MOVIMENTOS EM FORTALEZA 03/03/2012 - 15h00

Razões do coletivo

Os movimentos se fortalecem e se multiplicam na capital alencarina. E mesmo com os afazeres diários de nós todos, ativistas se sentem compelidos ao envolvimento, compartilhando suas vidas com o coletivo
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DEIVYSON TEIXEIRA
Em manifestação contra as desapropriações para o Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), moradores seguram cartazes e fazem passeata no Centro de Fortaleza

É uma espécie de sentimento adormecido, uma força ancestral cobrando de você. E quando ela encontra espelho em outras pessoas, há aquele brilho”, explicar o agrônomo Antônio Sérgio sobre as ebulições de quando coração e mente se fundem. No caso dele, e dos amigos que dividiam a mesa naquele dia, o que surgiu foi o Movimento Pró-árvore. Dessa noite se contam quase seis meses, tempo em que o grupo cresceu.

 

Ele mesmo se questionou como isso seria levado adiante, de modo que tivesse atuação efetiva. E longevidade. “Torna-se uma prioridade. É uma coisa parecida com uma crise, e as pessoas tem que se movimentar, se reunir. Várias coisas minhas estou colocando pra trás porque tenho que cuidar do Pró-árvore”. Uma das razões pela mobilização é o estado atual da cidade, “à deriva”, como ele definiu. “Falta planejamento. As pessoas tropeçam em tocos de árvores. Quando acontece isso, é claro que a árvore foi plantada no lugar errado.”


No grupo, a maioria das discussões se dão pela rede social Facebook, mas também por e-mails. Os encontros são (praticamente) semanais e ainda existe uma página (www.floradoceara.com.br) com informações sobre as árvores. Eles também plantam e asseguram a manutenção da planta. “Nosso intuito é sensibilizar as pessoas paras as árvores nativas. Hoje em dia todo o nosso ecossistema está ameaçado pelas árvores exóticas, que significa que ela não é desse bioma”, explica outro membro, Leonardo Jales.


Como outros movimentos, eles também “ajudam” colegas, e Leonardo cita a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis).


Novo no campo, mas abraçando causa antiga está Lucas Moreira Victor, 17 anos, contra as vaquejadas. Lucas denuncia: “Eles pregam umas tachas pra segurar melhor no rabo do animal. E a cauda é a continuação da coluna vertebral. Quando eles puxam muito, o animal fica aleijado”.


Essa parceria acontece com dois movimentos que atuam na Praia de Iracema: os moradores do Poço da Draga e o grupo recém-criado Quem me dera ser um Peixe. Os primeiros têm de lidar com as intensas mudanças pelas quais passa o entorno da comunidade, enquanto o segundo questiona a construção do Acquario Ceará.


Ambos lutam por uma maior clareza de informações do Governo do Estado e da Prefeitura. “Falta posicionamento. E aqui eles vivem essa incerteza na pele, porque podem perder as suas casas”, contou Eduardo Rocha, integrante do Quem me dera... e assíduo interlocutor de Ivoneide Maria Góis, moradora do Poço da Draga. A urgência, para os moradores, seria a regulamentação do Poço como uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis).


Isso garantiria a segurança contra o mercado imobiliário. “Até agora eles fizeram um diagnóstico social, que é um cadastro”, explicou Ivoneide. O cadastro seria anterior à regulamentação fundiária (para valorar financeiramente as construções do lugar, já que o terreno pertence à Marinha).


Segundo o técnico João Sérgio Queiroz, da Habitafor, “a Prefeita já apontou uma lista de prioridades. Primeiro o Lagamar, segundo o Serviluz, depois o Poço da Draga. O Serviluz já tem projeto, com dinheiro garantido. O Poço está fase de projeto, por isso ele vem depois”. Ivoneide quer mais garantias. Se a regularização fundiária vier e a Zeis não se concretizar, “vai ser muito ruim. “Tem que vir as duas coisas juntas”.


Estacionamento


Pelo projeto do Acquario Ceará, todas as construções de casas do Poço viriam abaixo para dar lugar ao estacionamento. “Mas foi barrado por um projeto anterior da Prefeitura”, esclarece Eduardo. O que nos leva – a nós como cidade, não só eu você, leitor – a um outro problema.


A falta de clareza quanto ao entorno do projeto do governo estadual. O desconhecimento quanto a um projeto científico, é um dos apontados por Eduardo.


Esta semana, O POVO publicou matéria sobre a licença ambiental, a ser concedida pela Semace. A notícia explicitava nota enviada pela Setur afirmando que as parcerias científicas serão firmadas logo antes da operação do equipamento. Para esta edição, a Setur não respondeu as perguntas enviadas por email.


“A intenção de todos os projetos que acontecem na Praia de Iracema é trazer quem não mais frequenta, mas sem a participação do lugar. As intervenções são sobre o lugar”, lamenta Eduardo. Até lá, encontros e discussões são feitas também pelo Facebook, na comunidade de mesmo nome do grupo. (Júlia Lopes)

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