Vida & Arte.dom 22/11/2015

Literatura. Lendo mulheres em Fortaleza

Campanha internacional promove a literatura escrita por mulheres. No Brasil, aumenta o número de grupos dispostos a fazer crescer a prateleira de autoras
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Jáder Santana jadersantana@opovo.com.br


Cultura


Virginia Woolf sucidiou-se aos 59 anos, enchendo o bolso de pedras e mergulhando num rio gelado. Clarice Lispector, imprevisível, fugia dos jantares antes da comida ser servida. Jane Austen, aos 27, aceitou um pedido de casamento para dias depois decidir permanecer solteira. Patrícia Galvão, a Pagu, era militante comunista e foi a primeira presa política do Brasil.


Visitar a obra dessas autoras - e, como consequência, mergulhar em suas vidas, decifrá-las enquanto mulheres -é o objetivo de diversos grupos que vêm se reunindo por todo o mundo como parte de um projeto que difunde a valorização do feminino nas letras. O Leia Mulheres - assim, no imperativo - provoca um olhar para aquelas escritoras soterradas em meio a um sem fim de autores homens.


Em Fortaleza, o Leia Mulheres faz reuniões mensais e conta com a participação de, em média, vinte pessoas por encontro. Os encontros começaram em agosto deste ano, lendo o clássico O Sol é Para Todos, da lendária escritora Harper Lee. Desde então, passaram pelo universo mítico de Marion Zimmer Bradley, com seu As Brumas de Avalon, e pela força narrativa da contemporânea Chimamanda Ngozi Adichie, celebrada por Hibisco Roxo e Americanah.


No próximo encontro, marcado para o próximo sábado, 28, debaterão Mrs. Dalloway, da britânica Virginia Woolf, um dos grandes nomes do modernismo na literatura e uma das maiores defensoras da emancipação feminina no início do século XX.


Quem trouxe o Leia Mulheres para Fortaleza foi a estudante de letras Alessandra Jareta, que conheceu o projeto por meio de canais literários no YouTube. A campanha surgiu no ano passado, quando a escritora britânica Joanna Walsh lançou a hashtag #readwomen2014 (#leiamulheres2014) como forma de incentivar a leitura de escritoras e contornar a falta de visibilidade que estas teriam junto ao mercado editorial.


No Brasil, além de Fortaleza, outras dez cidades brasileiras participam da campanha com grupos de discussão.


A psicanalista Joselene Monteiro descobriu recentemente o Leia Mulheres. Segundo ela, não há uma diferença no modo como homens e mulheres escrevem, e o grande mérito do projeto é justamente buscar desvendar porque as escritoras são desvalorizadas. “Acho importante entender por que, mesmo escrevendo com a mesma qualidade que os homens, as mulheres ainda são menos lidas”, explica.


Nem só de leitoras vive o Leia Mulheres. Há uma considerável quantidade de homens que se integram ao projeto e procuram ampliar seu leque de opções literárias. Um deles foi Gabriel Fraga, editor do site Tapioca Mecânica, que participou de todas as reuniões realizadas em Fortaleza. “Eu estou lendo mulheres ao menos uma vez por mês. Meus amigos que participam do grupo também”, conta.


Para quem quiser ler mais mulheres e debater sobre sua presença na literatura, as reuniões do grupo são abertas e gratuitas.

 

SERVIÇO

 

Leia Mulheres - Fortaleza

Quando: próximo sábado, dia 28, às 18 horas

Onde: Livraria Leitura do Shopping Del Paseo (Av. Santos Dumont, 3131 - Aldeota) Gratuito

 

Livros e autoras para conhecer


Integrantes da campanha #leiamulheres em Fortaleza indicam algumas obras de escritoras que merecem estar na sua mesa de cabeceira


Hibisco Roxo


Chimamanda Ngozi Adichie

“A autora nos traz uma Nigéria muito mais complexa e real do que a que estamos acostumados. Conta a história de Kambili, uma menina de família rica que sofre junto com a mãe e o irmão nas mãos do pai, um religioso fanático. Enquanto acompanhamos a aterrorizante vida da garota, vemos a situação política do país, que vive uma ditadura, ao mesmo tempo que refletimos sobre a opressão que sofre a mulher na sociedade.”

Alessandra Jarreta,
estudante de Letras


O Amante

Marguerite Duras

“É o livro mais célebre da escritora e recebeu o prêmio mais importante da literatura francesa, o Goncourt. Li o livro todo de uma vez, é muito envolvente. Ele narra a história de uma adolescente que se envolve com um chinês rico. Os encontros entre os dois revelam muito prazer e também uma profunda tristeza. Além disso, fala da vida trágica da protagonista, dos problemas com a mãe os irmãos.”

Joselene Monteiro, psicanalista

 

O Sol é Para Todos


Harper Lee

“É um daqueles livros que podem fazer alguém repensar sua vida. Todo ser humano deveria ler só pra entender um pouco mais sobre quais as suas responsabilidades no mundo e o que realmente significa ser humano. É a história de uma sociedade preconceituosa e o que aqueles que pensam diferente devem fazer  para transformá-la.”

Gabriel Fraga, editor do site

Tapioca Mecânica

 

Fazes-me Falta

Inês Pedrosa

“É um livro extremamente delicado que rememora em prosa poética a relação de um casal depois da morte de um dos dois. A autora traz nele uma visão do amor impregnada de sensibilidade e também de força que é tão inerente às mulheres. É um livro que consegue ser terno e, ao mesmo tempo, muito doloroso.”

Marina Solon Tourinho, jornalista

 

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