Ceará 20/12/2016

Até 2018, sistema facilitará ações de convivência com a seca no Ceará

Até 2018, Ceará terá sistema com dados sobre abastecimento, saneamento e produção das 184 cidades
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Angélica Feitosa angelica@opovo.com.br

Uma relação de dados sobre abastecimento por carro-pipa, saneamento básico e tipo de produção dos 184 municípios cearenses facilitará as ações de combate à seca no Estado. O relatório, com informações de distritos e áreas rurais, deverá ficar pronto em 2018.

 

A informação foi repassada durante o último encontro do ano do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, ontem, na sede do Corpo de Bombeiros, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza.


Batizado de Sistema de Informação sobre Água e Saneamento Rural (Siasar), o projeto-piloto já foi implementado em Aracati (a 152 quilômetros da Capital). “Nesta cidade, a sede acreditava que existiam 148 comunidades rurais. Com as visitas, descobriu-se que são somente 108 localidades. Ou seja, nem a própria sede sabia quantos distritos tinha”, explicou o titular da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Dedé Teixeira. Em Aracati, a iniciativa é resultado de parceria entre Banco Mundial, Ministério da Integração, Secretaria das Cidades do Estado, (SDA), Cagece e a Prefeitura.


Uma força-tarefa foi montada para realizar visitas em todas as localidades da cidade, feita por homens da Cagece, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Estado.


O levantamento do número exato de distritos e localidades de cada uma das cidades do Ceará deve facilitar o planejamento das ações de combate à seca. Segundo estimativa de Gianni Peixoto, assessor da presidência da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), estima-se que o Estado tenha cerca de 10 mil distritos e localidades. “Mas não se sabe exatamente. Com o levantamento, poderemos ter o número exato e definir ações que devem minimizar os efeitos da falta de chuvas no Ceará”, informou.

 

Êxodo

No Interior, um êxodo tem acontecido entre a área rural e a sede dos municípios, segundo o vereador eleito de Morada Nova (a 169 km de Fortaleza), Jorge Brito (PTN), que compunha a mesa do comitê. “Como não há condição de plantar, muitas famílias de trabalhadores rurais têm se deslocado para as sedes das cidades, em busca de água, de emprego e de melhores condições de vida”, comentou.

 

O vereador disse que os programas sociais, como o Bolsa Família e o Seguro Safra, têm sido “a sorte dos trabalhadores rurais”. “O (açude) Banabuiú está completamente seco. Nós tínhamos perímetros irrigados, mas está tudo parado”, lamentou Jorge Brito.


O meteorologista Raul Fritz, da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), afirmou que a estação pré-chuvosa já teve precipitações significativas, que superaram os 100 milímetros (mm), na região do Jaguaribe e no Sertão Central. No entanto, ele ressaltou que é cedo para fazer previsão do período chuvoso no Ceará em 2017, que começa em fevereiro e segue até maio. “A Ciência não permite fazer previsões de longos períodos”, resumiu.


O prognóstico para o período chuvoso do ano que vem. de acordo com a Funceme, deve ser divulgado em meados de janeiro.

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