O POVO PEOPLE LUXO 19/06/2017 - 17h28

Levi Castelo Branco fala de seu amor à música brasileira

Levi Castelo Branco abre o coração e conta detalhes da vida e da carreira. O cantor se diz apaixonado por clássicos da boa e marcante música brasileira
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Sonia Pinheiro csonia@uol.com.br
FOTOS: TIAGO LOPES

O cantor Levi Castelo Branco iniciou sua carreira musical ainda na infância, quando cantava na igreja em que a família frequentava. Quando tinha apenas 12 anos de idade, foi convidado para sua primeira apresentação: tocar piano em um casamento. Desde então, nunca mais parou. Durante a adolescência viajou para os Estado Unidos e, pouco tempo depois, tornou-se diretor musical e pianista da igreja americana The Image Churche, em Seattle. Hoje, Levi espalha romantismo e carisma em suas apresentações.

Falando de música, o que é considerado luxo para você nos dias de hoje?
Acho que música nunca é luxo. Música é necessidade. Mas tem se tornado luxo ouvir música de qualidade, seja ela qual for. Acredito que a música reflete a conjuntura política e social do país. Aliás, toda manifestação cultural é reflexo de uma realidade social! Estamos passando por um momento muito violento, no sentido político, cultural, de ebulições sociais. A música, portanto, tem refletido tudo isso. Eu não critico a música moderna porque ela reflete uma realidade social. Tendo ouvidos, não apenas orelhas, é possível me teletransportar no tempo e no espaço a partir de um som. Isso que é o poder da música! Luxo é se sentir na França ouvindo a boa música francesa. Sentar na calçada de uma casa simples no Pio XII ou na Barra do Ceará, caminhar pelas ruas do Centro da Cidade [Fortaleza], ouvindo Edith Piaf, e sentir-se elevado, transmudado. É poder ouvir a boa música brasileira e desejar um Brasil melhor. Então, acredito que luxo é quando as coisas se eternizam e, ao meu ver, a música que promove o amor, a harmonia entre as pessoas, os bons gestos, os bons sentimentos, os valores da aceitação, do respeito pela raça humana, da igualdade entre gêneros, raça, origens diversas, ficará para sempre - enquanto aquela música que retratou um passo transitório de uma determinada cultura - passará e não será lembrada ou celebrada pelas gerações futuras.

O que é o novo clássico na música?
Acho importante, tratando sobre estética, perceber que os estilos musicais hoje conversam. Não existe mais essa separação entre a música clássica e a música moderna. Todo mundo mistura elementos da música eletrônica com instrumentos clássicos. Difícil ouvir um sertanejo romântico hoje sem que haja uma orquestra de 50 violinos tocando ao fundo. E isso é maravilhoso! Destaco, por exemplo, um trabalho de estética maravilhoso (que eu amo) - o Piano Guys. Eles têm um canal no Youtube com suas criações (recriações). Eu chamaria de "um novo clássico" essa capacidade de promover um hibridismo entre estilos, sem causar vergonha ao compositor original. Tenho certeza que Beethoven não estaria envergonhado de ouvir a quinta sinfonia sendo tocada com "Secrets", do One Direction, na faixa entitulada "Os Cinco Segredos" - Piano Guys.


Quais clássicos da música não podem ser esquecidos?
Acho que nenhum clássico pode ser esquecido. E a definição do que seja um clássico é aberta, pontual. Mas no meu ponto de vista, são aquelas canções mais cantadas e traduzidas, mais apreciadas ao longo dos anos e por diferentes culturas. Não considero clássico a música erudita ou a música instrumental, apenas. Para mim, clássico são canções que criaram um gênero, que servem de modelo para o futuro. Poderia citar Elvis Presley, Madonna, The Beatles e poderia citar João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Quais músicos brasileiros te enchem os ouvidos?

Vou destacar o nordestino - o homem andarilho - que não tinha uma só casa, que não era cearense, não era paraibano, não era pernambucano, e reflete bem o que estou tentando expressar quanto à origem: Luiz Gonzaga! Um homem estudado por toda a Europa endinheirada. Milhões de teses de doutorado, mestrado, milhões de concertos homenageando a sua obra. Todos falando sobre o "Frank Sinatra brasileiro". E porque não está evidenciado como tal? Porque vivemos em um país pobre. Gonzaga representa o calor do trabalhador, o suor no rosto, a roupa amassada e desfiada pelo tempo. Coisas que ás vezes a gente tem vergonha quando tá na pior. Já vi muitas pessoas falando que não gostariam de ouvir forró pé-de-serra na sua festa, pois a festa era muito "chique". Que tocasse o forró moderno, que representa mais a sua geração, o seu momento. E te pergunto, onde foi parar a capacidade de perceber o luxo no lixo. Onde foi parar a capacidade de ouvir, de apreciar a beleza estética da letra, a melodia, do semblante, da originalidade, da verdade magnífica do mestre Luiz Gonzaga? Não há obra que eu me orgulhe mais do que aquela apresentada pelo povo que conheço, a partir de suas dores, da sua luta, que com uma sanfona, um triângulo e uma zabumba dominaram um país inteirinho.

Em seus shows, a música romântica recebe uma atenção a mais. Você se considera um homem apaixonado?
Sem dúvidas. Sou intenso. Sou uma "intensidão" danada. Acho que se é pra viver a vida, tem que ser bonita. Tem uma exigência estética nisso. Se é pra ser amigo, é pra ser muito amigo. Se é pra ser apaixonado, muito apaixonado. Mas isso em todas as direções viu? Sou apaixonado pela natureza, pelas artes, pela família. Adoro falar sobre os sentimentos. Gosto muito de "abrir o coração" e de sentir, em todos os momentos, vivendo ao máximo do que poderia.

Já cantou para casamentos e para desfiles de marcas importantes. Qual a diferença de público e do ritmo abordado?
O público do casamento está no evento procurando se divertir e celebrar a união de um casal e das duas famílias. O público do desfile está ali para prestigiar a marca e ver as novidades, as roupas na passarela. Eu costumo identificar essa intenção, que é diferente, e fazer a criação do conceito do evento a partir da música juntamente com o cliente. O que queremos gerar nas pessoas? É para fazê-las dançar? É para emocionar? Qual papel que a música e que eu posso ter na realização e no sucesso do evento? E vamos construindo a partir daí.

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