REVISTA O POVO CARIRI 11/07/2016 - 14h21

A força do empreendedorismo familiar

O talento passou de mãe para filho. Não só na área da Farmácia e Bioquímica e dos exames laboratoriais, mas também no gosto pelo empreendedorismo. O diretor executivo do Laboratório Vicente Lemos, João Hallisson Lemos Carvalho, conta como deu continuidade e fez prosperar a sucessão familiar
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Gabriela Meneses gabrielameneses@opovo.com.br

João Hallisson Lemos Carvalho e Ana Lúcia Lemos Carvalho não têm apenas os sobrenomes em comum. Mãe e filho compartilham da mesma habilidade, ambos formados em Farmácia e Bioquímica, e do mesmo entusiasmo pelo empreendedorismo. Ela, fundadora do Laboratório Vicente Lemos, hoje uma das maiores redes em análises clínicas da região Cariri, presente também em outros dois estados (Pernambuco e Piauí), e ele o atual diretor executivo da empresa, protagonizam uma história de sucessão familiar que deu certo.

Mesmo na correria de tocar um laboratório com 16 unidades, que atua em diversas áreas – Bioquímica, Hematologia, Microbiologia, Imunologia, entre outras –, e cerca de 170 profissionais, os dois também compartilham da simplicidade, do aconchego, da preocupação em fazer o cliente, o paciente, o colaborador ou quem quer que esteja por perto se sentir em família. Até o nome, Vicente Lemos, não poderia ser diferente. É uma homenagem ao avô de João Hallisson, pai de dona Ana Lúcia, que deixou a herança de formar alguns dos 12 filhos que teve.

E foi neste mesmo clima familiar e de entusiamo que João Lemos recebeu a equipe da revista O POVO Cariri para uma entrevista e uma visita à sede do Laboratório Vicente Lemos, no centro do Crato. Ele conversou sobre o início do laboratório, os investimentos em tecnologia, a expansão, premiação e os desafios de levar à frente um negócio de sucesso iniciado pela mãe, com muita competência e dedicação.



O senhor estudou fora, em Natal. Fez curso de Farmácia e Bioquímica. Essa escolha foi influenciada pela vivência no laboratório?
Minha mãe nunca solicitou que eu fizesse Farmácia. Eu me encantei com o trabalho dela, quando ainda era estudante do ensino médio. Achava bacana pegar um exame, detectar que tinha alguma coisa errada ali. Quando anunciei que ia fazer Farmácia, com habilitação em Análises Clínicas, ela foi a primeira a me apoiar, já que meus dois irmãos, um é advogado, o mais velho, e a do meio que é dentista. Posterior a isso, fui a Fortaleza fiz uma pós-graduação em Hematologia e Hemoterapia pelo Hemoce, curso vinculado à Universidade Federal do Ceará.

Hoje você está como diretor executivo, mas em quais outros setores você passou?
Eu passei por todos os setores da empresa. Quando eu vinha de férias, no segundo semestre de faculdade, em 1998, eu era incentivado e tinha a automotivação de vir ao laboratório para aprender. Trabalhei como recepcionista no período de férias. Depois da recepção, quando passava o período do atendimento, eu subia para preparar fezes e urina para que o microscopista me mostrasse qual estrutura ele estava vendo. Fui galgando, flutuando em todos os outros setores, férias a férias, no período de faculdade. E aí, formado, eu fui para a Hematologia. Em 2002, minha mãe disse que ia montar um outro laboratório em Barbalha. E eu fui iniciar este trabalho lá. Eu saia todos os dias daqui [Crato] pra Barbalha. Observava que, enquanto aqui atendia 50 pacientes, lá atendia no máximo 8. Passei quase dois anos nessa peleja. E vi que aqui podia muito mais [no Vicente Lemos], porque já era uma marca conhecida e consolidada.

Optei por ficar no Crato e foi aí que veio a ideia de implantar tecnologia. Fui iniciando o trabalho na Hematologia e vendo que havia uma necessidade de implementar novas tecnologias, de dar um melhor atendimento, uma melhor condição de instalação para o paciente e fazer um trabalho melhor.

Quem administrava o laboratório era meu pai e minha mãe. Meu pai fazia a parte administrativo-financeira. Minha mãe mexia um pouco no financeiro, mas mais na parte operacional da análises clínicas, dos exames. Depois eu fui absorvendo algumas funções deles. Eles foram aceitando o que eu ia colocando, nunca colocaram barreiras. E aí chegamos onde, graças a Deus, estamos hoje.

Você falou sobre a atuação do seu pai e sua mãe à frente do laboratório. Como iniciou o Vicente Lemos?
Minha mãe tinha uma certa condição de iniciar um laboratório de pequeno porte. Ela foi pra cidade do Cedro. Montou laboratório com o empréstimo de um determinado banco local e não teve condições de assumir as parcelas. Ela chegou quase a passar fome, porque não queria pedir à família. Uma tia foi visitar de trem, na época, e ao chegar viu que não tinha nada para comer. Os parentes encaminharam alimentos e disseram: ‘Olha, venda o laboratório e vá embora’. No Crato, ela foi procurar trabalho em um laboratório. Trabalhou 17 anos, solicitou um aumento, que não houve. E pediu pra sair. Ela começou a ver que poderia ir mais longe. Médicos da região, amigos dela, começaram a incentivá-la. Meu pai tinha uma kombi com bolachas. Vendeu o estoque que tinha em casa, o estoque que tinha na kombi, vendeu a Kombi, pediu as contas de uma outra empresa que ele trabalhava e entregou todo o dinheiro na mão dela: ‘Tá aqui, pode montar o laboratório’. Isso foi em 1991. Chamou uma tia dentista, que hoje é nossa sócia, e foi em frente.

Como é trabalhar em família?
Nós ainda temos familiares aqui dentro. Costumo dizer que é uma empresa familiar, mas que também faz com que nossos colaboradores se sintam família. Os familiares são mais cobrados do que os que não são, porque tem que dar exemplo. Existem duas primas, no Crato: Angélica Carvalho, bióloga, que trabalha no Núcleo Técnico Operacional, e Anélica Carvalho, economista, que atua no Financeiro. Tem também um primo, Bruno Lemos Alves, que gerencia a Unidade de Processamento de Exames, em Fortaleza. E minha esposa, Débora Teixeira de Menezes, que fica no Crato, como gerente operacional.

Fotos: Helio Filho
João Hallisson e mãe, Ana Lúcia, fundadora do laboratório

O laboratório tem hoje 16 unidades. O processo de expansão é continuado? Há previsão de novas unidades?
É tão continuado que pretendemos realmente chegar a projetos mais amplos. Abrimos uma unidade na rua Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Já temos uma unidade em Juazeiro, mas enxergamos que o pedestre queria que nós estivéssemos mais próximos das clínicas, de onde ele sai e vai buscar um exame.

Temos um centro de processamento, inaugurado em março, na cidade de Araripina, Pernambuco. É uma unidade com padrão diferenciado. O paciente fica sendo atendido na recepção e atrás da atendente tem um parque de máquinas e o profissional realizando os exames para o paciente ver todo o processo.

Quantos procedimentos por mês, em média, o laboratório realiza em todas as unidades e qual o número de empregos que gera?
Realizamos mais de 100 mil exames/mês. Chega a números acima de 1 milhão e 200 mil ano. É muito diagnóstico. São muitos exames. Muitos pacientes passam na nossa mão, e a responsabilidade é a cada dia maior.

São cerca de 170  empregos diretos. Indiretos nós avaliamos uma ou duas vezes mais o número de profissionais que nós temos.

Como estão os investimentos em tecnologia?
Colocamos para funcionar, a partir de janeiro deste ano, um equipamento chamado automate, um robô. Ele tem dois braços, que se movimentam para capturar o tubo do paciente, ler o código de barras, identificar o que ele tem a fazer em exames, destampar o tubo, verificar se tem coágulo, se tem lipidemia, como a amostra está, se está suficiente. É um robô completo. Importamos dos EUA. É o primeiro do Nordeste. Fica no Crato, na nossa matriz, onde temos o maior número de exames.

Esse equipamento traz uma desenvoltura que permite a redução do quadro funcional. No setor em que ele está, eu tinha oito colaboradores. Hoje só trabalho com quatro. A equipe foi reduzida. Mas nós pegamos os quatro colabores outros e alocamos em setores com necessidade. O equipamento não só agilizou este setor, como agilizou outros.

O laboratório já recebeu algum prêmio?
No dia 27 de junho, recebemos um prêmio nacional. Primeiro e único laboratório do Ceará a receber o GPTW (Great Place to Work). Nós passamos a usar o selo GPTW 2015 como melhor empresa para se trabalhar, eleita pelos nossos colaboradores. E não foi por nós. Pelo contrário, a diretoria não participa do processo, nem de questionário. Me faz muito feliz poder trazer este selo pra região do Cariri. Vai ser o primeiro e único laboratório e até a primeira empresa da região do Cariri a trazer o prêmio para cá. Esse foi o primeiro prêmio de nível nacional. Mas a nível estadual já recebemos outros prêmios. No final do ano, queremos trazer um outro prêmio, que vou deixar surpresa no ar.

Fotos: Helio Filho
João Hallisson

Quais os diferenciais do Vicente Lemos para ter se tornado uma referência na região do Cariri e conhecido até mesmo em outras cidades e capitais?
Primeiro, o atendimento humanizado. O atendimento humanizado da pegada na minha mão, na mão da doutora, poder ter acesso a gente pra uma ligação, pra chegar à gente. Isso é um diferencial que em grandes capitais é mais complicado, apesar de existir também. O outro ponto forte é que o medo de investir aqui não existe. Em plena crise, estamos abrindo unidades de coleta em outras cidades. Em plena crise, estamos reformando as nossas unidades. Em plena crise, estamos comprando novos equipamentos e trazendo novas metodologias. O grande diferencial dessa empresa é nunca se sentir satisfeita pelo que tem. E buscar sempre mais. Isso é um ponto muito forte do nosso trabalho e faz com que a gente consiga almejar novos horizontes.

Com tantas ocupações no laboratório, o senhor tem algum outro negócio, algum hobby?
Antigamente em vendia cachorro. Trazia cães da raça rottweiler de Minas Gerais, fazia os cruzamentos e vendia os filhotes. O laboratório começou a crescer e não tive mais condições de dar prosseguimento a isso. Os hobbies que ainda tenho são jogar vôlei, duas vezes por semana, praticar jiu-jitsu e futebol.

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