Seca 14/01/2017

Maiores açudes do Ceará ainda não tiveram aporte de água em janeiro

Castanhão, Banabuiú e Orós não apresentaram nenhum aporte com as chuvas registradas neste início de ano
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Eduarda Talicy .
FABIO LIMA
Na foto, de julho de 2016, o açude Banabuiú, que está com 0,41% da capacidade

As chuvas das primeiras semanas de janeiro não representaram qualquer aumento nos maiores reservatórios do Ceará. Os açudes Banabuiú (0,41%), Orós (13,35%) e Castanhão (5,02%) — que abastecem a Região Metropolitana de Fortaleza — não registraram aporte até agora. Os dados são do Portal Hidrológico e mostram que, em 2017, somente 25 dos 153 açudes monitorados apresentaram alguma cheia do início do ano até aqui.

 

Em todo o Estado, o aporte registrado no período foi de 4,25 milhões de metros cúbicos. O valor representa somente 0,02% do volume total do Estado e significou variação de volume negativa (-3,59m³) já que o aporte não supriu a perda registrada. Atualmente, dos 153 açudes, 136 estão com volume abaixo dos 30%, os quais 85 estão secos ou com volume morto.


Em relatório mais recente do Portal Hidrológico, o Ceará está operando com 6,48% da capacidade total. No mesmo período de 2016, o volume era de 12,8% — em um ano, metade da água foi perdida. Assim, se neste ano permanecerem as mesmas quantidades de aporte e perda de água, a tendência é que cheguemos ao fim do ano com açudes secos.


A obra de transposição das águas do rio São Francisco, principal medida de obtenção de água para o Ceará, segue com impasses na continuidade e tem previsão de chegada ao Ceará só no ano que vem.


Mailde Carlos do Rêgo, presidente do Comitê de Bacias da Região Metropolitana de Fortaleza, avalia a situação como crítica. “Estamos num momento muito difícil. Nenhum grande reservatório apresentou aporte. Ainda é a pré-estação e esperamos que tenha um bom inverno na estação chuvosa”, acredita. Ela afirma que, nesta segunda-feira, 16, haverá reunião com outros integrantes do comité para discutir a situação. De acordo com Mailde, há diálogo com representações do Governo e o processo de dessalinização da água do mar tem sido uma das saídas apresentadas. “É uma medida importante, mas também não é imediata”, preocupa-se.


No Médio Jaguaribe, uma das principais regiões atendidas pelo açude Castanhão, várias culturas e plantações já foram reduzidas. “Não sei o que será de nós se nada for feito até o ano que vem, se acabar a irrigação e a água para animais”, afirma Francisco Holanir, secretário do Comitê do Médio Jaguaribe.


Chuvas em janeiro

Os resultados preliminares do calendário das chuvas do mês de janeiro apontam que o observado destes primeiros 15 dias foram precipitações de 18,6 milímetros (mm). A média apontada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) é de 98,7mm. Nas regiões onde estão localizados os açudes Banabuiú, Castanhão e Orós, as chuvas também ainda estão bastante abaixo da média, com precipitações abaixo dos 7mm.

 

Números

 

6,48% é o volume de água acumulado nos reservatórios do Ceará

espaço do leitor
Rômulo Falcão Farias 14/01/2017 06:50
Reforçando o descrédito nesta politica da seca, imposta por uma sociedade corrupta e atrasada como a nossa, no sertão do Ceara se paga 40 reais pela carrada dágua de 1 m3, quase 1300% a mais do que o custo de água de uma usina de dessalinização de osmose reversa. Ainda têm safado que diz que dessalinizar água do mar é caro. Caro mesmo vai ser ficar sem água, se esse inverno falhar de novo.Que Deus tenha misericórdia desse nosso Ceará tão mal administrado por este desgoverno que ta aí.
Rômulo Falcão Farias 14/01/2017 06:38
Enquanto a gente espera chuvas do céu o mundo trabalha pra resolver essa falta de água potável global.Nossa sonhada e atrasada transposição do velho Chico quase moribundo já levou quase 20 bilhões do contribuinte e nada de água.Só pra matar vocês de inveja ou de vergonha como queiram. Israel em 2010, inaugurou a maior usina de dessalinização do mundo ao um custo de 1.5 bilhão de reais e produz 127 milhões de m3 de água pra 1/6 da população do país com um custo de 2 reais pra cada m3.
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