Política 12/03/2013

A pressão do PT sobre o PSB

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O aspecto mais interessante na resolução do diretório cearense do PT aprovado no último sábado é a sutil pressão lançada sobre o PSB contra a possível candidatura presidencial de Eduardo Campos. Antes de reafirmar a aliança estadual com PMDB, PSB e outros menos cotados, a nota do partido ressalta que a coligação eleitoral de 2014 “será realizada com os partidos comprometidos no Estado com a reeleição da presidenta Dilma”. Não que haja qualquer coisa de surpreendente nessa posição: esta coluna mesmo já havia dito que, no caso de o partido de Cid Gomes ter candidato a presidente, os petistas irão automaticamente providenciar palanque local para aquela que é sua prioridade absoluta. O governador sabe disso e já destacou o inconveniente criado pela postulação do colega pernambucano para os projetos estaduais. A novidade é isso ser verbalizado pelo PT em documento oficial. Seria dispensável dizer o óbvio, salvo pela pressão que se estabelece sobre a legenda aliada. E aí vale considerar que o Ceará se tornou a principal trincheira de oposição à candidatura de Campos. Depois de Pernambuco, o Estado é o principal foco de poder, digamos, socialista. Tanto Cid quanto Ciro Gomes têm feito recorrentes investidas, que interromperam a trajetória de permanente acúmulo de forças em que vinha. E, agora, o PT local também manda esse recado ao Palácio da Abolição: por um lado, reafirma a aliança, para contrariedade da própria presidente da legenda, a ex-prefeita Luizianne Lins. Por outro, cobra fidelidade nacional e deixa claro que o sonho de voo solo nacional terá reflexos instantâneos no âmbito estadual.


No entanto, observe a sutileza da afirmação: “partidos comprometidos no Estado com a reeleição” de Dilma. Não fala de amarras nacionais, mas estaduais. Desse modo, fica aberta a porta para apoiar o candidato do governador caso, por exemplo, Campos concorra a presidente, mas Cid apoie a recondução de Dilma. Seria, em outros moldes, a reedição do que ocorreu em 2002, quando o então hegemônico PSDB local fechou aliança com o então candidato a presidente Ciro Gomes e virou as costas para a candidatura do tucano José Serra, em troca da adesão do então grupo do PPS à postulação estadual de Lúcio Alcântara.


Contudo, na semana passada, Cid negou que venha a ser sabotador ou “quinta coluna” – ou seja, traidor de correligionários. E, depois de terem sido atribuídas a ele declarações nas quais admitia a possibilidade de trocar de sigla, ele afirmou: “Estarei com o meu partido”. Se for assim, o rumo do governismo no Ceará estará atrelado às decisões que emanam de Pernambuco. Todavia, o PT deixou a janela aberta caso Cid mude de ideia e resolva, de uma forma ou de outra, tornar-se “quinta coluna”.


A FORÇA POLÍTICA DE UM CADÁVER

A trajetória de Hugo Chávez teve contornos exóticos e surpreendentes do começo ao fim e, por isso, a notícia de que seu corpo será embalsamado e colocado em museu talvez seja o desfecho adequado a essa narrativa. Trata-se de mais uma etapa do processo lamentável de culto à personalidade e exaltação da personagem, como se a política precisasse de heroísmos voluntaristas. O expediente soa fora de tempo, salvo em teocracias medievalescas. Mas está longe de ser novo. De certa forma, um cadáver foi também crucial para construir o Brasil de hoje. O assassinato do então governador da Paraíba – a denominação da época era “presidente do Estado” – foi episódio crucial para a derrubada da República Velha e o início da era Vargas, cujas amarras institucionais perduram até hoje. Pessoa foi vice de Getúlio Vargas na chapa derrotada por Júlio Prestes. Seu assassinato estava relacionado a circunstâncias locais e pessoais, mas a exploração foi escancaradamente deturpada e nacionalizada. Morto em Recife (PE), seu cadáver foi levado para a capital paraibana, que a partir de então recebeu seu nome. Chegou a desfilar em carro aberto e foi velado por dois dias. Depois, o corpo foi levado para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Antes, fez escalas em Salvador (BA) e Vitória (ES), sempre explorado como peça de propaganda da revolução que se iniciava.

 

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espaço do leitor
Zemaria 12/03/2013 07:23
Cid está blefando. Ele será sim quinta coluna caso EC entre na disputa para presidente do BR. Além de morrer de amores por Lula e Dilma, ainda está com EC atravessado na garganta. O tempo confirmará.
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