ESCREVA LOLA ESCREVA 14/01/2017

Blog de Lola Aronovich é retirado do ar após ataques extremistas

Imagens do blog de lola aronovich foram censuradas após denúncias ao Google. Página é uma das mais importantes do país sobre feminismo
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Um dos maiores blogs feministas do Brasil, o Escreva Lola Escreva, sofreu uma enxurrada de ataques virtuais e teve parte do conteúdo retirado do ar. Assinada pela professora universitária Lola Aronovich, a página tem nove anos de existência, mais de 400 mil acessos por mês e é uma das mais respeitadas no segmento. Grupos extremistas que se declaram contrários ao feminismo já tentaram derrubar o conteúdo da web muitas vezes. O blog, entretanto, nunca havia sofrido uma retaliação tão forte. Parte das imagens, incluindo a foto de perfil de Lola, foi substituída por um ponto de exclamação.


Em conversa com O POVO, Lola explicou que acompanha fóruns na internet de grupos que tentam derrubar o blog há tempos e fazem ameaças contra a professora e seu marido. É através desses canais, explica a blogueira, que foi difundido um tutorial ensinando como denunciar o blog ao Google, criando a ilusão de que não apenas uma, mas centenas de pessoas estariam protestando contra o conteúdo. Lola recebe ameças diárias por telefone e seus dados pessoais, como endereço, foram divulgados entre os extremistas.


No fim de semana passado, ela procurava uma postagem antiga sobre um livro e percebeu que as fotos haviam sumido. Depois, ao tentar fazer login em uma conta de email, recebeu uma mensagem impedindo-a de realizar a ação. Lola mantém a página na plataforma Blogspot — serviço gratuito do Google e um dos pioneiros na internet para hospedagem de conteúdo. Em contato com a empresa, ela foi informada que havia violado os “Termos de Serviço” e que não teria a conta restabelecida. O POVO entrou em contato com a assessoria de imprensa do Google no Brasil. Por nota, eles responderam que não comentam casos específicos.


Lola tem recebido apoio de diversas frentes. Nas postagens feitas no blog, explicando o caso, leitores consideram absurda a postura do Google -que, segundo eles, está retirando conteúdo do ar sem fazer avaliação. No Twitter, usuários fazem a campanha #GoogleNaoCensureLola, solicitando que a empresa reveja a postura. Leitores também sugerem que Lola migre o conteúdo para uma plataforma paga. Em entrevista, ela disse ainda não saber o futuro do blog. “Tenho um pouco de receio de migrar para outro lugar (plataforma de hospedagem) e ter algo parecido. Ainda estou tentando decidir se continuo, se paro, se entro na Justiça…”, pontua.


W. Gabriel de Oliveira, consultor de Marketing Digital, explica que há uma análise de empresas como Google e Facebook no momento em que qualquer conteúdo é postado na internet. Essa averiguação, entretanto, é feita por robôs e baseada em padrões de comportamento. “Eles cruzam tipos de imagens e tiram do ar imediatamente”, aponta. O usuário pode recorrer, mas é difícil restabelecer um conteúdo — pois as análises seguintes também são feitas por robôs. Até chegar a mediação de uma pessoa é um longo caminho. E, como o Google tem vários produtos - email, youtube, blogspot -, há um canal de comunicação para cada.


O número de denúncias é um dos fatores mais importantes para retirar um conteúdo do ar, mas não é o único. Pois o “algorítimo” cruza informações como interações na internet, palavras-chave e histórico de acusações. “São feitos milhões de cálculos por milésimo de segundo. É possível tendenciar o algorítimo. Ele é induzido a pensar uma coisa ou pode deixar passar um conteúdo falso, por exemplo”, explica W. Gabriel.


SERVIÇO

 

Veja postagens de Lola sobre os ataques:


http://bit.ly/2jcLfeu


http://bit.ly/2jkyGLK


Em novembro de 2015, Lola foi entrevistada pelas Páginas Azuis do O POVO. Confira:


http://bit.ly/1HzIj3w

 

SAIBA MAIS

 

Glaydson Lima,

especialista em Direito Digital, diz que boa parte da legislação brasileira se aplica aos casos que acontecem na internet. Entra nesse bojo a difamação, a calúnia e a injúria. Já foram criados perfis falsos para Lola Aronovich, utilizando fotos pessoais, com conteúdo relacionado a aborto e a pedofilia. O uso da imagem também está previsto na Constituição como crime. “Já avançamos muito. Temos a Lei Carolina Dieckmann que prevê como crime situações que não eram consideradas antes, como a invasão de contas de email, a disseminação de vírus e o controle remoto de máquinas. E temos o Marco Civil da Internet, que é extremamente importante”, pontua. Para Glaydson, é preciso estudar o quanto as pessoas invadem o espaço do outro no virtual. “Nenhum ateu entraria em uma igreja falando ofensas, mas, na internet, as pessoas se sentem no direito de fazer isso. Religiosos comentam blogs de ateísmo e vice-e-versa, por exemplo. Não é apenas no Brasil, no restante do mundo isso também acontece”, elucida.

 

espaço do leitor
Emily F. Mendes 14/01/2017 09:48
O blog já voltou. Sorte e força, Lola! Essa galera quer ganhar no grito. E só gritam mentiras. E o pior é que muitas colam, basta ver os perrengues que tu passa, mulher! Ave Maria. rs!
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