.


Formado em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Federal do Ceará, Falcão chegou a dividir por três anos um escritório de arquitetura com amigos da faculdade. Mas o início da vida artística e seu ingresso na televisão levaram a carreira para outro caminho. “Eu quis muito fazer uma estética falconética, uma coisa assim bregoriana (risos), mas no final daqueles anos 1980, início dos 1990 não tinha a cultura de se contratar arquiteto. O pessoal chamava um engenheiro, um mestre de obra, pegava as revistas Casa Claudia (risos). Eu queria fazer uma coisa assim colorida que nem a minha roupa, mas ninguém teve coragem de bancar”.


No curso da carreira, compartilhou projetos com o parceiro Tarcísio Matos, teve quatro de seus discos produzidos por Fagner e Robertinho do Recife. O mais recente está sendo preparado para lançamento em breve. “Agora ele tem um nome quilométrico. O cara que souber escrever o nome desse disco ele passa no Enem com certeza. O disco é, inclusive, uma homenagem a um programa de rádio que existia antigamente do Paulo Limaverde e se chamava ‘Sucessão de sucessos que se sucedem sucessivamente sem cessar’ (risos), mas eu ainda vou pedir autorização”.


A fama e a popularidade lhe renderam convites os mais diversos. Quase que diariamente, ele garante, há um novo pedido para que se filie a algum partido. “Querem que eu seja candidato a vereador, prefeito, até presidente já me convidaram! Essa eu não fui porque eu tive medo de ser eleito e aí a sacanagem ia ser grande (risos). Mas você pra ser político tem que ser profissional na área. Porque sou conhecido não quer dizer que eu seja político, que possa manter um mandato. Então não adianta cair de paraquedas dentro do Congresso Nacional, por exemplo, sem ter o leruaite deles lá, o mistério da coisa. Vou ficar lá feito lagartixa, só balançando a cabeça?”, questiona, para relembrar que o mais importante do trabalho do artista é “conscientizar as pessoas”.


Bate papo com o Guabiras


O POVO - Todo mundo sabe que o humor hoje no Brasil está amarrado no stand-up, cujo conteúdo é totalmente repetitivo, enfadonho e quase tudo na base da apelação. Defina, na linguagem “falconesca”, que fase é essa?

Falcão – Acho que não existe esse negócio de fase. Humor é um negócio muito universal e essa coisa da piada ser repetitiva, eu tava vendo shows do Chico Anysio da década de 1950 e ele já fazia stand-up e contava piadas que o povo novo hoje está contando. Claro que tem essa moda do Facebook, Twitter, Youtube que o cara grava e joga lá, mas é uma coisa que ainda não assentou, ninguém sabe qual é a fase que tá vivendo. Mas, com certeza, o mais importante do humor é ser fuleragem.

OP - Fale algumas curiosidades que já rolaram no seu programa Leruaite.

Falcão – Aconteceu de convidar uma pessoa achando que vai render e não dá. Tenho notado que as pessoas vão pra lá bastante nervosas, de estar diante de mim, porque acham que eu sou um mito, que vou fazer alguma sacanagem, aí chega lá e o cara não rende, fica meio intimidado. O que geralmente acontece é provocado por nós, levar o cara lá pra dar uma vaia sem o cara saber e o jeito que o cara fica sem ter onde botar as mãos (risos), depois fico arrependido de colocar o cara na situação.

 

OP - Se a revista do Falcão, aquela em quadrinhos e que saia nas bancas no começo dos anos 1990, tivesse planos para voltar, você se empolgaria com a ideia?

Falcão – Só saiu um número. Era um projeto experimental de uns amigos, mas que esbarrou na questão financeira. E eu não tinha muito tempo, eu fazia o programa da Band (Falcão na Contramão). Claro que eu gostaria muito, inclusive também sou quadrinista, queria fazer minha revista. Guabiras, se quiser, pode fazer!

 

Elisa Parente elisa@opovo.com.br
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