TECNOLOGIA 26/08/2016 - 13h31

Saiba como utilizar uma impressora 3D

Já imaginou criar roupas, objetos de decoração e até carros? A impressão 3D permite que diversos objetos sejam elaborados a partir de fios de plásticos e outros materiais
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Gabriela Custódio gabrielacustodio@opovo.com.br
TINXI/SHUTTERSTOCK

Partindo de arquivos desenvolvidos em softwares de modelagem tridimensional, as impressoras 3D constroem objetos pela sobreposição de camadas do material escolhido até que o objeto se materialize no formato projetado. Da Engenharia à Medicina, passando pela Moda e pela Arquitetura, várias áreas podem ser beneficiadas pelo uso dessa tecnologia.

Felipe Tedesco, gerente comercial da Cliever Tecnologia, empresa que fabrica impressoras 3D, explica que, hoje, o segmento que mais utiliza a técnica é a indústria de transformação. Essas fábricas podem recorrer à tecnologia para criarem diferentes tipos de produtos, desde eletroeletrônicos a brinquedos. O procedimento normalmente é utilizado para a criação de protótipos, que são as primeiras versões de teste dos produtos. Assim, o objeto impresso auxilia na tomada de decisões, ajudando a reduzir custos e agilizar o processo de desenvolvimento.

Possibilidades
Além do uso industrial, as impressoras 3D também podem ter fins domésticos. Porém, de acordo com Tedesco, essa finalidade ainda é pouco explorada pelos clientes da empresa. Ele afirma que o mais comum é as pessoas que recorrem à técnica, muitas vezes, verem nela a possibilidade de abrir um negócio. Normalmente, elas procuram o maquinário "não como hobby, mas como fonte de renda.”

A designer de produto Renata Trevisan defende que a impressão 3D materializa objetos “de forma singular” e permite que novos materiais e técnicas sejam experimentados. “Não é à toa que é chamada de a nova revolução industrial, pois mudará a forma como pensamos design, produzimos e consumimos.”

Confira, abaixo, dois exemplos de aplicações dessa tecnologia que já podemos encontrar no mercado.

BELEKEKIN/SHUTTERSTOCK
Na medicina, a impressão 3D pode ser utilizada para auxiliar cirurgias ou criar próteses

Medicina
As possibilidades de uso da impressão 3D na medicina ainda estão em desenvolvimento, mas essa tecnologia já permite muitos avanços na área. O médico radiologista Francisco Abaeté Neto já utilizou a técnica em alguns procedimentos e explica que, a partir da imagem de exames como ressonância magnética e tomografia, podem ser feitos moldes que serão utilizados para o planejamento da cirurgia ou para implantes.

Como os moldes são criados a partir das informações obtidas em exames prévios, e não durante a cirurgia, essa técnica permite que uma etapa seja antecipada. “A ideia é sempre tentar resolver o problema do paciente antes que ele esteja na mesa de cirurgia”, explica o médico. Assim, o procedimento é realizado de forma mais rápida e com menos riscos, além de a prótese ter encaixe perfeito ao corpo do paciente.

A obstetrícia é outra área que já se beneficia da tecnologia. Abaeté conta que é possível reproduzir tridimensionalmente a imagem de um ultrassom. O processo, que já foi realizado em Fortaleza com sucesso, é interessante, por exemplo, para pais com deficiência visual, já que proporciona a eles um real acesso ao exame.

Para o caso de próteses, na medicina se usa pó de titânio no momento da impressão, material que já é normalmente utilizado para implantes. Como perspectivas futuras, o radiologista cita a técnica bioprint, realizada ainda apenas de forma experimental com o uso de tecidos biológicos, o que possibilitaria, por exemplo, impressão de tecido epitelial para implante em casos de queimadura.
DIVULGAÇÃO
A marca curitibana Noiga utiliza o processo Selective Laser Sintering (SLS) e produz acessórios com pó de nylon

Moda
A técnica também pode ser utilizada por designers de moda e aplicada em roupas e acessórios. Um exemplo foi a coleção, composta por cinco peças, criada pela designer israelense Danit Peleg com uma impressora 3D doméstica para seu trabalho de conclusão do curso de graduação em Moda. A designer utilizou o FilaFlex, um filamento flexível que permitia um bom caimento do “tecido”. Após produzir as partes das peças, Danit as reuniu utilizando uma cola apropriada. Assim, criou blusas, saias e vestidos.

No Brasil, a marca curitibana Noiga une design, moda e tecnologia para produzir acessórios como anéis, pulseiras e colares. A ideia das designers de produtos e fundadoras da empresa, Renata Trevisan e Evelyne Pretti, é recorrer à tecnologia em ascensão para inovar no desenvolvimento de seus produtos. “Hoje, trabalhamos com impressão 3D, mas não sabemos com o que estaremos trabalhando daqui a cinco anos”, afirma Renata. Elas vão além do uso da impressão 3D apenas para produzir protótipos e se propõem a torná-la acessível aos clientes. “Nossa proposta é trazê-la para as mãos do consumidor final, como um produto de alta qualidade e durabilidade.”

Após testarem os processos de impressão 3D, as designer resolveram adotar o Selective Laser Sintering (SLS), por suportar um uso variado de materiais, como vidro, cerâmica e metal, permitindo a impressão de objetos mais resistentes, duráveis e com design mais complexo. Com um laser de alta potência, a matéria-prima escolhida enrijece e une as partículas, camada a camada. A Noiga utiliza pó de nylon em seu processo, pois resulta em peças leves e, ao mesmo tempo, rígidas e maleáveis.

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