REVISTA O POVO CARIRI 04/04/2016 - 14h21

Religião que move economia

A partir da venda de artigos religiosos a comidas, camelôs fixos e ambulantes garantem a renda familiar em Juazeiro do Norte. Nas romarias, o mercado fica ainda mais aquecido
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Sabryna Esmeraldo sabryna@opovo.com.br
Mateus Monteiro

De 27 de janeiro a 2 de fevereiro deste ano, Juazeiro do Norte recebeu cerca de 300 mil romeiros na procissão em homenagem à Nossa Senhora das Candeias. Os fiéis rezavam segurando terços e imagens, tudo à luz de milhares de velas que caracterizam a romaria até a Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores.

 

A tradição de fé, ainda mais forte após a decisão do Vaticano, em dezembro de 2015, de reconciliar o Padre Cícero com a igreja católica, acaba influenciando também a vida econômica da região. “Grande parte do comércio de nossa cidade é informal, são ambulantes e camelôs que vivem dia a dia nas ruas e praças, negociando diversas mercadorias, entre elas artigos religiosos, que movimentam grande parte do comércio local, em especial em época de romarias”, afirma Francisco Aurilio Jorge, coordenador de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Serviços Públicos (Semasp) de Juazeiro do Norte.

 

Atualmente, dos 600 camelôs e ambulantes fixos cadastrados no sistema da Semasp, 100 trabalham especificamente com a venda de artigos religiosos. Esse número aumenta para 1.350 ambulantes em época de romarias, sendo 600, aproximadamente, voltados para o comércio dos artigos procurados por aqueles que participam desses momentos de fé. Já o horto, que recebe uma média de 400 mil visitantes em meses de romaria e, aproximadamente 100 mil nos demais meses, conta com cerca de 800 comerciantes (entre fixos e ambulantes) cadastrados no sistema da Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero, responsável pelo registro dos profissionais que trabalham no local.

 

Na cidade

Para quem deseja trabalhar como ambulante em Juazeiro do Norte, o cadastro pode ser feito diretamente na Semasp, com a entrega da documentação necessária (ver quadro). “Hoje, nós temos uma demanda de mais de 20 pedidos diários para a ocupação de espaços públicos. Para conseguir esses espaços por meio de autorização precária – válida por 30 dias, podendo ser renovada desde que não traga transtorno para a população – é preciso preencher um requerimento indicando o local e trazer a documentação solicitada”, informa Aurilio.

 

Após o procedimento, é feito um parecer técnico no local para ver a viabilidade; se deferido, o cadastro é feito no sistema e são emitidos o Documentos de Arrecadação Municipal (DAM), a ser pago em casas lotéricas, e o alvará precário para o funcionamento. “Se não for deferido o pedido, orientamos procurar outra área para análise. Com esses cadastros, em épocas de romarias, emitimos uma taxa de R$ 25 para os cinco dias de romarias, sendo que grande parte desses camelôs e ambulantes não pagam. O município emite aproximadamente 900 boletos por romarias e aproximadamente 400 a 450 pagam essa taxa”, detalha o coordenador.

 

O setor de fiscalização da Semasp é responsável por fiscalizar diariamente todos os permissionários dos espaços, se estão cumprindo as determinações e se estão nos locais determinados sem prejudicar o acesso de pedestres e veículos. Segundo informações da Semasp, em época de romarias, todos os ambulantes e camelôs são colocados na Praça do Marco Zero, abaixo da igreja matriz, único local autorizado para a comercialização no período.

 

No Horto

A partir do ano 2000, a Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero, para organizar as atividades no Horto e evitar os roubos e assaltos que vinham acontecendo até então, iniciou o processo de cadastramento de todos os comerciantes, fixos e temporários (das romarias) do Horto. “Hoje todos os comerciantes são cadastrados e respeitam algumas regras básicas de um ambiente religioso e que visa melhor acolher os romeiros do Padre Cícero”, afirma Francisca Maria de Santana, assistente social da Fundação.

 

Com a documentação necessária em mãos e a categoria de produto comercializado determinada (ver quadro), o interessado em trabalhar no Horto poderá se cadastrar na administração da Fundação. Os comerciantes que trabalham na Colina do Horto pagam ainda um valor simbólico, já que, como a Francisca destaca, a Fundação faz um trabalho social.

 

“A maioria dos vendedores é da comunidade e não tem condições financeiras favoráveis. Essa taxa é apenas para formalizar e organizar, por isso que, apesar de termos muitos comerciantes, a média de arrecadação é de aproximadamente R$ 6 mil”, explica, ressaltando que a procura para atuar no Horto como ambulante continua crescendo. Segundo a assistente social, a média apurada pelos ambulantes é de R$ 1.000 mensais, mas o valor varia muito conforme o produto vendido e a época do ano.

 

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