Política 13/03/2013

Pelo que brigam PT e PSol

Para o Psol, o PT é o primeiro e principal adversário na disputa tanto por eleitores como por ideias
Compartilhar


Com pouco mais de um mês de legislatura, o fato político na Câmara Municipal é a disputa dentro da oposição. O Psol investe contra a gestão anterior, comandada pelo PT, enquanto o PR está dividido entre dois parlamentares governistas e um oposicionista. Ou seja, um balaio de gatos. Como mostrou ontem o repórter Carlos Mazza, em parte, as críticas do Psol à gestão petista tinham como pano de fundo a disputa por uns minutinhos na tribuna. Futricas e picuinhas à parte, há outros elementos para explicar esses desencontros. Por um lado, o Psol é oposição à atual administração da mesma forma como foi à anterior. O mandato de Luizianne Lins (PT) chegou ao fim, mas os desdobramentos permanecem até hoje. Balanços estão sendo apresentados e contas ainda serão julgadas. Portanto, não há razão para esperar que quem fez críticas até dezembro fosse indulgente a partir de janeiro. Além do mais, é cedo para críticas mais contundentes e cobranças por resultados concretos do prefeito Roberto Cláudio (PSB) – salvo, evidentemente, algumas medidas realmente controversas que já foram tomadas. Por outro lado, há o aspecto político: para o Psol, o PT é o primeiro e principal adversário na disputa tanto por eleitores quanto de ideias. E, em determinadas bases sociais caras aos petistas, os psolistas também são ameaça ao partido que, de certa forma, deu-lhes origem. Foi a chegada do PT ao poder federal que impulsionou o nascimento do novo partido, fundado pelos descontentes com a postura da esquerda neogovernista. Diante do passado em comum e da proximidade de bases sociais, é mais fácil que atraia eleitores do PT que, por exemplo, do PMDB, do PSDB ou mesmo PSB. Quando os petistas estão no PT, o discurso do Psol é relativamente simples, pois assume o espaço de oposição à esquerda. Se estão na oposição, porém, é complicado encaixar o discurso para se diferenciar. Isso vale para ambos, mas, sobretudo, para a menor legenda.


Uma opção natural é radicalizar o discurso. Contudo, por um lado, esse caminho costuma mais afastar que atrair adeptos. Tradicionalmente, grupos de esquerda ampliam suas votações quando se deslocam para o centro, não para os extremos. Além disso, ao menos por enquanto, é o PT que assume posição mais radical em relação ao governo Roberto Cláudio. A outra opção é, realmente, expor as contradições, falhas e incongruências dos “colegas” de oposição quanto estavam no poder.


Por um caminho ou outro, o fato é que a oposição a Roberto Cláudio não irá se alinhar, salvo em temas específicos, por razões táticas. Claro que isso é bom para o prefeito. Contudo, antes de o enfrentamento ser com o governante de plantão, ambos travam sua própria guerra particular.


“PIBINHO” ATRAPALHA PRÉ-CANDIDATURA DE CAMPOS

O desempenho do PIB pernambucano em 2012 é o primeiro grande revés administrativo da pré-candidatura presidencial de Eduardo Campos. O presidente nacional do PSB já vinha enfrentando dificuldades políticas, com a oposição aberta ao seu lançamento por parte da cúpula do partido no Ceará – que representa a segunda força da sigla, depois da secção de Pernambuco. Mas agora é sua capacidade como gestor que está em xeque. A economia é o calcanhar de Aquiles da presidente Dilma Rousseff (PT). Quem quiser fazer frente a ela precisará mostrar condições de fazer melhor nessa área. Pernambuco até fez: cresceu 2,3%, mais que o dobro dos 0,9% do Brasil. Mas o resultado frustrou mesmo a expectativas mais pessimistas, que esperavam algo em torno de 2,5% a 3%. E passou longe dos 4,5% a 5% projetados no início do ano passado. Ficou bem abaixo, também, do desempenho do principal adversário interno. O PIB do Ceará, anunciado na semana passada, cresceu 3,65% - ou seja, o resultado de Cid Gomes ficou 58% acima do de Campos. As metas dos dois estados são semelhantes. O Ceará representa 4,4% da população do País e responde por pouco mais de 2% do PIB. Pernambuco tem população e PIB maiores pouca coisa. A ambos falta muito para que o tamanho da economia seja proporcional ao tamanho do Estado. Se o Ceará, no ritmo dos últimos seis anos, alcançará essa meta lá por volta do fim da década, para Pernambuco, diante do último resultado, a situação é mais complicada.

Com uma diferença crucial: os cearenses passaram os últimos anos dizendo que quase todos os grandes investimentos previstos para o Estado acabaram indo para Pernambuco. Mesmo assim, o PIB do vizinho ficou abaixo. E com uma curiosidade: embora o governo pernambucano tenha recebido tratamento vip, sobretudo do ex-presidente e conterrâneo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é o PSB do Ceará que bate o pé para não romper com o PT federal.


Embora também seja verdade que a situação era diferente até outro dia. Em 2010, eram os Ferreira Gomes que não queriam apoiar Dilma e lançar Ciro Gomes como candidato. E Campos sustentou o apoio. Suas excelências, as conveniências e as circunstâncias.


 

> TAGS: campos eduardo psol pt
Compartilhar
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor:

Política

RSS

Política

Érico firmo

Escreva para o colunista

Atualização: Terça-feira a Sábado

  • Em Breve

    Ofertas incríveis para você

    Aguarde

Newsletter

Receba as notícias da Coluna Política

Powered by Feedburner/Google

O POVO Política | Coluna Política