DIA DOS PAIS 12/08/2016 - 11h45

Como ser um pai participativo

Para Marcos Piangers, trocar fraldas é o básico, "quero ver faltar na cerveja com os amigos" para ficar com os filhos. Autor dos livros "Papai é pop" e "Papai é pop 2" fala sobre ser um pai participativo
notícia 0 comentários
{'grupo': 'Revistas', 'id_autor': 19072, 'email': 'sabryna@opovo.com.br', 'nome': 'Sabryna Esmeraldo'}
Sabryna Esmeraldo sabryna@opovo.com.br
Divulgação
Marcos Piangers, com as filhas Anita e Aurora

" Para você, que acabou de descobrir que vai ter um filho, a melhor coisa que alguém pode te dizer, neste momento, é: Parabéns, cara. Espero que tudo seja incrível. Espero que você tenha tempo pra aproveitar tudo de perto.” É com essa frase que Marcos Piangers, jornalista, palestrante sobre mudanças tecnológicas e relações familiares, dá início ao seu livro "O Papai  é pop 2". O autor se tornou porta-voz da figura de um pai mais participativo desde o lançamento de "O papai é pop", em 2015, que vendeu mais de 75 mil exemplares, teve e-book traduzido para o inglês (Dad is cool) e direitos vendidos para Espanha e Portugal. Assim como na primeira edição da obra, na segunda, Piangers traz novamente histórias comoventes e divertidas sobre o cotidiano com as filhas Anita e Aurora.

Segundo o palestrante, que não cresceu com um pai presente, a figura paterna mudou muito nas últimas décadas. “O pai dos anos 1970, 1980, era aquele pai clássico dos filmes americanos, que trabalhava e pagava a contas, chegava cansado do trabalho, a mulher corria para entregar um whisky, um charuto, um chinelo e o cara dominava a sala, depois ia dormir. E toda a função de cuidar dos filhos, de dizer ‘eu te amo’, de levar para a escola, era da mulher”, destaca. A mudança viria, então, com a entrada cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, o que daria ao homem a oportunidade (e o dever) de entrar em um espaço antes apenas tradicionalmente feminino.

“O homem começou a romantizar, idealizar a criação dos filhos, a se aproximar desse dia a dia, participar da gravidez, do parto, do crescimento, levar na creche, escolher comida, escola, nome. Ele começou a preencher um espaço que, antes, não preenchia, e isso é surpreendente. Hoje, você vê muito homem sendo um pai mais participativo, mais presente. O homem está descobrindo essa beleza da paternidade”, afirma. 


Espaço a ser conquistado
Segundo Piangers, assim como a mulher, até hoje, enfrenta variados desafios no mercado de trabalho, o homem também está lutando pela conquista do seu espaço como pai participativo. A inclusão de seu nome no bilhetinho da escola, a existência de trocadores também em banheiros masculinos, entre outros pontos, são alguns dos desejos básicos de um pai que não simplesmente “ajuda”, mas “faz”, tanto quanto a mamãe. “Tem que batalhar para ter esses espaços”, afirma o jornalista.

Ir conquistando também, aos pouquinhos, a confiança daquela mãe que ainda tem certo receio de o pai errar em algo, é outro ponto fundamental. “Às vezes, o homem troca frauda errado, veste o filho errado, manda o lanche errado, mas é importante que a mulher dê espaço para ele aprender, deixar ele se virar um pouco, ele vai aprendendo fazendo. A quantidade de recados que a sociedade passa dizendo que o homem não precisa participar é muito grande, isso tem que ser redesenhado. Eu acho que tem algumas coisas que estão sendo redesenhadas, rediscutidas, e isso é um ponto.”


Agora sou pai

E o que muda para um homem com o nascimento de um filho? Tudo. Para Piangers, é justamente a questão de passar a amar alguém mais do que a si próprio pela primeira vez. “A gente cresce e vai achando que o mundo é para a gente. ‘Eu vou trabalhar e andar no melhor carro, comer a melhor comida’. Aí nasce um ser e você pensa: ‘vou dar a melhor comida para esse ser, meu apartamento não é para mim, tem que ser adaptado e confortável para ele, meu carro tem que ser seguro para ele. Você aprende a amar uma pessoa mais do que a você mesmo. Isso é brutal. É uma transformação absurda.”

Uma série de outros aprendizados ainda é citada pelo autor. Mais responsabilidade com o meio ambiente, pensando no mundo que vai deixar para o filho. Ser mais educado com outras pessoas, para dar exemplo ao filho. “No meu caso, que tenho duas filhas, tenho ainda mais forte essa questão de igualdade de gênero, de preocupação com o mundo para as mulheres. Se minhas filhas vão viver num mundo em que são valorizadas, tratadas de forma respeitosa, carinhosa”, explica. Segundo ele, a paternidade o mudou muito e é maravilhoso como essa participação do pai está mudando rápido. “Acho que estamos aprendendo a ser mais respeitosos, mais gentis, mais humanos, mais empáticos. A paternidade é uma forma bem assertiva de você mudar os seus valores.”

espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
500
As informações são de responsabilidade do autor:

Vídeos

Teaser da 11ª edição da Revista O POVO Cariri play

Teaser da 11ª edição da Revista O POVO Cariri

anterior

próxima

ACOMPANHE O POVO NAS REDES SOCIAIS