Política 10/06/2014

Preço de uma negligência absurda

"Além de desrespeito em relação ao clamor popular, a falta de resposta às manifestações de 2013 foi uma burrice e um risco que pode sair caro"
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Érico Firmo ericofirmo@opovo.com.br
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O poder constituído no Brasil recebeu, no ano passado, um dos mais contundentes recados vindo da população na história brasileira. Em raros episódios houve tão enfática e generalizada demonstração de insatisfação. Em tudo, a Copa das Confederações foi o ensaio para um evento muito maior, que é a Copa do Mundo. Os governantes e parlamentares tiveram tempo bastante para dar uma resposta ao levante das ruas. E, no calor da pressão popular, até ensaiaram que fariam isso. Mas, quando as manifestações cessaram, voltaram à sua rotina, como se nada tivesse acontecido.

 

De mais significativo, houve a rejeição à malfadada PEC 37, que evitou um atraso. A transformação da corrupção em crime hediondo, que não ataca o cerne do problema, que é a impunidade. Afinal, não adianta nada ter punição com o maior rigor do mundo se, atualmente, o mais rotineiro é nenhuma pena ser aplicada a tal crime, nem branda nem severa. Houve ainda uma minirreforma eleitoral que quase nada avançou, piorou algumas coisas e, por pouco, não se observou um enorme retrocesso. Praticamente nada foi feito para atacar a crise da representação política, o deslocamento entre os eleitos e o povo em nome do qual deveriam governar – ponto em comum no mosaico de reivindicações diversas do ano passado.

 

A falta de resposta dos políticos às manifestações de 2013 foi não só uma demonstração de desrespeito em relação à sociedade civil. Foi também uma burrice e um risco. A partir de depois de amanhã, haverá novos protestos pelo País, não se sabe em que dimensão. Provavelmente serão menores, mais organizados e com risco de serem mais violentos que em 2013. Certamente, estão inflados pela indiferença de quem tem poder de decisão e acreditou que os movimentos do ano passado foram nuvem que já se foi. Parecem-me ter brincado com fogo. Dessa vez, pelo menos, ninguém poderá repetir a cara de surpresa. A pedra está mais que cantada.

 

CENÁRIO ESTÁVEL NO CEARÁ

A nova pesquisa Ibope, divulgada no fim de semana, não tem grandes novidades em relação aos números do instituto de maio – em levantamento encomendado pelo próprio Sistema Verdes Mares – e de abril, este contratado pelo PMDB. Não há diferenças substanciais até pela falta de fato novo que justificasse alterações deste nível. Isso só ocorrerá com a campanha em curso.

 

Do que a pesquisa mostra, uma novidade é o desempenho de Roberto Pessoa (PR), que não estava nas consultas anteriores e aparece entre 15% e 18%, desempenho bastante significativo. É também interessante, embora previsível, o peso do apoio de Cid Gomes (Pros). Como já comentado aqui algumas vezes, os cinco candidatos do Pros dependem enormemente do apoio do Palácio da Abolição para serem competitivos – e, com esse apoio, efetivamente são.

 

Quando a pesquisa não considera o apoio de Cid, quem aparece melhor é Domingos Filho, com 8% - o que também não chega a ser propriamente impressionante. Mas, a realidade é condizente com o que é a força e a fraqueza do vice-governador: trata-se do pré-candidato com trajetória mais independente em relação aos Ferreira Gomes. Com mais força própria. Portanto, o menos atrelado a eles.

 

A pesquisa mede o peso político de Cid, mas não indica a influência de Tasso Jereissati (PSDB), potencial maior aliado de Roberto Pessoa, nem de Lula e Dilma Rousseff (PT), cuja adesão é desde já a mais disputada entre os governistas federais divididos no Ceará.


A FORÇA ESPONTÂNEA DE EUNÍCIO

Se na pesquisa estimulada tudo é meio previsível e sem grandes alterações, a espontânea traz uma mudança a ser observada. No primeiro tipo de levantamento, o eleitor indica em quem pretende votar ao ver uma lista com o nome dos candidatos. Na segunda, cita quem é seu preferido sem ver a lista com os nomes. Ou seja, a espontânea pressupõe nível maior de definição do voto e de conhecimento do candidato. Na votação em urna eletrônica, o voto é espontâneo, diferentemente do modelo estimulado do voto em cédula.


Pois bem, Eunício tinha 4% no Ibope de maio e passou a 11% nos números divulgados no último fim de semana. Ou seja, quase triplicou.

> TAGS: protestos copa
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´justus 10/06/2014 09:43
Eunicio está vivendo ainda do apoio do LULA a campanha ao senado. Quando LULA entrar apoiando junto com CID Mauro Filho é o melhor candidato, tem espirito de lider. Eunicio vai ficar na poeira, o povo não será ingrato com CID o maior governador do CEara
Carlos Ivo 10/06/2014 07:24
Bando de Ratos de esgoto....
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